Discurso - Vereador Willian Coelho -

Texto do Discurso

O SR. WILLIAN COELHO – Senhor Presidente, senhoras e senhores vereadores, já é do conhecimento de todos o drama que está vivendo a Saúde na Cidade do Rio de Janeiro. Hoje pela manhã, eu visitei duas Clínicas da Família, na minha região, e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que também é de responsabilidade do Município do Rio de Janeiro. Como já era esperado – fomos lá para nos certificar de alguns fatos –, temos como principal problema o salário em atraso dos servidores e dos trabalhadores da Clínica da Família: médicos, agentes de saúde e outros, e isso também na UPA.
A falta de salário impacta diretamente não só na vida daquele profissional, mas também na vida da população daquela região, e vem seguida de outros problemas, como ultrassonografia e raio-x que não estão funcionando por falta de repasse, as clínicas que estão sem psiquiatra devido ao problema no atraso dos salários − apenas 50% do efetivo está trabalhando. Está começando a faltar insumos nessas clínicas, entre outros problemas que foram detectados. As duas Clínicas da Família estão lotadas e com todos esses problemas que acabei de relatar, que já são de conhecimento de todos, não é novidade para ninguém.
Há algum tempo, escutamos do Poder Executivo, Vereador Rocal, que era necessário fazer cortes na Saúde, cortes de pessoal, principalmente para que não chegássemos a esse ponto que chegamos hoje, no atraso de salários e outros problemas, que já são problemas recorrentes, e esses cortes foram feitos.
Visitando a UPA,
apenas um médico trabalhando, não tinha absolutamente ninguém na recepção. Para não dizer que não tinha ninguém, no momento em que eu estava lá tinha uma pessoa sendo atendida por um grupo de enfermeiros e, antes de eu sair, chegou mais uma pessoa. Mas a UPA estava completamente sem funcionamento, um médico atendendo só casos de emergência e – pasmem, senhores! – seis pessoas enfartadas na Sala Amarela. A ambulância da Unidade de Pronto Atendimento não tinha diesel, não tinha combustível para levar esses pacientes graves para outra unidade ou para um hospital de grande porte. Então, essa é a realidade da Saúde hoje, não só na AP-5, mas na Cidade do Rio de Janeiro toda.
Acompanhei um vídeo ontem do Prefeito, em que ele diz que até o dia 6 o pagamento de todos os funcionários seria depositado, bem como o 13º salário. Eu espero sinceramente que isso aconteça, porque é uma situação covarde o que estão fazendo com os funcionários e com os servidores da Saúde. São servidores e funcionários, Vereador Rocal, que ganham pouco mais de R$ 1.000 e não têm dinheiro da passagem para ir trabalhar, não têm dinheiro para pagar suas contas, não têm dinheiro para comer, mas estão lá. Fazem vaquinha, um empresta dinheiro para o outro, pegam emprestado para poder cumprir com o compromisso de dar atendimento digno à população, o que na maioria das vezes não é possível, diante de todos esses problemas que acabei de relatar.
Nós aprovamos aqui o Projeto de Lei nº 6.332 de 2018, do qual sou coautor, que determina que o salário do prefeito e dos secretários só poderia ser pago depois que o salário dos servidores públicos municipais estivesse em dia. Mas eu vou além, Vereador Rocal. O nosso salário, dos vereadores, dos nossos assessores, Vereador Renato Cinco, e de todos os cargos comissionados que existem no Legislativo e no Executivo estão em dia – todos! Às vezes, o nosso salário dia 30, último dia do mês, já está na conta. Nem virou o mês e já está lá.
Então, que se melhore ou se faça outro projeto de lei, mas que seja cumprido, que tenha eficácia lá fora, no sentido de que o salário dos vereadores, assessores, cargos comissionados, prefeito e secretários só possa ser depositado depois que os salários desses servidores estiverem em dia, porque essa covardia está impactando não só a vida de cada um desses servidores e funcionários, mas também o atendimento. E quando impacta o atendimento também reflete na vida da população que carece e precisa desse serviço essencial.
Já escutamos diversos discursos e desculpas. O que está faltando é definir prioridades. Eu nem fiz emendas ao orçamento, Vereador Rocal. Chega final do ano, a gente faz emenda para asfalto, para Clínicas da Família, para a Cultura... Eu não fiz nenhuma, porque entendo que todo esse recurso tem que ser utilizado em primeiro lugar na Saúde. É na Saúde que o Prefeito tem que colocar os recursos, definindo como prioridade.
Então, deixo aqui as minhas palavras. Amanhã continuarei minhas
visitas a outras Clínicas da Família, sabendo que os problemas vão se repetir, e os relatos, tanto dos funcionários, como das pessoas e dos usuários, vão ser os mesmos.
Muito obrigado.