Discurso - Vereador Cesar Maia -

Texto do Discurso

O SR. CESAR MAIA – Senhora Presidente, senhoras e senhores vereadores. Tenho uma série de narrativas e histórias que vivi e li sobre escolas de samba, que tomaria muito tempo se comentasse aqui, mas vou apenas lembrar um fato que é a criação da Cidade do Samba. Essa foi uma questão da maior relevância, porque agrupou artesãos e costureiras em um equipamento só e deu às escolas de samba a possibilidade de homogeneizar suas fantasias e seus destaques. Aquilo foi uma ideia das escolas de samba que a Prefeitura, no meu mandato, assimilou e assumiu a responsabilidade.
Gostaria de destacar um aspecto da Cidade do Samba que é inovador: os carros alegóricos eram montados antes do desfile, na área de concentração; eram somados, agregados, montados, havia o famoso Carvalhão, que era um guindaste responsável por isso – muito caro – e a Prefeitura que pagava.
Os problemas e, inclusive, os desastres que aconteciam com pessoas que caíam desses carros era um fato costumeiro – aconteceu uma vez com o Clóvis Bornay. Com os galpões da Cidade do Samba isso terminou. Os carros passaram a ser montados, construídos, dentro da Cidade do Samba e, com isso, abriu-se espaço para que eles já saíssem prontos em direção ao desfile. Mais ainda, abriu-se espaço para que eles pudessem ter a sua dimensão muito ampliada.
O que aconteceu? Os carros passaram a ser uma ala completa, não existiria toda essa magia do Paulo Barros fora da Cidade do Samba, pois ele monta tudo isso lá. O carro como uma ala ocupando praticamente toda a avenida é outra etapa dos carros alegóricos, que não existiam, e passaram a existir enquanto uma ala das escolas de samba, pois antes eram apenas figurantes. Isso foi um avanço muito grande.
Depois de cada desfile de escola de samba, nos anos em que fui prefeito, eu me reunia no almoço com o carnavalesco vencedor e, ali, discutíamos o que tinha sido inovado, ampliado, criado e o que se poderia ser feito no ano seguinte.
Eu me lembro que veio do Joãozinho Trinta a ideia de realizar um desfile com luzes; mas a maioria das escolas não aceitou, porque isso exigiria um custo maior e iluminadores de sofisticação. Essa foi uma das experiências que eu tive nesses meus 12 anos como prefeito e acho que todos os prefeitos, secretários de turismo e presidentes da RIOTUR têm a obrigação de registrar as suas experiências.
Todavia, Senhora Presidente, não era esse o tema sobre o qual eu ia tratar. No Ex-Blog de ontem, 7 de março, eu reproduzi o editorial de O Globo do dia 5: “Colapso chavista arrasta casal de ditadores associados na Nicarágua”.
Tive ocasião de conhecer bem Caracas e, também, a Nicarágua, de ponta a ponta; e vejo o que o que aconteceu lá em função da ditadura de Ortega – que assume como democrata, pois vence uma guerra civil – e, em seguida, a jornalista Violeta Chamorro é eleita presidente. Esse processo foi se deteriorando e o Chávez passou a ter, através do financiamento que criou pela venda da subsidiária de petróleo, uma ação vertical sobre vários países, inclusive, a Nicarágua.
Diz o editorial:
“Derretimento da Venezuela de Maduro corta oxigênio de Daniel Ortega e de Rosario Murillo”, que é a esposa dele e que, na verdade, é quem tem o grande comando do governo.
“O colapso da ditadura venezuelana tem reflexos diretos na Nicarágua. Sem o fluxo de petrodólares mantido por Caracas, durante duas décadas, e cercado pelas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, o casal Daniel Ortega, presidente, e Rosario Murillo, vice, esgotou as possibilidades de continuar com seu regime despótico e comprovadamente corrupto.
As punições ao casal de ditadores foram adotadas como resposta à ferocidade da polícia e de grupos paramilitares na repressão aos protestos de civis em todo o país, nos últimos 10 meses. Contam-se mortos às centenas, presos aos milhares – muitos torturados, segundo a Igreja Católica e organizações de direitos humanos. Uma estudante brasileira foi fuzilada na capital nicaraguense. Ortega e Murillo perderam não apenas o rumo, e agora tentam uma saída negociada com a oposição, algo que vinham rechaçando.
Eles transformaram a Nicarágua, um dos países mais pobres, em estado falido. A administração opera com alto nível de corrupção. O sistema financeiro se deixou contaminar por suspeitas de lavagem de dinheiro vinculado ao narcotráfico.
Há um déficit fiscal estimado em 15% do PIB. Desapareceram os suprimentos de petróleo e de dólares chavistas. Estão bloqueadas as fontes externas de financiamento, inclusive as do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Ao governo Ortega-Murillo restou a alternativa de um apelo por socorro a Taiwan.
Conseguiram crédito de US$ 100 milhões, o que é absolutamente insuficiente para cobrir o rombo fiscal deste ano.
Até agora, a família, que administra o país como se fosse uma de suas fazendas, sustentava o poder — e o visível enriquecimento — com base na “cooperação financeira” venezuelana. Receberam um total de R$ 4,9 bilhões nos últimos 11 anos. Foi o preço pago por Hugo Chávez e seu sucessor Nicolás Maduro pelo alinhamento da Nicarágua, como coadjuvante, no jogo de influência de Caracas na América Central.
Esses recursos fluíram para os cofres da Alba (Associação Latino-Americana Bolivariana de Nicarágua S.A. – Albanisa), empresa binacional de petróleo e derivados. A fortuna do casal Ortega-Murillo se multiplicou na apropriação de parte dos lucros da revenda de óleo bruto e de combustíveis no mercado caribenho”. Compravam a preço baixo, na Venezuela, e revendiam a um preço de mercado.
“As sanções à Venezuela congelaram US$ 11 bilhões em exportações do governo Maduro. Imobilizaram a PDVSA, grande petroleira venezuelana, a filial americana Citgo e a subsidiária nicaraguense Albanisa. O castelo de cartas chavista desmorona, arrastando o casal de ditadores associados Ortega-Murillo”.
Obrigado, Senhora Presidente.