ORDEM DO DIA
Pela Ordem



Texto da Ordem do Dia

O SR. BABÁ – Na verdade, Vossa Excelência, já fiz todo o debate aqui sobre essa situação. Só queria registrar aqui, na Câmara de Vereadores, em memória dos dirigentes sindicais revolucionários, assassinados em 27 de novembro de 2008, Richard Gallardo, Luis Hernández e Carlos Requena, na Venezuela. Em nome da nossa corrente socialista dos trabalhadores, faço questão de registrar essa situação, que foi muito grave para a esquerda – o assassinato desses companheiros. Outros debates nós vamos travar posteriormente. Muito obrigado.

O SR. MARCELO ARAR – Pela ordem, Senhora Presidente.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Pela ordem, o nobre Vereador Marcelo Arar, que dispõe de três minutos.

O SR. MARCELO ARAR – A violência tomando conta do Rio de Janeiro, o turismo sendo dilacerado. Vossa Excelência, Marcello Siciliano, Presidente da Comissão de Turismo, o turismo no Rio de Janeiro sendo dilacerado e, nesta Casa, ainda estamos analisando se vamos votar ou não o armamento da Guarda Municipal.
Sete mil homens de bem, concursados, que passaram em suas respectivas provas; funcionários públicos de carreira; passaram por testes psicológicos; funcionários da Prefeitura do Rio de Janeiro. Por que eles não podem portar uma arma no combate à criminalidade?
Essa arma não vai ser para perseguir camelô – de forma alguma! Essa arma vai ser usada no combate à criminalidade. Essa arma vai ser para apoiar a Polícia Militar. Não estamos na Suíça, não estamos na Noruega, vivemos uma guerra civil. Qual é a dúvida, pergunto a você, Presidente da Comissão de Turismo, Vereador Marcello Siciliano, qual é a dúvida em armar, ou não, a Guarda Municipal, 7.000 homens de bem que vão ajudar no combate à criminalidade?
Falaram muito aqui em preservar o patrimônio público. Vereador Jones Moura, como é que vai preservar patrimônio público na mão, com cassetete? Tem que ter uma autoridade. Então, venho aqui declarar meu voto “sim” ao armamento da Guarda Municipal e espero que o Parlamento se conscientize. Eu queria frisar também e espalhar através das redes sociais para todo o Município do Rio de Janeiro que a Guarda Municipal de São Paulo é armada, a de Curitiba é armada e por que não a Guarda Municipal do Rio de Janeiro seguir o mesmo caminho? Não vamos subestimar os profissionais não. Eles podem, sim, se especializar, aprender a combater a criminalidade de mais alta periculosidade e ajudar a defender e proteger o cidadão carioca.
Se estivéssemos vivendo numa cidade em paz não precisaríamos armar a Guarda, mas estamos quase numa guerra civil, é policial morto toda hora, é assalto em toda a esquina. Como não vamos armar 7.000 cidadãos de bem?
Então, eu declaro aqui meu voto “sim” ao armamento da Guarda Municipal.
Obrigado, Presidente.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Pela ordem, Vereador Fernando William, que dispõe de três minutos.

O SR. FERNANDO WILLIAM – Bem, primeiro o Vereador Jones Moura, volto a dizer, por quem eu tenho respeito e carinho, fez questão de me colocar de fora da esquerda aqui na Câmara. Então, eu quero dizer aos poucos colegas presentes que talvez eu seja um dos mais de esquerda aqui, até porque eu tenho uma visão de esquerda mais rigorosa inclusive. E quero lembrar, é claro, Câmara Municipal também é cultura, que ser de esquerda é ser a favor da liberdade, da fraternidade e da igualdade.
Todas as vezes que as pessoas levantam aqui essa questão de direita e esquerda, eu pergunto se tem alguém..., aliás aproveito para perguntar se tem alguém aqui neste plenário que seja contra a igualdade de direitos. Vereador, meu querido Felipe Michel, você é contra a igualdade de direitos? Você é, Isquierdo? Não. Você é contra a igualdade de direitos, Carlos Eduardo? Não. Você é contra a liberdade? Eu estou fazendo essas perguntas para incluir no rol de pessoas de esquerda quase que toda a Câmara porque ser de esquerda. Originalmente, segundo a Revolução Francesa inclusive, eram aqueles que defendiam liberdade, fraternidade e igualdade de direitos e é isso que nós defendemos, fundamentalmente para os mais necessitados, fundamentalmente para aqueles que vivem do seu trabalho, aqueles que vivem inclusive da atividade produtiva. Então, por favor, me inclua como de esquerda. Aliás, inclua também o Marcello Siciliano, que está me olhando ali e é favor de tudo isso que eu disse aqui.
Outra coisa interessante é o seguinte: o Vereador Jones Moura, eu vou mais uma vez dizer, fruto da sua inexperiência – o que é natural, primeiro mandato – fez uma enorme confusão e levou a galeria, milhares de colegas de trabalho seus que estavam lá fora, ao equívoco. Não foram os vereadores que votariam contra o projeto que dificultaram a votação do projeto. Pelo contrário, nós criamos todas as condições e votamos em todos os momentos para que o projeto fosse votado hoje. Aliás, o vereador usa expressões como “trapaça”. É claro que o vereador não é um trapaceiro, é claro que o vereador não é uma pessoa do mal, nada disso. Mas ele, por exemplo, usou a tribuna aqui para discutir um projeto e não discutiu. Aliás, a Mesa Diretora, que também tem uma colega por quem eu tenho um profundo respeito– não foi rigorosa ao exigir que o vereador retomasse a discussão sobre o projeto que estava na Ordem do Dia e que ele deveria fazer o debate sobre aquele projeto.
Se nós começarmos a discutir um quinto projeto da Ordem do Dia discutindo o primeiro, mas sem discutir o tema do primeiro, e sim do quinto, isso vai virar uma bagunça e nós não vamos votar nada que contrarie os interesses de qualquer outro vereador ou do próprio Governo. Então, se houve trapaça – eu sou contra esses termos, por exemplo, chamar o colega de canalha... Peço sempre que a gente tenha um cuidado muito grande na forma de tratar os colegas, sejamos firmes naquilo que defendemos, naquilo que temos convicção, nas nossas ideias, mas sem ferir suscetibilidades, sem tratar mal a nenhum colega – sem se dirigir ao colega com termos que são inadequados para o parlamento, isso que a gente deseja e luta: para que seja grande diante da opinião pública. Obrigado.

A SRA. TERESA BERGHER – Pela ordem, Senhora Presidente.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Obrigada, Vereador.
Pela ordem, a nobre Vereadora Teresa Bergher, que dispõe de três minutos.

A SRA. TERESA BERGHER – Senhora Presidente, colegas vereadores e vereadoras e demais presentes a esta Sessão. Primeiro, eu queria dizer o seguinte: Vereador Fernando William, o senhor sabe que eu tenho o maior carinho pelo senhor. Eu não sou uma vereadora de rótulo, vereadora de esquerda, até porque eu sou da raiz do PSDB, desde quando esse era um partido de centro e defendia a Social-Democracia. Infelizmente, hoje, ele está tomando um rumo diferente que, inclusive, não me agrada. Mas aí é uma outra discussão. O que eu quero deixar muito claro, em relação a essa questão da Guarda Municipal, é que eu vou votar contra o armamento, porque eu sei que não vai contribuir em nada com a segurança do cidadão do Rio de Janeiro – ao contrário, vai colocar em risco a vida do próprio guarda. Primeiro isso. Segunda questão: quando o Vereador Marcelo Arar fala que nós temos 7,5 mil homens concursados que estão aí para ajudar a segurança pública, contribuir com a segurança pública... Vereador Fernando William e demais vereadores, nós não temos 7,5 mil homens na Guarda Municipal. Temos 7,5 mil homens, mas que representam apenas 1,5 mil com uma escala de 12x60. Então, não são esses 1,5 mil guardas que vão resolver o problema da segurança. E mais, eles têm que exercer a sua função. A Guarda Municipal foi criada na gestão de um tucano – o Senhor Marcelo Alencar. Quando Marcelo Alencar era prefeito da Cidade, foi criada a Guarda Municipal, e ela foi criada com outra finalidade. Então, em vez dos guardas municipais irem para a rua armados... Muitos deles, diga-se de passagem, já se julgam por demais autoridade, imaginem com uma arma. Eu acho temerário refletir e não vou votar a favor. Vou votar contra. Nunca pensei em votar a favor, pensei até em apresentar uma emenda, mas agora, sinceramente, definitivamente, estou convicta, vou votar contra, mas deixar muito claro que a Guarda tem uma função a cumprir: a proteção do patrimônio público, dar assistência para as nossas escolas. A Ronda Escolar está fazendo falta, Vereador Fernando William, e muita falta. Hoje, nós vemos hospitais sem segurança, porque a Prefeitura tem que contratar empresas terceirizadas. Muitos dos serviços que são prestados por essas empresas poderiam ser prestados pela Guarda Municipal. Contrata, mas não paga. Então, temos hospitais e todas as nossas instituições públicas abandonadas e a Guarda, infelizmente, sem função. É isso o que eu penso. Muito obrigada.