SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. PAULO PINHEIRO – Boa tarde a todos os vereadores, aqueles que estão nos assistindo e nos ouvindo.
Os Vereadores Tarcísio Motta e Reimont falaram sobre a educação. Eu queria falar um pouquinho sobre a saúde, sobre a pandemia numa visão geral. Vou falar iniciando pelo Ministério da Saúde.
O Vereador Tarcísio Motta foi interrompido pelo ex-prefeito Cesar Maia pela notícia de que se tem um novo Ministro da Educação; eu esperaria que o Vereador Cesar Maia me interrompesse dizendo que há um novo Ministro da Saúde. Parece que não. Mesmo que fosse um almirante, um general. Mas parece que não. Não vamos ter.
Nós assistimos ontem algumas reuniões que são lastimáveis, que desnudam esta situação que nós estamos vivendo hoje no Brasil da pandemia e da atuação do Governo Federal em relação a isso.
O Ministro do TCU falava sobre o que é o Ministério da Saúde hoje. Ele chegava, com certa veemência, a dizer que não há, em determinados momentos, um profissional da área de saúde, não há um cientista, não há um profissional, médico, enfermeiro ou outro profissional da área da saúde que possa vir a público explicar o que está acontecendo.
Apareceu um cidadão ontem dando uma entrevista, o suposto Secretário da Vigilância e da Saúde, dizendo que eles se enganaram, que parecia que a curva estava diminuindo, mas foram surpreendidos. Só o Ministério da Saúde brasileiro se surpreende, após governos estaduais e governos municipais terem flexibilizado irresponsavelmente o isolamento social, com os casos começarem a aumentar. Só o Ministério pode se surpreender com uma coisa dessas.
O que nós estamos vendo e temos falado aqui, não estamos nem tentando discutir a questão do Município do Rio de Janeiro ou do Estado do Rio de Janeiro. Estamos falando no geral. Os exemplos estão aí. Nos últimos dias, aqueles governos que, pressionados pela área econômica, todos entendemos que todo mundo precisa trabalhar, todos nós entendemos que o governo deveria ajudar as pessoas com um colchão de proteção financeira e não fez dessa maneira… Nem a Prefeitura do Rio, nem o Governo do Estado do Rio, nem o Governo Federal fizeram o suficiente e necessário para manter essas pessoas, como também para manter os pequenos empresários, aqueles que estão falindo por causa desse problema. Não fizeram.
Mas é necessário entender o que significa isso. Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte – todos esses locais – estão retrocedendo, estão voltando atrás. Como eu tenho dito constantemente, não quero ouvir do Prefeito Crivella uma declaração desse tipo: “Realmente, nós começamos a flexibilizar o isolamento de uma maneira errada. Vamos voltar atrás”. Não adianta mais. Ele só vai fazer isso quando tiver um passivo de mortos e de novos casos acima do esperado.
Nós esperamos que ele entenda que, por mais lindo que seja o trabalho que ele apresentou – as regras de ouro são maravilhosas, o visual que ele apresentou é muito bonito –, as regras não conseguirão ser cumpridas. Ele não conseguiu, em momento algum, fiscalizar o transporte coletivo. Chegou ao ponto de cobrar dos motoristas de BRT que fizessem esse trabalho, que ninguém pode fazer a não ser o policiamento, a não ser a Guarda Municipal. Agora, ele voltou atrás e liberou geral: andam quantas pessoas quiserem andar. E alega que as pessoas vão andar nos transportes coletivos com espaço de 1 m2. Pelo amor de Deus! Como ele falou outro dia: “Vou abrir os salões de cabeleireiros, mas não pode fazer sobrancelha...” É uma brincadeira absolutamente desnecessária. Nós estamos passando no Brasil, nos estados brasileiros, no Município do Rio de Janeiro por muitas situações gravíssimas e vamos ter outras complicações a seguir. Não tenham dúvidas!
Agora, o que me chama a atenção, para encerrar, que meu tempo está se esgotando, foi uma entrevista hoje do prefeito de Caxias. Realmente, eu fiquei impressionado! Ele diz que não vai respeitar a Justiça, que em Caxias está tudo normal, que as mortes lá são normais, que aquelas pessoas que morreram tinham que morrer mesmo. Fala que não vai modificar e que vai desrespeitar a Justiça. Não consegue fiscalizar, vai manter o comércio aberto. Nós estamos vendo Caxias como o segundo município do Rio em mortalidade. Não é o segundo em população, mas é o segundo em mortalidade. São essas condutas que a gente precisa convencer as autoridades a não fazerem mais.
No Rio de Janeiro a mesma coisa. Está no momento de o Rio entender que a flexibilização feita não está tendo controle. Não é verdade que os shoppings estão cumprindo o que é necessário. Não é verdade, e só acusam as pessoas na praia. Não é só na praia, não. É na praia e em outros locais da cidade. Não há por que abrir mais qualquer coisa. Não há por que o prefeito pensar em abrir o futebol! Qual é o problema do futebol? Não dá para viver sem futebol por um tempo? Vocês estão vendo que as pessoas estão se contaminando. Aquele tenista fez uma reunião e contaminou todo mundo que estava jogando tênis com ele!
Portanto, meus amigos, eu queria, mais uma vez, fazer um apelo. Temos colegas aqui que acham que está tudo correndo bem, que está na hora de abrir, que tem que abrir. Entendam o seguinte: a transmissibilidade desse vírus é muito alta. O número de pessoas infectadas... Nós chegamos próximos do 1. Teríamos que começar a flexibilizar quando estivéssemos com menos de uma pessoa sendo contaminada por outra. Já voltamos a ter 1,53; 1,39; 1,57 no dia de ontem. Ou seja, uma pessoa no Rio já voltou a contaminar quase duas pessoas. Isso é uma ordem de crescimento muito grande.
Nós não estamos aqui para o “quanto pior, melhor”. Não é isso. Nós só queríamos entender por que não cumprimos as determinações que outros países fizeram com algum tipo de sucesso. Vejam os Estados Unidos: os locais que não cumpriram determinadas condutas estão piorando cada vez mais. Os Estados Unidos, cujo presidente, como o daqui, gosta de dizer que o vírus era fácil, que ia embora, que era uma “gripezinha”, já voltou atrás: já está apanhando politicamente pelas suas condutas irresponsáveis à frente do governo americano. Nós aqui estamos seguindo a mesma coisa.
Espero, Presidente, que a gente tenha boas notícias. E boas notícias seriam a Prefeitura voltando atrás; que recue, segure um pouco mais, tenha mais prudência para a gente não estar constantemente abrindo o comércio e fechando os caixões.