ORDEM DO DIA
Pela Ordem


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Data da Sessão:08/20/2019Hora:05:03 PM
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Texto da Ordem do Dia

O SR. MARCELINO D’ALMEIDA – Senhor Presidente, está presente o vereador Reimont? O vereador Reimont está no Plenário?
É porque eu fiquei confuso com o discurso do nobre vereador Reimont. Queria saber qual a posição dele, porque ele falou de tudo, de Deus. Queria saber dele qual era a posição nesse episódio que houve na ponte Rio-Niterói, se ele era a favor ou contra? Queria que ele respondesse aqui em Plenário. Não estou vendo nosso Vereador Reimont, ele saiu do Plenário.
Vereador Reimont, eu queria saber do senhor, desse episódio que houve na ponte Rio-Niterói, tendo lá 37 vítimas, e tal, e teve uma ação da polícia que foi para salvar a vida daquelas pessoas. Eu queria saber se o senhor foi contra a atitude da polícia, ou a favor? O senhor podia explicar para mim?
Não fale em Deus não, depois a gente fala em Deus, mas primeiro saber se o senhor foi contra ou a favor da atitude dos policiais. O senhor podia responder ou não? Aí fica a critério do senhor. Não, eu gostaria que o senhor respondesse no microfone.
O senhor não vai responder no microfone?
Não, eu fiz a pergunta ao nobre vereador Reimont. Ele vai responder?

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Nobre vereador, Vossa Excelência concluiu a questão de ordem?

O SR. MARCELINO D’ALMEIDA – Não, eu fiz a pergunta...

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Mas ele não pode responder a Vossa Excelência em aparte, em questão de ordem. O regimento proíbe.

O SR. MARCELINO D’ALMEIDA – Ele não quer responder?

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Não, vereador. Ele não pode responder, porque eu não posso dar a palavra para ele agora, para ter pingue-pongue. Assim não pode. Vossa Excelência conclui e ele, desejando, responderá a Vossa Excelência.

O SR. MARCELINO D’ALMEIDA – Então eu quero saber se ele realmente foi a favor ou contra.

O SR. REIMONT – Pela ordem, Senhor Presidente.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Pela ordem, o nobre Vereador Reimont, que dispõe de três minutos.

O SR. REIMONT – Vou aproveitar a indagação do Vereador Marcelino D’Almeida e meu gabinete, Senhor Presidente. Veio aqui embaixo parte do gabinete e disse que entendeu perfeitamente a minha fala. Mas que certamente algumas pessoas não compreenderam.
E se houve alguma incompreensão da minha fala, se alguém se sentiu ofendido, em nome do meu gabinete estou pedindo desculpas. Mas, eu vou responder o seguinte ao Marcelino: Marcelino, nesse pedido que você me faz, é muito simples. Você pega a transcrição do Diário Oficial que vai sair e aí, você é um cara inteligente, você vai entender o meu posicionamento.
Eu não falei de acusação ou de defesa a policiais. Eu falei exclusivamente sobre a comemoração que o Governador Witzel fez. E não se comemora morte. Foi essa a minha colocação aqui hoje.
Conversei com a Vereadora Teresa Bergher ao pé do ouvido. Disse a ela que algumas questões que ela levantou, eu também não tinha dito. Como, por exemplo, a questão de separar a divindade judaica da divindade cristã, porque a raiz religiosa é a mesma. O cristianismo provém do judaísmo. Eu citei um mandamento da Torá, das Tábuas da Lei, que é o quinto mandamento, que é do judaísmo e também do cristianismo, que é “não matarás”.
Perguntei se esse mandamento estava abolido. E depois citei o mandamento do cristianismo que, após a ceia, Jesus faz com os discípulos: “Amai-vos uns aos outros”.
Então, eu conversei com a Vereadora Teresa Bergher. Disse que me dirigi ao Vereador Arar como judeu, como alguém se dirige a mim como cristão. Mas não fiz nenhum juízo de valor. E citei o processo da Segunda Guerra Mundial como algo que deve ser vigiado.
Todos nós sabemos que, na Alemanha hoje, como na Polônia hoje, é obrigatório no ensino fundamental, no inicio da educação, que todas as crianças conheçam os campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, para que eles lutem para que nunca mais aconteça.
Então, quando eu fiz essa memória, era para dizer o seguinte: nós temos que tomar cuidado com algumas ações que a gente está vendo - às vezes muito inofensivas- e que essas ações, também na época do governo nazista de Hitler na década de 30 do século passado, eram questões aparentemente pequenas.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Vereador, rogo concluir.

O SR. REIMONT – Só que elas foram crescendo, crescendo e crescendo, e tomaram dimensão da maior tragédia da humanidade, que é o holocausto, essa que levou a morte a mais de 12 milhões de pessoas - dentre elas, 6 milhões de cristãos.
Se alguém se sentiu ofendido com essa minha fala e quiser conversar comigo ou quiser também que as desculpas sejam públicas, aqui elas estão sendo pedidas. Peço desculpas se por um acaso ofendi alguém. Não tive essa intenção, apenas como homem que quer viajar para que as tragédias não se repitam, eu falei que não se comemora a morte, assim como vi hoje o Governador Witzel comemorar a morte de alguém que foi abatido pela policia militar... sem fazer juízo se a policia deveria ou não tirar a vida daquele rapaz.

O SR. FERNANDO WILLIAM – Pela ordem, Senhor Presidente.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Pela ordem, o nobre Vereador Fernando William, que dispõe de três minutos.

O SR. FERNANDO WILLIAM – Bom, em primeiro lugar, é importante que seja dito que temas dessa natureza deveriam ser tratados no expediente, ou seja, de 14 horas às 16 horas, porque ai a gente tem tempo de ir devagar e aprofundar a discussão. A gente insiste em tratar de temas específicos no momento em que não cabe. A questão de ordem deve dizer respeito à matéria que se encontra na Ordem do Dia, e não é o que tem acontecido.
Já que fizeram comentário a esse respeito, eu vou retornar à fala que fiz aqui como primeiro orador do Grande Expediente. Primeiro, eu acompanhei durante um bom tempo aquele episódio que foi divulgado amplamente pelos meios de comunicação. Quero dizer que entendi que não só a Polícia Militar, como também a Polícia Rodoviária Federal, os órgãos de segurança agiram de forma profissional, agiram de forma técnica, agiram como normalmente deveria agir o sistema policial numa situação como aquela. Houve a tentativa de convencimento, de persuasão. Havia uma ameaça real, porque havia vários coquetéis molotov pendurados, e qualquer atitude de uma pessoa, mesmo que fora de si, mesmo que agindo num surto psicótico, se ele tomasse a iniciativa de acender um fósforo que fosse, poderia explodir o ônibus e afetar a vida de várias pessoas.
Agora, o que eu entendi da fala do Vereador Reimont, e é preciso que isso seja destacado mesmo, e a fala da Vereadora Teresa Bergher vai no mesmo sentido, eu assisti, ao final de toda a operação, chegar o helicóptero com o Governador, e ele dava pulos como se tivesse comemorando o gol do time dele.
Com toda a sinceridade, parecia ser uma pessoa que surtou – a gente não sabe os motivos e tal –, mas, mesmo que não fosse, mesmo que fosse um bandido, um terrorista, uma pessoa mal intencionada, eu aprendi, e acho fundamental numa Casa como esta, que a gente deve tentar respeitar sempre que possível a vida, valorizar a vida. O Governador poderia, perfeitamente, chegar ali de forma equilibrada, serena, cumprimentar os policiais e a todos aqueles que agiram no sentido de preservar a vida de várias pessoas, mas gritar, pular, comemorar como se tivesse feito um gol numa partida de futebol? Aquilo mostra o seu caráter, aquilo mostra quem é que está por trás daquela figura que tem ambições políticas maiores e que quer fazer de um episódio que poderia se transformar numa tragédia – e que acabou sendo uma tragédia, ainda que para aquele cidadão que morreu e para a família dele – em algo que fosse espetaculoso.
Isso precisa deixar de existir, nós precisamos exigir que as nossas autoridades nos níveis municipal, estadual e federal ajam com equilíbrio e moderação, que possamos elogiar a conduta daqueles que agiram corretamente da forma que eles merecem, cumprimentar, mais ou menos, com maior ou menor intensidade, mas com sensatez. O que eu vi o Governador fazer, sinceramente, foi vergonhoso. Vergonhoso! E, às vezes, o Governador, que ao meu ver é um destemperado, não percebe que aquele tipo de atitude incentiva outras atitudes que, muitas vezes, desequilibram a ação equilibrada que, nesse caso, aconteceu da polícia, e gera como se fosse um incentivo a práticas de abate, que acho que nenhum de nós aqui gostaria que acontecesse.
Essas coisas, muitas vezes, quando ocorrem com os outros, nós aplaudimos, mas eventualmente podem ocorrer ainda que com um parente nosso distante, e nós, ainda que entendendo a situação e parabenizando o conjunto da ação, não gostaríamos que ninguém comemorasse do jeito que o Governador comemorou.