SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. LEANDRO LYRA – Boa tarde, Presidente, senhoras e senhores vereadores. Presidente, ontem aqui, no Plenário da Câmara, o Vereador Tarcísio leu uma carta que criticava a concessão dão Conjunto de Medalhas de Mérito Pedro Ernesto ao professor e filósofo Olavo de Carvalho.
Naquela ocasião, eu disse que aquela carta era um posicionamento hipócrita. Veja só, Presidente, menos de 24 horas depois, eu me deparo com a notícia de que o Vereador Leonel Brizola, do PSOL, apresentou uma Moção de Louvor ao ditador comunista, assassino, norte-coreano Kim Jong-un.
A notícia é “Câmara do Rio apresenta Moção de Louvor”. Eu não poderia ver isso sem vir, aqui, expressar o meu mais absoluto repúdio, porque esse tipo de moção, sim, é que apequena o Parlamento.
Essa carta ontem era uma carta hipócrita, essa moção de louvor, não há nem o que se possa dizer acerca dela. Eu digo isso por que, Presidente? Porque eu também não espero muito mais que isso do PSOL, que acha que existe algum tipo de possibilidade de que o socialismo conviva com a liberdade.
Kim Jong-un jamais poderia ter recebido qualquer tipo de moção que não seja aquela que repudie veementemente o seu regime na Coreia do Norte. Muito obrigado.

O SR. LEONEL BRIZOLA – Pela ordem, Senhor Presidente.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Pela ordem, o Vereador Leonel Brizola, que dispõe de três minutos.

O SR. LEONEL BRIZOLA – Primeiramente, peço desculpas por sair do tema da Ordem do Dia. O Vereador Leandro Lyra poderia ter usado outra oportunidade para a gente promover esse debate. Quero dizer que Vossa Excelência está extremamente equivocado e está sendo pautado pela mídia burguesa do Jornal O Globo, essa é que é a verdade. Vou lhe dizer: a homenagem não foi ao Kim Jong-un, a homenagem foi ao povo coreano, foi principalmente pela união da Coreia, pela desmilitarização, pelo fim do armamento nuclear, pela paz mundial, essa que foi a intenção.
Aqui, se você tivesse acompanhado, Leandro, mas você é um menino criado com Sucrilhos no prato, você não deve ter nem calo na mão, você não deve ter nunca ajoelhado em um banheiro para limpar uma privada; pelo contrário: você paga uma escrava para limpar... Eu queria lhe dizer: houve debate, inclusive, com representantes das duas Coreias. Houve lançamento de livro sobre esse tema. Você está totalmente equivocado, a homenagem foi e é, principalmente, pela paz mundial, pelo entendimento entre as duas Coreias, e pela não nuclearização armamentista no mundo. Era isso aí.
Você pegou uma pauta, para querer bater no PSOL. Não é do PSOL; é do mandato do Vereador Leonel Brizola! É do meu mandato! Não é do PSOL! O PSOL pode vir aqui falar. Se o PSOL tem medo da imprensa, o problema é do PSOL, que se deixa pautar pela mídia burguesa. Pelo contrário, no momento em que estão vendendo a água do povo brasileiro; em que o seu partido está promovendo a venda daquilo que é uma questão de dignidade humana, nesse momento, nesse calor – essa homenagem foi praticamente há 20 dias. O senhor está extremamente atrasado –, eu não entendo por que essa pauta agora, no momento em que está avançando, e avançou, no Congresso, a privatização da água. Talvez seja uma cortina de fumaça para que a gente não discuta uma coisa que vai impactar, de fato, a nossa cidade.

O SR. TARCÍSIO MOTTA – Pela ordem, senhor Presidente.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Pela ordem, o Vereador Tarcísio Motta, que dispõe de três minutos.

O SR. TARCÍSIO MOTTA – Senhor Presidente, senhores vereadores, peço desculpas, também, por atrasar um pouquinho o andamento da Ordem do Dia.
Eu queria me dirigir ao Vereador Leandro Lyra, para dizer que ele está tentando colocar duas coisas como equivalentes, quando não são.
O que li aqui, ontem, não era um posicionamento do PSOL, mas da família do Pedro Ernesto. Ele que aceite isso, ou explique outra coisa.
Especificamente sobre a questão da moção conferida pelo Vereador Leonel Brizola, eu gostaria de ler uma nota que o meu mandato está publicando nas redes sociais – já deve ter publicado, ou está publicando nos próximos minutos.
Gostaria da atenção do Vereador Leandro Lyra, porque, às vezes, ele gosta de ser desonesto, mesmo depois de ser esclarecido, como ontem, no caso da votação do sistema. Então, depois disso, vamos ver se ele mantém a honestidade, pelo menos.
“Diante do debate instaurado a partir da Moção de Louvor e Reconhecimento feita pelo mandato do vereador Leonel Brizola Neto à República Popular e Democrática da Coreia e a seu governante Kim Jong-Un, colocamos nosso posicionamento:
a) As moções da Câmara Municipal do Rio de Janeiro são iniciativas individuais de cada mandato, podendo ou não serem compartilhadas por outros vereadores. Assim, não são levadas à Plenário e, portanto, são responsabilidade exclusiva de quem as assina.

b) O Vereador Leonel Brizola exerce um mandato combativo na Câmara dos Vereadores e tem o direito de apresentar as moções que considerar importantes, desde que não estejam em desacordo com os limites programáticos estabelecidos nas instâncias decisórias do próprio partido. Tais homenagens não passaram por discussões coletivas e prévias na Bancada ou em qualquer outro fórum de decisão do PSOL. Contudo, podem e devem estar submetidas à crítica política dentro dos mesmos limites programáticos.

c) Nesse sentido, nosso mandato discorda abertamente da homenagem feita ao regime hoje existente na Coreia do Norte. Mesmo que procurando identificar a homenagem aos esforços feitos por aquele regime para a construção da paz entre as duas Coreias, não consideramos correta a vinculação do nosso partido a um regime burocratizado, personalista e autoritário como o de Kim Jong-Un.

d) Nosso mandato entende que o Partido Socialismo e Liberdade nasceu e deve se manter vinculado a uma tradição da esquerda que sempre se pautou pela crítica aos regimes burocratizados e autoritários que, infelizmente, desvirtuaram os ideais de emancipação humana plena contidos nos mais básicos princípios socialistas.

e) Nesse sentido, nossa solidariedade internacional deve ser sempre manifestada em relação aos trabalhadores das diversas nações, independente de seus governos ou regimes. Nesta direção, governos que submetem os trabalhadores de seus territórios ao cerceamento da liberdade e da divergência política não merecem nosso louvor e muito menos nosso reconhecimento.”

Esse é o posicionamento do nosso mandato; não da bancada; nem do partido. Mas, como fui citado, estou, aqui, externando. Espero que o Vereador Leandro Lyra seja, pelo menos, honesto, a partir de agora, nas suas posições e nos seus pronunciamentos.
Obrigado.