SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. PAULO PINHEIRO – Obrigado, Senhor Presidente.

Boa tarde a todos. Queria parabenizar a Vereadora Rosa Fernandes, que não faz anos hoje: ela comemora mais um ano ultrapassado. Parabéns a ela.

Senhor Presidente, sobre os episódios que foram falados há pouco, dois comentários hoje sobre o que falou ontem o Secretário Sebastião Bruno. Mais uma vez ele trouxe a realidade do que está acontecendo em relação à obra do tomógrafo da Rocinha. Várias pessoas fizeram intervenções – várias pessoas do governo – e o próprio Sebastião Bruno, mostrando claramente que não têm absolutamente noção do que estão falando. Acho que a medida mostrada na última reunião pela Secretária Beatriz é uma medida correta. A criação não é de ambulatório, mas de polos de atendimento de Covid-19 em várias partes da cidade.

Entre os equipamentos necessários para agilizar o resultado do exame, o que dá noção mais rapidamente do tipo de pneumonia, do tipo de comprometimento do pulmão, está o tomógrafo. Ele é essencial para isso. E a ideia que já foi feita – parece que em outras áreas da cidade – é que colocaram na Policlínica de Bangu, na Policlínica de Santa Cruz, colocaram no Centro Municipal de Saúde de Campo Grande, na Policlínica de Del Castilho, na UPA de Madureira. Ou seja, em vários locais estão colocando os tomógrafos para tentar que esses lugares agilizem o atendimento e impeçam que as pessoas piorem o quadro, quando monitoradas mais rapidamente. E na Rocinha era a mesma coisa.

Agora, no argumento citado, ficou bem claro que a decisão não foi da Secretaria de Saúde. A Secretaria de Saúde está pretendendo colocar isso em lugares públicos de saúde, o que é corretíssimo. Agora, sobre a história de que não cabe lá em cima, ele não explicou até agora por que não dá para botar o tomógrafo na UPA da Rocinha. A UPA da Rocinha é uma unidade onde caberia perfeitamente o tomógrafo. É um local onde funcionava uma garagem de ônibus – ônibus enormes entravam ali, portanto, não há problema de espaço.

Se realmente não havia condições... se existem também outros equipamentos ligados, tem ultrassom, tem aparelho de raios X, ali tem tudo, e o tomógrafo não poderia ser colocado ali? Essa é a colocação do Secretário Sebastião Bruno. Ele tem que entender que existiam outros locais. Não havia necessidade de colocar aquilo na região em que ele colocou. E mais grave, o argumento que ele traz – argumento que outros vereadores já falaram – é absolutamente primário e não tem nenhuma razão de ser.

Acho que ainda não entenderam, nem o Secretário entendeu, que tomografia o sujeito não escolhe: “Vou fazer um hemograma hoje”; “vou fazer um exame de fezes hoje”. Não é isso. A tomografia é especificamente para o paciente que está grave e vai ficar grave. Ninguém vai pegar o metrô, saltar ali na Rocinha, fazer uma tomografia e pegar o metrô de volta. As pessoas que estão fazendo tomografia são pessoas que já foram vistas, são pessoas que têm necessidade, e que há um pedido médico pra fazer isso. Os usuários serão os moradores dos prédios dali, daquela área. É um absurdo!

Ontem eu me esqueci de comentar isso, até falei com o Vereador Brizola, pois já tinha passado meu tempo: na cabeça do Secretário Sebastião Bruno, por exemplo, o ex-Prefeito Eduardo Paes, que mora em São Conrado e está com coronavírus, pode pegar o carro dele, parar ali na Rocinha e fazer uma tomografia para ver se o pulmão está comprometido. Presidente, dá sono ouvir o Secretário falar. O senhor abriu a boca aí, mas é verdadeiro. Dá um sono enorme. A sensação que o senhor demonstrou aí é verdadeira.

Não é verdade que as pessoas que moram nos apartamentos do bairro de São Conrado vão usar o tomógrafo da Rocinha. Também não é verdade que as pessoas vão descer da Rocinha porque vai ficar mais perto para descerem. Não é verdade! Esse tipo de exame vai ser feito por paciente que está sendo visto numa unidade de saúde. Não vai ninguém ir a pé de casa, fazer a tomografia e ir embora pra casa, ou pegar um mototáxi.

A nova argumentação dele, de ontem, não tem nenhuma razão de ser: ficaria mais perto para os moradores de Vidigal. Ora, o morador do Vidigal pega uma van – esse morador do Vidigal não vai de van para ser atendido, mas o raciocínio dele é esse –, desce a Niemeyer, entra na Visconde de Albuquerque e está no Miguel Couto, que é mais próximo e tem tomógrafo, não precisa ir à Rocinha.
Então, meus amigos, não é verdade isso. Foi um erro, forçou a barra e está criando outros problemas, porque não é inaugurado e há necessidade do tomógrafo. Está fazendo falta a tomografia. Hoje, os moradores da Rocinha, que precisam desse exame, têm que ir ao Miguel Couto, que é muito mais longe – é necessário o tomógrafo ali. É um erro cometido, não adianta vir conversar que é por causa da Igreja Universal. Não é para a igreja Universal, aquilo ali é para ficar dentro de uma Unidade de Saúde. Tem do outro lado da rua o Centro de Cidadania Rinaldo Delamare, que tem condições, tem equipamentos, tem elevador, tem força elétrica para isso; tem um estacionamento maior do que o estacionamento da igreja...
Só para encerrar, eu ouvi agora. Além disso, o que eu queria dizer mais sobre isso é que estamos... Tem que ouvir o sinal eletrônico. O tempo passa. Então, estamos passando por gravíssimos problemas no Rio de Janeiro. O que o Estado está fazendo em relação à não abertura de leitos nós não temos como resolver. Chegaram os tomógrafos para a Prefeitura. A Prefeitura está tentando instalar, ela sabe que tem problemas com o pessoal. E o que foi denunciado, hoje, pela televisão, sobre o Hospital de Campanha do Maracanã é um crime.
Uma médica faz a denúncia. Não tem medicamentos necessários, faltam equipamentos, muitos foram tirados de lá, e os profissionais que estão ali não têm treinamento, não sabem mexer nos aparelhos. Isso é muito grave! Temos que ver as dificuldades de buscar recursos humanos.
Nós continuamos com o aumento brutal do número de casos no Rio de Janeiro. No último levantamento, são 30.372 casos e 3.237 óbitos. Hoje, têm quase 630 pessoas na fila para uma vaga, e nós não conseguimos abrir mais leitos. Os leitos nos hospitais federais continuam fechados, continuamos não tendo atendimento nos hospitais federais e estaduais. Os que foram abertos, de campanha, estão com a metade dos pacientes lá dentro, e o município continua com dificuldades ainda de abrir seus leitos por falta de pessoal. É preciso que as autoridades expliquem isso, Presidente. Só para frisar o que falou o Vereador Dr. Gilberto, nós estamos votando muitos projetos, mas muitos deles não vão resolver, são coisas que a Prefeitura já está fazendo. E aqueles que precisavam ser feitos, o Prefeito não aprova, veta.
Sobre o nosso Fundo da Covid-19: cadê o pessoal para doar? Um projeto tão importante votado aqui. Onde está parado isso aqui?
Muito obrigado.