Discurso - Vereador Marcello Siciliano -

Texto do Discurso

O SR. MARCELLO SICILIANO – Boa tarde, Senhor Presidente, senhoras e senhores vereadores, funcionários desta Casa,
Eu venho aqui fazer um breve comentário a cerca de uma entrevista que foi ao ar ontem num programa do SBT do jornalista Roberto Cabrini. Causa-me muita estranheza inicialmente, assim... a Vereadora Tânia Bastos acabou de sair daqui fazendo algumas ponderações a respeito dos veículos de comunicação e o que é sempre dito quando interagem conosco, pelo menos comigo em especial, é que eles checam a fonte, eles tentam apurar, ao máximo, os fatos, antes de publicar qualquer tipo de matéria.
Eu venho sofrendo há 10, 11 meses – talvez, agora, chegue a 11 meses – essa covardia que fizeram comigo: uma acusação leviana, falsa, sem provas, de um miliciano, réu confesso. Um policial de carreira, no exercício da sua função, que se diz vinculado à milícia que, ontem, numa entrevista de televisão – sinceramente, vou deixar de expressar meu sentimento em relação a essa notoriedade que deram a esse rapaz; eu acho que, talvez, expresse a loucura dele –, ficou bem claro que, após o seu depoimento na Polícia Federal, ele viu a enrascada em que ele se meteu. Ficou bem claro que as pessoas que o usaram para me atingir colocaram-no numa enrascada que não tem mais tamanho.
Um policial de carreira, no exercício da sua função, réu confesso da milícia, ameaçado por um rival – segundo ele. Tudo o que eu estou falando aqui é segundo veículos de comunicação em matérias já noticiadas na mídia –; ele é coagido a trabalhar com essa pessoa durante 10 anos; diz combater a milícia ao longo de sua carreira policial; de repente, chamam-no numa reunião, com pessoas fortemente armadas; induzem-no, dizendo que ele não tem outra escolha, a não ser trabalhar e ficar a serviço daquela milícia.
De repente, colocam o jornalista dentro do carro e passeia pela área de Jacarepaguá inteira, demonstrando onde é a atuação dessa milícia; dizendo, hoje, que tem medo que aconteça alguma coisa com a sua vida e que, caso aconteça, ele tem a cara de pau de me responsabilizar por isso, dizendo que eu seria um dos responsáveis.
Eu acho que a gente chegou a um ponto que já está virando motivo da chacota. Nós vimos uma crítica, mencionada nos veículos de comunicação, de que tem muita gente tentando se promover com a morte da Marielle Franco; usando até de covardia, com a imagem dela, com a história de vida que ela teve, com tudo o que ela significou dentro da política. Por mais breve que tenha sido o período de participação como vereadora, porém grande ao lado do deputado Marcelo Freixo – corrija-me se eu estiver errado, Vereador Tarcísio Motta.
Eu vejo, hoje, as pessoas aceitando qualquer tipo de pauta que trate do assunto Marielle Franco. Vejam, um miliciano bandido desse, que se juntou com uma quadrilha para criar uma falsa história para atrapalhar as investigações acerca da morte da Vereadora Marielle Franco e do Anderson Gomes, de repente, é chamado como protagonista a um programa de televisão, que o chama depois de 11 meses, depois de ele ser desmascarado; depois de a história estar lá na frente; de ter policial federal, de ter delegado da Polícia Federal, sob liminar, no meio dessa falcatrua toda; ter pessoas; ter nomes de pessoas públicas envolvidas nessa falcatrua, que elas dividem em duas etapas: uma, prejudicar Orlando Curicica, por ser inimigo de Ferreirinha; outra, prejudicar Marcello Siciliano, por ter desavenças políticas regionais. Junta tudo numa salada de frutas, e faz isso com o meu nome.
Enfim, a história está lá na frente e, de repente, pegam esse cara, esse bandido, réu confesso, e o jogam num programa de televisão, para falar mentiras e ficar vinculando o meu nome a isso.
Ontem, ele falou que ele não sabia quem era o assassino; que não tinha sequer expectativa a respeito de qualquer nome. E eu tenho matérias de jornal em que ele apontava, inclusive, Tiago Macaco, Rui. Deu nome de pessoas envolvidas. Agora, ele diz que não. Ou seja, esse cara é um mentiroso de carteirinha. Quem ele quer preservar? Ele não vai conseguir preservar ninguém, não. Primeiro porque ele não tem condição. Ele chegou numa reta que não tem mais curva. Não tem como recuar. Ele mentiu, mentiu, mentiu! E agora que a mentira está chegando à tona, ele vai falar: “Ah, eu não menti! Ah, eu menti porque quis!” Esquece! Esquece, porque isso não vai ficar por isso mesmo. Há pessoas sérias nessa investigação que não vão permitir.
E, segundo, eu vou fazer aqui algumas ponderações e algumas correções, rapidamente, porque eu também não vou ficar dando importância. Não vou fazer igual ao que o SBT fez ontem, fazer um programa desses para prestigiar quem não merece; prestigiar vagabundo; prestigiar bandido! Botar na televisão bandido para desrespeitar policiais federais, que estão fazendo um trabalho a mando da Procuradora Geral da República, a Raquel Dodge. A advogada teve a cara de pau de chamar o delegado de bandido máximo. Olha a que ponto chegou! Disse que foi coagida numa sala com seis pessoas, seis policiais federais, para dizer que ele estava mentindo na DH, que todo depoimento dele na DH foi verdadeiro. Vamos ver a consequência disso tudo.
Eu sei que comigo, Presidente, eu não vou admitir mais falácias, não vou admitir qualquer tipo de tentativa de trazer meu nome, de ressuscitar meu nome para problema que não é meu. Eu já falei aqui, anteriormente: sou o maior interessado em que se elucide logo o caso da morte da Vereadora Marielle Franco e do seu motorista Anderson Gomes. Primeiro, por justiça; segundo, porque era minha amiga; terceiro, para a família descansar; e quarto, porque eu fui envolvido covardemente nessa história! E eu preciso que meu nome saia definitivamente, e a minha família tenha paz! E a gente possa recomeçar nossas vidas!
Então, Presidente, eu venho aqui fazer a minha manifestação de repúdio a essa matéria que foi ao ar ontem. Saiu dizendo que eu fui procurado para dar direito de resposta. Ninguém me procurou para dar direito de resposta. É mentira dessa emissora. Por meio da minha assessora, perguntaram-me se eu tinha interesse de fazer uma entrevista, e eu falei que eu tinha interesse de fazer entrevista se fosse ao vivo! Porque agora eu só quero falar se for ao vivo, para que não cortem e editem qualquer tipo de colocação que eu faça, para que levem a público da maneira que as pessoas queiram. Gato escaldado tem medo de água fria.
Como ele mesmo publicou, ontem, no programa dele, um único e pequeno trecho do meu discurso, dizendo que se eu, realmente, que se essa investigação era séria e o criminoso, apontado como criminoso, estava preso e eu estava solto, é acerca daquela denúncia anônima que foi feita. E eu quis dizer que aquela denúncia anônima não era séria; e não que a investigação, talvez, não fosse séria. E ele colocou de uma forma como se eu tivesse criticando e afrontando a investigação. Não estou aqui para afrontar nada! Não estou aqui para bater de frente com ninguém, eu quero só seriedade e respeito com todos os envolvidos nisso, com esse crime bárbaro que aconteceu e com o meu nome, porque, infelizmente, eu fui jogado de forma covarde no meio dessa história.
Então, Senhor Presidente, fica aqui, mais uma vez, a minha manifestação. Não vou acusar. Os veículos de comunicação sérios já estão aí publicando as matérias. A verdade virá à tona, se Deus quiser, eu estarei livre disso tudo o mais rápido possível. Mas vai ter troco! Todo mundo que me acusou vai ser processado. Todo mundo que falou as falácias a respeito do meu nome vai ter que se responsabilizar por tudo isso que fizeram comigo.
Obrigado, Senhor Presidente.