SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. PAULO PINHEIRO – Boa tarde, Presidente e vereadores, boa tarde a todos que estão nos ouvindo, boa tarde àqueles que estão nos assistindo pelas redes sociais, e um abraço aos vereadores aqui presentes.

Eu queria falar, rapidamente, sobre essa confusão enorme que aconteceu ontem, quando a Secretaria de Saúde do município resolveu fazer uma troca em relação às informações que estava dando anteriormente, e que estavam até funcionando muito bem, as informações a respeito da mortalidade por Covid-19 aqui no Rio de Janeiro.

A Secretaria de Saúde informou que retirou do ar, do quadro, do painel que ela apresentava, o número de óbitos e resolveu – numa atitude que parece ter sido infeliz e reconhecida, até porque voltou atrás –, tentou colocar a discussão sobre a mortalidade apenas com o levantamento feito nos cemitérios. Houve uma grande gritaria...

Acho que a Prefeitura errou – tanto errou, que voltou atrás nesse assunto…
O que peço, o que todos nós pedimos, através da opinião pública em geral, da imprensa, dos cientistas e até daqueles que estão lá colaborando com o Prefeito, é que fosse revisto esse quadro. Foi revisto hoje! Para vocês terem uma noção da divergência dos números, que não poderiam ficar dessa maneira, porque parece... Não estamos querendo afirmar isso, mas parece que essa medida ajudaria a desaparecer um determinado número de óbitos.
Vocês vejam o último dado do painel de ontem à noite ainda; o painel passou a mostrar dois dados de mortalidade no Rio de Janeiro. Dia de ontem, o painel fala: óbitos na estatística do Ministério da Saúde da Secretaria Estadual de Saúde para o Rio de Janeiro – 4.075 óbitos, esse era o número dado lá no Ministério da Saúde. 4.075 óbitos! São 3.135 óbitos confirmados e 940 óbitos suspeitos, ou seja, são pessoas que morreram e em cujo atestado de óbito não tinha o diagnóstico coronavírus, porque não tinham feito os exames, e isso terá que ser confirmado a seguir. Mas não muda para as estatísticas que são necessárias às avaliações que são feitas.
Quando a Secretaria colocou também a outra medida que resolveu fazer, que são óbitos de cemitério, sepultamento, o número muda. Aí, ao invés de 3.135 óbitos confirmados, são 1.855 óbitos confirmados. Por quê? Porque ela abaixo coloca que tem 2.299 óbitos suspeitos. Ou seja, esses 2.299 óbitos suspeitos não entrariam na mortalidade da Covid-19 de ontem à noite se esse fosse o argumento, se essa fosse a estatística utilizada, o que é muito grave, o que pode dar uma sensação, inclusive, de que a mortalidade está caindo, o que não é verdade. Não é verdade: a mortalidade não está caindo!
Então, vejam que é muito importante que a gente tenha o contato para determinar as informações. Existe um clima de grande preocupação, e queria aqui deixar bem claro: não quero participar da discussão acirrada de muitos grupos do Governo, muitos grupos do Governo Federal, que tentam levar a discussão técnica para a discussão dos desejos de cada um deles.
Portanto, o que peço, Presidente, é que o senhor marque com a maior brevidade possível a reunião dos vereadores com essa comissão com que a Prefeitura tem se reunido para discutir os problemas do coronavírus; que essa reunião seja marcada o mais rápido possível, para ouvirmos deles exatamente isso. Não temos... Há uma sensação – e o Prefeito disse na live que fez até com o senhor – de que já conseguimos segurar a pandemia. Não é verdade!
Existem informações superficiais ainda de que diminuiu a demanda, a força de demanda, na porta da atenção primária ou na porta de algumas UPAs; mas, ainda assim, hoje a cidade tem 567 pessoas internadas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 200 precisando de uma vaga. A cidade tem hoje ainda 500 e poucos leitos de UTI fechados, porque não tem pessoal e não tem material para trabalhar – não é só o respirador: não tem medicamentos e insumos para poder botar todos eles. Na Prefeitura, o hospital da Prefeitura…
Já ouvi o gongo do Chacrinha!

O SR. DR. JAIRINHO – Posso fazer um aparte?

O SR. PAULO PINHEIRO – Pode fazer um aparte, Presidente?

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Não, o seu tempo está esgotado, Vereador Paulo Pinheiro.

O SR. PAULO PINHEIRO – Então, deixa eu encerrar. Espero depois, conversamos depois, Vereador Dr. Jairinho.
Então, o que está acontecendo? Precisamos das coisas… A curva não está diminuindo.

O SR. DR. JAIRINHO – Tá bom! Vou corroborar.

O SR. PAULO PINHEIRO – A curva continua crescendo, existem necessidades, muitas pessoas precisam de leito de CTI, tanto da Prefeitura... E o Governo do Estado é uma tragédia. A abertura, hoje, uma vergonha! Abrir um hospital com 10 leitos em São Gonçalo é uma vergonha. Aqui, no Rio, o Hospital do Parque dos Atletas e o Hospital do Maracanã não têm a capacidade necessária, não têm o pessoal preparado para isso, não têm medicamento e não têm ainda os respiradores necessários. É uma tragédia. O novo Secretário de Saúde que entrou aí, era melhor ter ficado lá no Gaffrée do que ter saído de lá, porque é muito ruim a situação no Rio em relação aos leitos.
Então, o que dá segurança para termos uma flexibilização, abertura, é exatamente termos alguma queda real na curva e, mais do que isso, termos a capacidade... Porque isso pode, no momento de diagnosticar que estamos melhorando: “Foi por causa do isolamento social, claro”. Temos duas coisas: isolamento social e o tempo para poder preencher o número de leitos. Não abrimos leitos necessários.
Então, Presidente, queria reforçar – deixei isso para encerrar – o pedido da reunião para ouvirmos os técnicos. Vamos ouvir dos técnicos o que eles podem nos dizer sobre flexibilização, abertura de determinadas áreas da cidade e a segurança de que estamos prontos para ter esse tipo de conduta na Prefeitura do Rio de Janeiro.
Muito obrigado.
Vereador Dr. Jairinho, depois te ouço e lhe respondo, se tiver alguma coisa para responder. Obrigado.