SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. LEONEL BRIZOLA – Bom, obrigado. Boa tarde a todos.
Um dos principais assuntos da semana é a suposta contaminação do Presidente da República pelo coronavírus. Digo “suposta”, pois, por obra e graça do próprio Jair Messias Bolsonaro, a esmagadora maioria da população não acredita na palavra do Chefe do Poder Executivo Brasileiro.
Esse descrédito é fruto de um governo que trabalha sistematicamente com a desinformação. O Facebook acaba de derrubar uma rede de 88 páginas de grupos bolsonaristas. Do Facebook, foram retiradas 35 contas, 14 páginas e um grupo. E, no Instagram, 38 contas.
Essas 88 contas, tanto no Facebook como no Instagram, somadas, tinham cerca de 1.800.000 pessoas. E esses perfis tinham ligações com o gabinete do Presidente da República e seus aliados, alguns deputados federais, partindo de dentro do Palácio do Governo.
Ou seja, o Facebook removeu esses conteúdos porque enganavam o público e omitiam as identidades de seus administradores, ou seja, utilizavam recursos públicos para praticar crimes. E atuavam desde 2018. Quem analisou essas contas foi um laboratório norte-americano especializado no combate à desinformação, de fake news e violações dos direitos humanos nas redes sociais. É lamentável, inacreditável, vergonhoso. Para não fugir ao modo Bolsonaro de ser, o Bolsonaro protagonizou mais uma pantomima. Apareceu em um vídeo como garoto propaganda da cloroquina, medicamento este que a própria Organização Mundial da Saúde (OMS), definitivamente, concluiu que não cura Covid-19, assim como órgãos sanitários dos Estados Unidos.
Quero aproveitar o ensejo para a gente fazer um pequeno histórico do Bolsonaro, o que ele falou desde o início da pandemia. Vamos a esse show de horror. Em março, quando os primeiros casos de contaminação e morte eram contabilizados, o Presidente, negando a pandemia no mundo e contrariando o isolamento social implantado por prefeitos e governadores, fez a seguinte afirmação: “Com o desemprego aí acontecendo, a catástrofe será maior”. Mais ainda: “O número de pessoas que morreram de H1N1 ano passado foi da ordem de 800 pessoas. A previsão é não chegar a esta quantidade de óbitos no tocante ao coronavírus, está ok?” Quatro meses se passaram e o número de óbitos já chega praticamente a 70 mil mortos.
Quem aqui não se lembra das suas respostas aos jornalistas que o indagavam sobre o número de mortes: “E daí? O que eu posso fazer? Não sou coveiro. Todo mundo vai morrer mesmo”. Em relação ao Auxílio Emergencial, o Governo Federal queria dar R$ 200,00. Se não fosse o Congresso, sob liderança do Rodrigo Maia, teria recebido R$ 200,00. E isso porque a totalidade das pessoas não recebeu, que mais precisam. Ou seja, Bolsonaro prometeu disponibilizar leitos para os estados e municípios. Apenas 15% do total prometido, efetivamente, se concretizou. Dos R$ 40 bilhões disponíveis no Ministério da Saúde para o combate à Covid-19, só R$ 12 bilhões foram usados. Também nesse período todo, dois Ministros da Saúde saíram, porque o Presidente não concordava com o trabalho deles. E qual era a insatisfação do Presidente? É que os ministros estavam seguindo a ciência. Por fim, nomeou um general cuja especialidade é logística, ou seja, estamos sem Ministro da Saúde. O único país no mundo. É impressionante. O próprio Bolsonaro segue com o negacionismo e ao mesmo tempo insiste para que os médicos passem a receitar cloroquina, inclusive para as grávidas, para as crianças. Ou seja, vai ser a nossa nova talidomida? Aliás, o Presidente gosta tanto da cloroquina que o país hoje dispõe de um estoque para 18 anos de consumo.
Como se não bastasse isso tudo, recentemente vetou o uso de máscaras em igrejas, escolas, comércio e no presídio. O mais recente ato desse filme de terror é que o Presidente Bolsonaro vetou alguns pontos de projeto que obrigava o Poder Público a desenvolver ações no combate ao coronavírus entre os povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Ele vetou a parte que garantiu acesso universal à água potável, material de higiene, limpeza. Este é o Presidente. Este é o Presidente que temos.
A vida é feita de escolha. Bolsonaro escolheu se aliar ao coronavírus em vez de se aliar ao povo brasileiro. Só que ele faz seguidores. Hoje, no Rio de Janeiro, o coronavírus tem como maior aliado o Prefeito Marcelo Crivella. É bom lembrar – para concluir, Senhor Presidente – o fato: toda escolha, Senhor Presidente e Senhor Prefeito, traz uma consequência. Ainda vamos ver Bolsonaro e seus aliados, esses poodles que andam aí batendo palma para tudo que o Bolsonaro faz, serem julgados por terem sido tão irresponsáveis com a vida de milhões e milhões de brasileiros.
É isso, Senhor Presidente, senhoras e senhores vereadores.