SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. PAULO PINHEIRO – Boa tarde, Presidente. Boa tarde a todos que estão nos ouvindo. É um prazer vê-lo bem, Presidente. Firme aí no isolamento, não é? Nós precisamos estar firmes no isolamento.
Esse espaço é para conversarmos sobre tudo que está acontecendo, para não usarmos o momento da votação e falarmos agora sobre as coisas que estão acontecendo e qual é a nossa interpretação.
Primeiro, eu quero falar sobre a crise, sobre a crise atual que está acontecendo. A situação é cada vez mais grave. O número de casos aumenta claramente, proporcionalmente à falta de isolamento e à falta de pensamento coletivo nesse momento. É a falta de isolamento, às vezes das pessoas que não podem fazer o isolamento porque têm que ganhar a vida. O governo não consegue entregar o seu colchão de proteção econômica. O sujeito que precisa receber os R$ 600 do Governo Federal acaba indo se contaminar em filas na porta da Caixa Econômica.
E aí é o retrato nacional. Se o próprio Presidente da República, o mundo inteiro falando em isolamento, e o Presidente da República leva sua própria filha para o meio da multidão. Isso realmente confunde qualquer país, confunde qualquer… É uma situação grave. O Ministro da Saúde não toma atitude alguma. Parece que tiraram o Ministro da Saúde do final da terra plana, botaram ele no meio da terra redonda, o largaram não sabe se anda para frente ou se anda para trás. É uma catástrofe a atuação do novo Ministro da Saúde. Ministro da Saúde que pelo menos aqui, no Rio de Janeiro, devia pensar na grave situação dos hospitais federais aqui no Rio de Janeiro.
São 1.000 leitos, companheiros que estão ouvindo aqui. Nós estamos vendo as matérias que foram feitas. Sobre a questão dos leitos na área municipal, eu acho que precisa de uma explicação maior da Secretária. Eu sei que o problema de pessoal é grande, mas, antes de se discutir os problemas dos leitos municipais, leitos estaduais, nós precisamos resolver o problema do Ministério da Saúde. São 1.000 leitos do Hospital de Bonsucesso, Hospital da Lagoa, Hospital de Ipanema, Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, Hospital do Andaraí, os institutos, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO). Vimos imagens do INTO com enfermarias fechadas, com leitos e com respiradores parados. Isso é um crime.
O Ministério da Saúde no Rio de Janeiro não se coloca, simplesmente fechou, diz que liberou leitos no Hospital de Bonsucesso, mas quer que a Prefeitura contrate as pessoas para trabalhar no hospital. É preciso que a gente entenda que isso é um crime que está sendo cometido pelo Ministério da Saúde aqui no Rio de Janeiro.

O SR. DR. JORGE MANAIA – O senhor me permite um aparte, Vereador Paulo Pinheiro?

O SR. PAULO PINHEIRO – Pois não, Vereador, com todo prazer. Boa tarde para o senhor.

O SR. DR. JORGE MANAIA – Boa tarde para o senhor também. Justamente por causa disso, eu dei entrada ontem numa representação no Ministério Público Federal contra os hospitais federais do Rio de Janeiro, que não estão cumprindo o acordado com o Município. Foi protocolado também, porque agora tudo é burocrático, é protocolado online, e assim o fiz. Estou aguardando agora a resposta do Ministério Público Federal.
Depois eu vou colocar lá no nosso grupo a ação que eu dei entrada lá, para que vocês tenham ciência, que realmente o que o senhor está falando aí é totalmente certo. Tem toda razão no que está falando.

O SR. PAULO PINHEIRO – Exato. Da mesma maneira... Boa tarde, Prefeito Cesar Maia, que está aparecendo aqui no meu vídeo.

O SR. CESAR MAIA – Boa tarde.

O SR. PAULO PINHEIRO – Da mesma maneira, nós precisamos conversar um pouco... Eu já conversei até com a Secretária sobre essa questão dos leitos. Os leitos no Souza Aguiar, no próprio Hospital de Acari, precisando... Eu sei que há um problema enorme. Eu sei que houve necessidade de tirar alguns respiradores que estavam em Acari para botar lá no hospital de campanha, mas é um problema que não é de agora. As críticas que fazíamos à Saúde municipal antes eram isso. Esses setores do Souza Aguiar estão fechados há mais de um ano. A unidade coronariana entrou em obra há um ano. É preciso – eu sei que é um momento difícil – que a gente faça essa cobrança. Nós, antes de abrir outros leitos, precisamos reabrir os leitos da Prefeitura também, que são os que precisam de recursos humanos.
Hoje, a Prefeitura tomou uma atitude interessante que é transferir profissionais que estavam com carga horária reduzida, nas unidades municipais, para o hospital de campanha. Só peço que a Prefeitura – e eu tenho recebido algumas reclamações; não é denúncia, é reclamação – tome o cuidado para não obrigar profissionais, médicos – a reclamação que eu tenho é de médicos – com comorbidade e também acima dos 60 anos de serem obrigados a ir à linha de frente. Podemos preservar inicialmente aqueles profissionais que estão com menos risco de se contaminarem com o coronavírus. É preciso que a Prefeitura tenha esse cuidado.
Ainda em relação à Prefeitura, e também queria falar isso para que nós da Comissão de Saúde também possamos ajudar em alguma coisa, a questão do projeto do Vereador Prof. Célio Lupparelli – que eu sei que ele já tem o projeto aprovado ­– é muito importante que a Prefeitura resolva esse problema. Eu vou contar um caso rápido, senão eu perco o meu tempo, um caso muito rápido, que aconteceu esta semana.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Seu tempo está esgotado, Paulo.

O SR. PAULO PINHEIRO – Está esgotado? Só terminar esse caso, que é para pedir que a gente vote o projeto do Prof. Célio Lupparelli. Uma mulher grávida que tinha pré-eclâmpsia foi para a Maternidade Maria Amélia, que fica perto do Souza Aguiar, teve seu neném no dia 23 ou 24 de abril. O neném nasceu e ela, no pós-parto, começou a apresentar os sintomas da Covid-19. Foi transferida, já com a necessidade de intubação – veja que o quadro piora em horas – para o Hospital Municipal Evandro Freire, na Ilha do Governador. A partir daí, desde o dia 25 de abril, a família não consegue informações.
Aí, você imagina o que é uma família que chega à porta do hospital e não tem acesso, parece uma praça de guerra. Não consegue informações.
Eu até procurei a secretária, mostrando a ela que o pedido não era somente este. Várias pessoas estão com este pedido. Como é que ela pode agilizar? Eu sei que ela tomou as providências, mas as providências não estão funcionando para a informação dos pacientes. Ela, então, conseguiu a informação deste caso, por exemplo.
Para vocês verem qual é a situação: a paciente era tão grave – nesse momento, a família não sabia de nada disso, só soube por meio dessa informação “arrancada a ferro” – que teve uma parada cardíaca. Provavelmente, tem uma lesão cerebral, está prestes a morrer.
Do lado de fora, uma pessoa que entra grávida – gravidez não é doença – tem o seu filho, e acaba ficando doente dessa maneira.
É preciso, imediatamente, agilizar essas informações – este projeto é muito útil – sem esquecer a dificuldade que os profissionais continuam tendo com a falta de equipamentos de proteção. É preciso que a gente agilize isso, de qualquer maneira.
Obrigado, Senhor Presidente.