SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. REIMONT – Senhor Presidente, senhoras vereadoras e vereadores, presentes, aqui, na nossa sala, no nosso debate, na nossa Sessão deste dia 25 de junho.
O Vereador Fernando William, com muita propriedade, lembra da importância de se respeitar os processos de construção de vida digna para os trabalhadores da cultura.
O tema que o Vereador Fernando William traz, a propósito, é um tema que tem ganhado as redes sociais. Tem ganhado, também, a imprensa escrita, a imprensa falada. E a gente tem uma preocupação. A preocupação é que, na verdade, houve um processo de captação de recursos, por algumas instituições, por alguns grupos teatrais, por alguns grupos culturais. E, esse recurso que foi captado, parece-me que, agora, há uma intenção de se fazer um outro uso, senão a destinação para àqueles que o captaram.
Esse é um debate que deve ser feito junto à Secretaria Municipal de Cultura. E, aqui na sala, nós temos os três vereadores da Comissão de Cultura: Vereadora Rosa Fernandes, Vereador Tarcísio Motta e eu. Somos três vereadores que temos trabalhado.
E, muito bom, viu, Vereador Fernando William, que você levante isto, que nos alerta.
Eu, ontem, conversei com a Gaby de Saboya, trouxe essas questões da Associação dos Produtores de Teatro (APTR) e eu disse a ela que a gente ia conversar. Eu acho que nós, da Comissão de Cultura, e aberto, claro, ao Vereador Fernando William e a todos os vereadores, nós devíamos, de fato, abrir um debate sobre isso. Compreender como é... Primeiro, assim, a Prefeitura não tem cuidado da proteção social de artistas. Nós temos a turma do audiovisual, nós temos o pessoal da arte pública, pessoal da música, e diversos segmentos do teatro, da dança, das diversas linguagens; ou melhor, de todas as linguagens.
A gente sabe que esses trabalhadores da cultura têm passado muitas dificuldades. E a Prefeitura não tem levado em consideração, levando adiante o projeto de lei aprovado nesta Casa, apresentado pelo Vereador Tarcísio Motta, e, depois, tendo coautoria de diversos vereadores, de todos nós, certamente, que estamos aqui na sala, neste momento. E a Prefeitura não tem levado em consideração.
Então eu acho que a gente devia, Vereador Tarcísio Motta e Vereadora Rosa Fernandes, conversar sobre isso. E tentar abrir, não sei se um debate público, uma Audiência Pública, uma conversa com a Secretaria de Cultura, para a gente tratar desse tema que a APTR vem levantando para nós. Esse é o primeiro ponto.

A SRA. ROSA FERNANDES – Reimont, só uma observação.

O SR. REIMONT – Rosa, eu falei o seu nome e, como eu estou com o Tarcísio aqui na telinha, eu acabei falando Tarcísio e não falei Rosa, mas eu acho que eu disse seu nome também. Pois não, meu bem.

A SRA. ROSA FERNANDES – Até porque eu e o Tarcísio somos muito parecidos. Pelo menos no gênio, não é? Porque tem gênio bom e gênio ruim.
Eu acho perfeita a sua colocação e quero te dizer mais. Eu quero fazer essa observação porque eu acho que é importante. O secretário de Cultura tem sido uma pessoa muito participativa. É claro que ele não pode fazer muita coisa porque não tem retaguarda, não tem recursos, mas eu estou muito bem impressionada com o secretário e com a atuação dele, com a disponibilidade dele de estar sempre nas nossas reuniões, ouvindo. Isso já é um grande passo. Já é um mérito que merece o nosso reconhecimento.
Era só esse parêntese que eu queria fazer, porque eu acho que é importante a gente elogiar aqueles profissionais que têm compromisso com o cargo que ocupam.
Obrigada, Reimont.

O SR. REIMONT – Eu acho que você está corretíssima, Rosa. Eu acho que, de fato, o secretário tem tido muita sensibilidade e não tem fugido dos debates, não é, Rosa? Tem dado sua presença de maneira muito magnânima.

A SRA. ROSA FERNANDES – Viu, Tarcísio, como eu também sou calma igual a você? É raro, mas acontece.

O SR. REIMONT – Só é diferente no gênio e no gênero. O resto é tudo junto.

A SRA. ROSA FERNANDES – Com exceção do Carnaval, mas tudo bem.

O SR. REIMONT – Então, eu queria dizer, Presidente, vereadoras e vereadores, outra questão em que estou não é bem dizer de alma lavada, porque não pode estar de alma lavada um parlamentar de uma cidade que tem 6.000 mortos. Nós, por mais que tenhamos coisas a comemorar, sempre, quando comemoramos, lembramos dos que sofrem, e tem 6.000 pessoas mortas nesta cidade. Quero dizer aqui, com muita clareza, que muitas dessas mortes eram mortes evitáveis. Evitáveis, se não fossem os desmandos, desde o Presidente da República até a Prefeitura do Rio de Janeiro.
Mas eu quero dizer uma coisa, Presidente, e eu sei que o meu tempo esgotou, mas eu vou tomar mais 30 segundos, se o senhor me permite. Eu queria dizer uma coisa que, de fato, me deixou muito feliz esta semana, que foi a audiência pública da Educação. Eu, ontem, fiz uma reunião com alguns professores, e a gente teve uma ideia, uma ideia que eu acho que vai pegar – viu, Tarcísio, Rosa e vereadores que aqui estão? A gente tem que dizer aos professores que, quando tem audiência pública da Educação na Câmara Municipal, normalmente, quando é presencial, a secretária leva o seu staff e não há autorização para que os professores sejam liberados para assistir às audiências públicas, o que é, de certa forma, compreensível. Embora, em alguns momentos, a secretária devesse, sim, liberar para audiência pública pelo menos uma representação do segmento de professores, de educadores e de alunos também. Mas os professores estão dizendo, e isso tem sido uma corrente, a gente lançou essa ideia e essa ideia está correndo, que quando houver audiência pública presencial na Câmara, as professoras do município vão fazer a seguinte coisa, e muitas já estão aderindo. Elas vão abrir o laptop em cima da mesa e dizer para os seus alunos: “Hoje a gente vai usar uma hora ou uma hora e meia da nossa aula para participar de um debate, de uma audiência pública que está acontecendo na Câmara, porque isso está tocando a nossa vida”. Veja o que é que nós ganhamos com essa audiência pública que teve 9.000 pessoas assistindo?
Acho que podemos, de fato, trabalhar muito. Os membros da Comissão de Educação, a quem eu reputo o maior respeito, a maior alegria de tê-los na Comissão... Eu estou falando aqui e não sei se o Vereador Prof. Célio Lupparelli e o Dr. Jorge Manaia estão aí, mas o Tarcísio eu sei que está; mas aos três, eu acho que vocês têm uma baita ferramenta na mão. Nas audiências públicas, quando elas forem presenciais, a gente tem que tentar incentivar ao máximo os professores e professoras, para que abram os seus laptops em cima da mesa, os telefones celulares, seu tablets e digam...

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Vamos encerrar.

O SR. REIMONT – Estou encerrando. E digam aos seus alunos: Hoje, a nossa aula vai constar de uma audiência pública. Por que estão falando sobre as nossas vidas, sobre a nossa formação, sobre a nossa educação na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Muito obrigado, senhor presidente. Desculpe por eu ter avançado um pouco na hora.