Discurso - Vereador Rocal -

Texto do Discurso

O SR. ROCAL – Senhora Presidente, Senhoras e Senhores Vereadores.
Nem vou usar esse tempo todo. Só gostaria de concluir o pensamento anterior, das eleições, que é um tema, nobre Vereador Zico, grande Vereador da Zona Oeste, que tem me incomodado. Porque nós sabemos muito bem o que a Zona Oeste passa, convivemos dia a dia, Vossa Excelência também é meu partidário. E a campanha desse ano, na Zona Oeste, passou a ser o fake news às avessas. Os candidatos mal intencionados que ficam dizendo que o político A, B ou C não moram mais no bairro; e que ele será o representante oficial daquela localidade que Vossa Excelência também conhece.
Então, conversando hoje com jovem em Campo Grande, ele falava assim: “Professor, poxa, não tive tempo de tirar meu título! Como é que eu faço?” Disse, então: “Olha, rapazinho, agora já era! O período para tirar título de eleitor terminou no dia 30 de maio. Agora, se você quiser, vai estar aberto em novembro, ou seja, tão logo termine o segundo turno das eleições: novembro desse ano, até maio de 2020. Já deu um prazo a ele melhor do que da escola, quando eu dava prazo, aos meus alunos, quando eu dava aula de física.” Aí, ele disse: “Poxa, que pena! Eu queria tanto votar!”. E eu pergunto: “Olha, mas por que você queria votar?”. E ele responde: “Ah, sei lá, está todo mundo votando!” Essa é a resposta do jovem de 16 anos em Campo Grande.
E eu vim de lá para cá refletindo sobre isso. O que leva o eleitor, jovem, adulto e até mesmo o idoso a querer ir à urna, para ser representado? Primeiro, eu falava para ele: “Teu irmão tem quantos anos?”. E ele respondeu: “Ah, ele tem 18!”. Volto a perguntar: “Eu vejo o teu irmão dirigindo. Ele tem habilitação?”. E ele disse: “Tem! Permissão, na verdade! Daqui a três meses ou quatro, ele vai ter que fazer a reciclagem para tirar a definitiva”. Eu falei: “Legal! Então, vou usar esse exemplo, para você, que eu acho que deveria ser esse exemplo para o país todo!”
Primeira coisa, para o rapaz, para o jovem, até mesmo o adulto, que queira renovar a sua carteira de habilitação, ele tem que voltar à autoescola, tem que cumprir aula teórica, depois tem que cumprir a prática, o exame de vista, psicológico,para, então, conseguir a habilitação definitiva. Eu acho que na eleição deveria ser a mesma coisa, Vereador Fernando William. Não tinha que dar o título para o jovem de 16 anos, bastando chegar lá, apresentar sua carteira de identidade, seu comprovante de residência. Sai na hora e o rapaz vai decidir o destino da nação com apenas 16 anos – muitos deles em situações análogas àquela que o Vereador Professor Adalmir falou por primeiro, aqui, da Tribuna.
Vereador Leonel Brizola, esse jovem da região dos Lagos, que agrediu o professor hoje, pela manhã – ou nessa semana? –, com certeza, deve ter um título de eleitor que vai decidir o futuro desse país e desse estado. Ou seja, um aluno que sequer sabe se comportar dentro do espaço escolar. Então, eu diria, de máxima, que tinha que falar para esse jovem: “Vamos para a sala de aula. Vamos descobrir o que faz o Poder Executivo. Vamos para a sala de aula descobrir o que faz o Poder Legislativo, qual a função de cada um e para que existe o Judiciário”. Bastavam 20 horas: ele sentadinho lá, o professor ensinando. Após isso: “Vamos fazer a prova teórica. Toma aqui”. Foi aprovado? Vamos passar para a segunda fase.
Sabe qual seria a segunda fase? Acompanha um vereador eleito pelo povo. Acompanha um deputado estadual eleito pelo povo. Acompanha um deputado federal, um senador eleito pelo povo. Fica lá cinco sessões. Cola no seu deputado. É estágio. Isso nós fazemos quando estamos na faculdade – estágio supervisionado. Vai para lá. Senta hoje com o Vereador Leonel Brizola. Amanhã senta com o Vereador Fernando William. Outro dia senta com o Vereador Prof. Célio Lupparelli. Vai entender do projeto legislativo, das indicações, de como funciona isso aqui. Foi aprovado? “O seu Vereador disse que você está joia?”, aí sim: “Toma aqui seu título provisório – não definitivo – e vai exercer a sua cidadania”. Eu creio que fazendo isso...

O SR. LEONEL BRIZOLA – O Senhor me concederia um aparte?

O SR. ROCAL – Claro. Concedo um aparte, aqui, para o nobre Vereador Leonel Brizola.

O SR. LEONEL BRIZOLA – Rocal, eu só queria contribuir com Vossa Excelência. Esta Casa aprovou um projeto de noções da Constituição Federal nas escolas públicas. Já seria um requisito. É lei, bastasse a Prefeitura cumprir. Teve só um voto contrário a esse projeto, mas é lei. Eu acho que seria o início para que comecemos a trabalhar tudo isso que você está falando aqui. E queria parabenizar Vossa Excelência por trazer essa discussão tão importante, em um momento de decisão do futuro do país. Muito obrigado pelo aparte.

O SR. ROCAL – Pois não, Vereador Leonel Brizola. E chegou, agora, o professor e Vereador Tarcísio Motta.
Costumam colocar na conta do jovem que o futuro pertence a ele. “Jovem, olha, essa nação só será transformada através de você”. Mas você não qualifica, não capacita o jovem. Você deixa o jovem descobrir, no mundo, da pior maneira possível. O rapaz, coitado, não consegue terminar o ensino médio – nem o fundamental, quanto mais o médio. O cara não tem nenhuma perspectiva de vida. O cara sequer sabe quais são os direitos e quais são os deveres. Encontramos isso no dia a dia. A população, às vezes, reclama: “Eu pago impostos e não tem serviços”. Ou tem serviços e não paga impostos. Mas como é que a Prefeitura trabalha com relação à arrecadação?
Um dia desses, uma moradora falou para mim assim: “Ah, não quero saber. Eu quero a minha rua com saneamento básico”. Aí, eu tentando explicar para ela como é que tem dinheiro para fazer determinadas coisas e não tem para outras.
Porque vai começar uma obra de reforma de uma escola pública em Campo Grande.
Aí eu falei: “A senhora pode fazer obra na sua casa, mas nem por isso a senhora deixa de ir ao supermercado fazer compras”, quer dizer, é o mesmo dinheiro, mas com competências diferentes. Aqui é a mesma coisa – saneamento básico é uma coisa, reforma de escola pública é outra.
Existe uma confusão infelizmente no imaginário popular, e eu fico mais preocupado com a juventude, porque se a gente não qualificar, não der instrumentos de esclarecimento para esse jovem, infelizmente vai repetir, daqui a alguns anos, exatamente essa política que nós vemos aí e que tanto repudiamos.
Então, Senhora Presidente, eu queria dar essa contribuição com relação a esse ícone, desde ontem falando sobre eleição, rua, campanha de rua, aceitação popular, fake news, o candidato mal-intencionado e principalmente o jovem.
Queria aproveitar, Senhora Presidente, esses minutinhos que me restam, para falar também de um projeto que já está na pauta, aí eu gostaria de chamar a atenção dos meus colegas vereadores, já está na pauta desde o dia 12 de agosto. Esta Casa tem o compromisso com a cidade de aprovar um projeto de tamanha relevância, que é o projeto de educação especial.
Hoje, logo após a abertura da discussão, eu gostaria de pedir aos vereadores que a gente continuasse na pauta porque o projeto de educação especial seria o quarto da pauta de hoje.
Então, eu conto desde já com meus pares para a aprovação desse projeto tão importante, que dispõe sobre as políticas de educação especial na perspectiva da educação inclusiva para alunos com deficiência e altas habilidades, superdotação, da rede pública do sistema municipal de ensino da Cidade do Rio de Janeiro.
Muito obrigado, Senhora Presidente.