SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. PAULO PINHEIRO – Boa tarde, Presidente, boa tarde, senhores vereadores.
Eu vou seguir, mais ou menos, a linha da Vereadora Rosa Fernandes e do Vereador Leonel Brizola, sobre essa questão da saúde. Acho importantíssimo o que o Vereador Renato Cinco acabou de falar. Essa luta que nós estamos tendo, a Câmara está tendo com projetos de vereadores, em seu grande número, na tentativa de criar um colchão de proteção para as pessoas. Porque não adianta querer convencer o cidadão a ficar em casa se ele não tem o que comer, se ele vai ficar olhando para os filhos passarem fome e gritarem por aí. É preciso entender que temos que fomentar, temos que patrocinar toda a sociedade, e o governo, com o nosso dinheiro, para que as pessoas possam deixar de contaminar os outros. O que está acontecendo é isso.
Eu vi o desespero, hoje, no WhatsApp da Câmara, quando vimos pessoas da Câmara falecendo, pessoas da Câmara entubadas, e nossos vizinhos, nossos amigos. Ou seja, essa é uma doença gravíssima, e parece que as pessoas não entenderam ainda – principalmente as pessoas que têm responsabilidade – que não tem outro caminho. As máscaras estão caindo.
Não há respiradores, não vai chegar respirador nenhum, pelo jeito. A Secretaria Estadual de Saúde já sabe que não vai ter os respiradores, porque comprou errado e acabou em prisão. Vejam só: acabou na prisão um subsecretário que tinha sido demitido. Não vai comprar. O ministro – que nem sei se chamo de ministro – fala em 41 milhões de testes! Não tem teste pra todo mundo. Não se consegue fazer o teste, às vezes, nem para o cara que morre – ele morre sem fazer o teste dentro dos hospitais. Não há testes. Não conseguem nem comprar os testes. Não há material de proteção, que é o pior possível. Falta material de proteção!
Então, nós estamos diante de uma situação grave e não podemos achar que é brincadeira. O Presidente tem dito claramente: o Presidente da República disse anteontem que estamos chegando ao fim do problema. Não é verdade! Aqueles que acharam que estavam caindo os números da mortalidade – até teve discurso aqui na Câmara sobre isso –, vejam os números! Tenho certeza de que meus colegas vão falar sobre isso mais à frente.
Mas eu queria, dentro da importância do que o Vereador Cinco falou, tratar um pouquinho sobre a questão da saúde. Tivemos nesta Casa, alguns dias atrás, uma reunião com a Secretária de Saúde, quando ela veio apresentar... Eu tenho absoluta tranquilidade de dizer que tenho feito críticas – duras críticas, nos três anos do Governo Crivella – à conduta da política pública de saúde.
No início do Governo, quando o Dr. Carlos Eduardo era o secretário, acertou em muitas coisas, mostrou muitas coisas importantes que estavam acontecendo. Depois, o Governo Crivella, foi criando problemas, e nós temos... E não vim aqui para fazer elogios à Secretaria de Saúde, vim para dizer a absoluta verdade. O que aconteceu foi que, há um ano e meio, quando a Prefeitura– não foi a Secretaria de Saúde – cortou a Secretaria de Saúde ao meio, criou uma nova Secretaria de Saúde para tratar das OSs, outro pedaço ficou com a secretária, e outro pedaço ficou até... Quem tomava conta disso era a atual Secretária de Fazenda. Fizeram uma destruição na rede básica de saúde, demitiram mais de 5.000 profissionais, que até hoje estão fazendo falta. Não conseguiram recolocar as pessoas lá. Uma grave situação em relação à saúde.
Mas eu não tenho dúvida que o trabalho neste momento, e o que foi apresentado aqui... Eu sempre fiz uma crítica ao Governo Crivella, não especificamente à Secretaria de Saúde, que tem uma secretária, um secretário, mas a Secretaria de Saúde é composta de profissionais de carreira. Dentro do gabinete, passam secretários e continuam muitos profissionais de absoluta qualidade, profissionais que já foram diretores de hospital, que conhecem bem a rede e que são respeitados. Até o Crivella tem respeitado a posição desses profissionais, quando fala que não pode liberar, não pode flexibilizar, único e exclusivamente por causa disso.
Ouvindo a secretária falar a sua apresentação, é claro que ela deixou absolutamente aberto para todo o mundo que a única saída era o isolamento, que não tinha condições, que a curva estava aumentando e crescendo, que nós não teríamos leitos, que a tentativa de fazer hospitais de campanha é o possível a se fazer. Vimos aí leitos abertos. São discutíveis leitos abertos na rede municipal de saúde, como não são discutíveis na rede federal, mas esses leitos podem ser feitos. Explica a dificuldade, explica o que significa abrir hospital de campanha.
Não adianta o Prefeito fazer propaganda. Tem uma coisa que eu queria citar aqui: nós temos visto, nos últimos dias, pelo menos na última semana, as matérias na televisão mostrando as pessoas que têm alta dos hospitais, curadas – um pequeno número, não um número tão grande assim, mas muitas pessoas saem vivas –, pessoas até de mais de 90 anos, saindo vivas dos hospitais. Em todos os hospitais do Brasil, aparecem na televisão mostrando e sendo aplaudidos pelos profissionais de saúde, sujeitos ainda emocionados.
O único do Brasil, onde quem foi receber um sujeito que teve alta, foi o Prefeito Crivella. Estava ele na porta, de máscara do Botafogo – eu não entendi por que ele estava com máscara do Botafogo –, batendo palma e recebendo, querendo faturar. Dizem que nós queremos faturar com os mortos, ele querendo faturar com os vivos. O hospital foi inaugurado há dois dias, ele ficou nem três dias, o sujeito se curou, foi ótima cura. Mas essa situação...

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – O tempo está encerrado.

O SR. PAULO PINHEIRO – Só para encerrar.

O SR. PAULO PINHEIRO – Aí, o que houve ontem? Houve uma notícia na televisão absurda: foi nomeado alguém na infraestrutura da Secretaria de Saúde, sem consultar a secretária. E a secretária, pelo que está dito ali, não quer mais continuar, e o Prefeito já teria dito à secretária que já tem um novo Secretário de Saúde preparado. Isso tudo...

A SRA. ROSA FERNANDES – Já tinha, né? Já tinha.

O SR. PAULO PINHEIRO – Não tinha?

A SRA. ROSA FERNANDES – Quando convocou, já tinha.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Conclua, Paulo.

O SR. PAULO PINHEIRO – Para concluir. Nós não podemos aceitar que isto aconteça. Não estou aqui defendendo... tenho críticas, fiz muitas críticas à secretária. Ela por muito tempo... Ainda brinquei quando teve alta: Você se curou do coronavírus, mas não se curou do Crivella. Não tenho dúvida disso. Não tenho dúvida de que tenho crítica, mas eu não posso aceitar que, num momento como esse, o Crivella...

A SRA. ROSA FERNANDES – Não tenha tido problema com nenhum dos dois.

O SR. PAULO PINHEIRO – ... queira fazer da Secretária de Saúde um Mandela do Rio de Janeiro. Eu acho que isso é um absurdo, independente...

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Obrigado, Paulo.

O SR. PAULO PINHEIRO – Para encerrar, Presidente. Precisamos que o Líder do Governo, que os vereadores da bancada do Governo expliquem isso. Já explicar o tomógrafo na Universal, foi difícil. Não tem explicação. Agora, mais do que isso, explicar essa situação. O que está acontecendo? Não queremos pedir para ninguém ficar nem sair. Só queremos saber o que está acontecendo com o órgão que controla a pandemia no Município do Rio de Janeiro.
Obrigado, Presidente. Desculpe.