Discurso - Vereador Renato Cinco -

Texto do Discurso

O SR. RENATO CINCO – Obrigado, Senhor Presidente.
Senhores vereadores, senhoras vereadoras, senhores e senhoras, este é o primeiro discurso que faço desta Tribuna depois do primeiro turno das eleições. Então, em primeiro lugar, eu quero agradecer aos 11.800 eleitores e eleitoras que depositaram em mim seus votos para deputado federal. Infelizmente não foi suficiente para garantir a minha eleição, mas quero aqui comemorar o avanço do meu partido, o Partido Socialismo e Liberdade, que aumentou a sua bancada de deputados federais em todo o País e que obteve, nesta eleição, 100 mil votos para deputado federal a mais do que em 2014. Nosso partido tem conseguido, apesar de todas as adversidades da conjuntura, crescer e se afirmar como uma alternativa socialista e libertária para o Brasil.
Quero especialmente saudar a eleição das companheiras Talíria Petrone, eleita para deputada federal; Mônica Francisco, Renata Souza e Dani Monteiro, as quatro mulheres negras eleitas para o parlamento federal e para o parlamento estadual, mantendo vivas a luta e a memória da nossa companheira Marielle Franco. O PSOL também cumpriu o papel importante ao reafirmar a importância da participação das mulheres, especialmente das mulheres negras na política brasileira.
Por outro lado, Senhor Presidente, senhores vereadores e senhoras vereadoras, eu não posso esconder que estou extremamente preocupado com o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. As pesquisas indicam que elegeremos o fascista para a presidência da República, um homem que diversas vezes declarou seu apoio à Ditadura Militar; que uma vez criticou a Ditadura Militar, mas porque tinha que ter matado mais, porque torturou e não matou; um homem que faz questão de manifestar o tempo inteiro seu apreço e sua admiração por um dos maiores torturadores do Brasil, que foi o Coronel Ustra.
É um candidato a presidente que, durante a campanha eleitoral, fala em fuzilar seus adversários. Aliás, não só ele; alguns de seus candidatos eleitos ao parlamento pelo País têm falado claramente em varrer à bala a esquerda. O próprio candidato em seu discurso, comemorando a vitória no primeiro turno, falou em acabar com todo ativismo social do País.
Não são bravatas, senhores vereadores e senhoras vereadoras. O pensamento de Jair Bolsonaro tem o DNA da extrema direita. As correntes políticas, as concepções políticas têm seu DNA, têm sua história, e nós precisamos ter sabedoria, ter clareza, ter formação suficiente para extrair lições da história. A eleição para a presidência da República de um sujeito que tem no seu DNA político a extrema direita é muito perigoso para o futuro do nosso País.
A extrema direita tem a sua origem na resistência da nobreza e da aristocracia, as revoluções burguesas do séc. XVII e do séc. XVIII. São descendentes daqueles representantes do antigo regime, que resistiram à ascensão do capitalismo. No seu DNA político, sempre esteve inscrita a negação do princípio de igualdade entre os cidadãos e cidadãs. Sempre resistiram à Declaração dos Direitos do Homem, da Revolução Francesa, e depois à Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, na sua essência mais fundamental, que é a afirmação de que todos nascem iguais e livres, de que todos nascem em igualdade de direitos.
A extrema direita nasce reivindicando que não, não somos todos iguais por natureza. Nobres e plebeus não são iguais. E ao longo de toda sua história, a extrema direita sempre renova aqueles que são superiores e aqueles que têm que ser banidos, varridos, exterminados: plebeus, judeus, gays, lésbicas, comunistas, anarquistas, ciganos, vários já foram os grupos vítimas daqueles que afirmavam a superioridade de arianos, de patriotas, ou, como se fala agora, homens de bem.
A extrema direita nasceu da resistência ao princípio da igualdade entre todos e todas. Nasceu antiburguesa. Mais ainda, no séc. XIX, especialmente no séc. XX, a burguesia e a extrema direita se encontraram várias vezes na História. A burguesia aprendeu a usar a extrema direita como instrumento para a repressão política. Foi assim com Napoleão III, quando se utilizou de seus capangas e do apoio da burguesia para se impor. Luís Bonaparte virou Napoleão III. Assim aconteceu com Mussolini, com Hitler e com vários outros na História. Normalmente, a burguesia lança mão da extrema direita quando tem seu poder ameaçado no país.
Hoje, no Brasil, setores importantes do grande capital aderem à candidatura de Jair Bolsonaro porque enxergam nele a disposição de se comportar como um capitão do mato para impor, com força e com violência, as reformas contra os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, que já vem ocorrendo no Brasil nos últimos anos, mas que se precisa radicalizar. Estamos prestes a eleger um candidato que, por um lado, se apresenta como um fascista – aliás, finge que não é –, mas se apresenta como um fascista disposto a implantar a agenda ultraliberal que o capital deseja para nosso país.
Meu tempo já está esgotado, mas quero encerrar dizendo o seguinte: quando começaram os debates sobre o impeachment da Presidente Dilma, eu disse aqui, desta tribuna, que eu só precisava de um motivo para ser contra o impeachment da Presidente Dilma: o Vice-Presidente era o Michel Temer. No segundo turno dessas eleições, só preciso de um motivo para votar Haddad 13 para presidente: o adversário é Jair Bolsonaro. Eu não quero nem discutir as qualidades e os defeitos do adversário do Jair Bolsonaro. Ele é um fascista igual o Bolsonaro? Não. Então, é nele que eu voto. Qualquer candidato que tivesse ido ao segundo turno – exceto o Cabo Daciolo, que é tão ou mais fascista do que o Jair Bolsonaro – teria o meu voto no segundo turno nessas eleições.
Então, eu quero aqui declarar o meu voto em Haddad 13 porque eu quero ter o direito de fazer oposição ao Governo Federal. O capitão do mato Jair Bolsonaro já declarou que quer acabar com todo o ativismo social do país, ou seja, ele é um candidato a Presidência da República que não admite sofrer oposição, que ameaça com ditadura e com morte aqueles que o enfrentarem na oposição.
Em nome da democracia, em nome do meu direito de ser oposição, eu vou votar naquele candidato a presidente da República com quem eu tenho muitas discordâncias, mas que não ameaça a minha vida, nem a vida de ninguém, nem nos seus discursos nem na prática. Haddad 13, pela democracia, fascismo não, Bolsonaro é fascista, Bolsonaro é levar o Brasil ao abismo da violência política.
Agora, quero avisar aos conservadores que estão apoiando Jair Bolsonaro: em primeiro lugar, disseram que o Hitler falava bravatas, que ao ganhar as eleições ele não faria o extermínio de judeus nem nada daquilo das bravatas. Ele cumpriu. Disseram que as instituições controlariam Adolf Hitler. Não controlaram, não controlaram.
Estamos vivendo no Brasil o mesmíssimo risco: colocar no comando do executivo federal alguém que diz que é preciso um banho de sangue no nosso país. A primeira onda do banho de sangue pode atingir os inimigos dos conservadores. A segunda onda do banho de sangue pode atingir os conservadores. Não se iludam.