SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. REIMONT – Senhor Presidente, senhoras vereadoras, senhores vereadores, quero também cumprimentar todos os trabalhadores da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, notadamente, quero cumprimentar hoje os trabalhadores da Rio TV Câmara, mas quero cumprimentar a todas e todos os trabalhadores da Câmara Municipal que têm, de certa forma, levado esse trabalho remoto a muito bom termo; levando as informações, os debates, as conversas, as aprovações de legislações e as discussões aqui da Câmara Municipal para os cariocas e as cariocas.
Senhor Presidente, eu queria também fazer uma fala muito similar à do Vereador Renato Cinco, tocando em dois pontos.
Um dos pontos é a questão dos entregadores. Hoje, o Vereador Leonel Brizola e os outros vereadores apresentaram um projeto, na verdade, a iniciativa é do Vereador Leonel Brizola, que tem uma luta incansável, nesse sentido, na questão dos aplicativos, da Uber, etc., que teve meu apoiamento lá, Vereador Leonel Brizola; apoiei o seu projeto de lei, que é importantíssimo.
Outro dia, conversando com um grupo de entregadores, de mototaxistas, motoboys, eles disseram “Nós recebemos, por cada entrega, R$ 3,40”. E independe, porque, antigamente, disseram eles que tinham as áreas. Quem sai da área 1 e entrega também na área 1 recebe X. Quem sai da área 1 e entrega na área 2... por exemplo, a área 1 é Copacabana, Zona Sul. Quem sai do Flamengo e entrega em Botafogo recebe X. Agora, quem sai da área 1 e vai para a área 2 – sai de Botafogo e vai, por exemplo, para o Centro da cidade – recebe X com um pequeno plus. E assim vai. Acabaram com isso. São R$ 3,40, por exemplo, se o entregador sai do Centro da cidade e vai entregar lá no Alto da Boavista.
Então, esse processo é um processo que a gente tem apelidado de “uberização”, que é um projeto de desmonte dos direitos trabalhistas. Aliás, isso veio na apeia da Reforma Trabalhista, que nasce com o golpe de 2016, em que apearam a Presidenta Dilma da Presidência da República e, depois, foram dilapidando os direitos do povo brasileiro – notadamente, os direitos trabalhistas. Temos que lutar contra isso. Temos responsabilidades como homens públicos em relação a isso.
O segundo ponto é que eu queria falar sobre um movimento histórico dos professores na Cidade do Rio de Janeiro. Nós tivemos uma audiência pública da Comissão de Educação da Câmara Municipal, que teve cerca de 9.000 pessoas acompanhando pelo YouTube, pelas redes sociais, fora as transmissões da Rio TV Câmara – que agora está em canal aberto. Fora essas transmissões, 9.000 pessoas acompanharam simultaneamente o debate da Educação. A Prefeitura sai daquela reunião dizendo que, de fato, não havia data para fazer o retorno às aulas e, logo depois, o Prefeito Marcelo Crivella anuncia um retorno às aulas para meio de julho, para as escolas particulares, e para início de agosto para as escolas públicas, dizendo que as escolas públicas ficarão fechadas até o dia 2 de agosto.
Pois bem, esse movimento foi crescente e tem crescido – e crescido muito – a resistência que, na verdade, é uma resistência em favor da vida. No último sábado, teve uma assembleia histórica dos professores do Rio de Janeiro. Eram quase 600 pessoas dentro do aplicativo Zoom, fazendo o debate sobre se é ou não agora o momento de as escolas reabrirem e de as crianças voltarem para as suas unidades escolares; de os professores, os outros profissionais de educação como merendeiras, agentes de educação infantil, secretários escolares, porteiros e outras categorias dos trabalhadores da educação voltarem para as suas escolas.
Nós sabemos o que isso significa, a partir do momento em que volta, colocar para circulação, na Cidade do Rio de Janeiro, cerca de 1 milhão de pessoas. Porque se temos 640 mil alunos estudantes, temos mais 40 mil trabalhadores da Educação, professores, outros 30 mil trabalhadores de outras esferas da educação e os pais, que muitos acompanham os seus filhos, nós colocamos 1 milhão de pessoas para circular nas ruas. No momento em que a gente não tem, ainda, uma queda significativa, não tem uma desocupação de leitos, como deveríamos ter.
Aí, nesse sábado, a assembleia do Sinpro decidiu fazer uma greve pela vida. Greve pela vida para dizer assim: “Nós não queremos entrar em greve. Mas, se preciso for, entraremos. Porque nós não admitiremos voltar para as escolas. Não admitiremos colocar em risco a vida de nossas crianças, a vida de nossos profissionais, a vida dos familiares de nossas crianças”. Nesse sentido, Senhor Presidente, senhoras vereadoras, senhores vereadores e todos os que nos acompanham: o nosso mandato esteve presente o tempo todo na assembleia do Sinpro, na qual aconteceu essa plenária, essa assembleia maravilhosa, com uma participação intensa, com muito debate, com muita discussão, com o microfone aberto para muita gente que falou.
Foi uma assembleia muito democrática, em que 91% dos presentes disseram que apoiavam a greve pela vida e contra o retorno às escolas, 4% votaram contra e 5% não deram a sua opinião – portanto, se abstiveram. Assim, 91% da Assembleia disse: “Greve pela vida. Não voltaremos enquanto não tivermos todas as condições necessárias para que não se contaminem as nossas crianças, os nossos profissionais de educação e as nossas famílias”. Essa é a luta da Educação, que ainda está em crescimento. Essa sim, a gente quer que ascenda, a gente quer que cresça. Ao contrário do que nós queremos com o vírus, que ele retorne para uma faixa em que possamos retomar as nossas atividades. Mas esse ainda não é o momento de retornar às escolas do Município do Rio de Janeiro.