SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. RENATO CINCO – Obrigado, Senhor Presidente.

Senhores vereadores, senhoras vereadoras, senhores e senhoras, anteontem, dia 5 de maio, foi o aniversário de 202 anos de Karl Marx. Eu não poderia imaginar, Senhor Presidente, que dois dias depois, o líder da extrema direita brasileira, o Presidente da República Jair Bolsonaro, fosse dar um presente ao Karl Marx. Atrasou um pouquinho: dois dias mais o dia de hoje. O Presidente Jair Bolsonaro e o setor do grande empresariado brasileiro fizeram uma grande propaganda do conceito marxista de luta de classes. Nunca imaginei que o Presidente Jair Bolsonaro fosse participar da semana de comemoração do aniversário de Karl Marx dando uma aula para ajudar a população a entender o significado da luta de classes.

Vejam só: o Presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do representante da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast); da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit); da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq); do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic); da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma); da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados); da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim); da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros); da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC); do Grupo Farma Brasil; da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB); da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), acompanhado dessa nata ou, ainda, de uma parcela da nata das classes dominantes brasileiras, atravessou a pé a Praça dos Três Poderes para constranger o Supremo Tribunal Federal, que, nas últimas semanas, tem sido um dos principais protagonistas do conflito entre instituições da Nova República e os objetivos autoritários do Presidente Jair Bolsonaro, candidato a ditador.

Jair Bolsonaro, ao receber esse tipo de visita – o Presidente da República telefona para avisar que está indo, atravessa a Praça dos Três Poderes a pé acompanhado por esses empresários –, constrange o Presidente do Supremo Tribunal Federal e faz transmissão ao vivo da audiência, sem nem comunicar – nem digo consultar, mas comunicar – o Presidente do Supremo, para combater o isolamento social, num momento em que a pandemia sai de controle e o número de mortos bate recordes a cada dia. Nossos números oficiais são dramáticos. Apesar de muito subnotificados, são dramáticos. Num momento como este, esses empresários e o Presidente da República vão ao Supremo Tribunal Federal constranger o Supremo para mandar uma mensagem: tomem cuidado, porque se vocês permitirem a paralisação na forma de lockdown, estamos aqui ao lado do Presidente Bolsonaro e de seus arroubos autoritários.

Na minha interpretação, foi gravíssima a mensagem que esses empresários e o Presidente Jair Bolsonaro passaram, hoje, com sua audiência constrangedora no Supremo Tribunal Federal.

A gente tem visto, nesta pandemia, várias dimensões sobre luta de classes, sobre o que é o capitalismo e quais são os limites do capitalismo. Essa não foi a primeira; uma das mais importantes, mas não a primeira. Talvez, a mais importante seja a lição de como o nosso acesso à população...condições de sobrevivência durante a crise da pandemia não dependem da existência ou não da materialidade dos meios de sobrevivência. O que estou querendo dizer com isso? Que existem pessoas passando fome, mas não falta comida no país; existem pessoas sem acesso à material de higiene, mas não falta material de higiene no país. São as relações econômicas capitalistas que fazem com que tudo tenha que ser acessado por meio do dinheiro, que cria esse tipo de crise.
E as pessoas estão entendendo isso. As pessoas entendem quando, por exemplo, a indústria, até agora invisível... Invisível. Só se fala em paralisação do comércio. Esses empresários hoje mesmo disseram: “Nós estamos trabalhando. O problema é que não estamos conseguindo vender. Então, se a gente não conseguir começar a vender, vai ter uma grande crise econômica”. Como se a flexibilização, neste momento, do isolamento – que já é fraquíssimo – também não fosse levar a graves prejuízos econômicos, porque a pandemia é inexorável. Ela vai causar grandes danos econômicos.
Fazendo o dever de casa, vai morrer menos gente e nós vamos resolver os problemas econômicos mais rapidamente, mas nesse caminho...,

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Vereador, seu tempo está terminando.

O SR. RENATO CINCO – Obrigado, Senhor Presidente.
Só quero encerrar dizendo que nós temos que seguir na luta para garantir o isolamento social, com garantia de direitos, com garantia dos direitos humanos. Estou muito preocupado também com as declarações do Governador Witzel, de promover lockdown, sem garantir as condições para que a população faça esse lockdown. Quer dizer, quais são os planos do governador? É só a repressão do povo? Precisamos avançar na garantia dos direitos para que as pessoas possam aprofundar o isolamento social.
Obrigado, Senhor Presidente.