SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. LEONEL BRIZOLA - Senhoras vereadoras e senhores vereadores.
Vou usar meu tempo aqui, mais uma vez, para responder a Vereadora Tânia Bastos que, novamente, me acusa de intolerância religiosa e diz que sou um vereador que ataca os cristãos. Para ela, minhas críticas ao Edir Macedo e à Teologia da Prosperidade afrontam todos os cristãos.
Olha, discordar do Edir Macedo, Silas Malafaia, R.R. Soares, Valdemiro Santiago, é um ataque a todos os cristãos do Brasil? Quer dizer que esses pastores e bispos representam todos os cristãos do Brasil? Isso é um absurdo e revela apenas uma estratégia de retórica de quem não tem argumentos para rebater as minhas críticas.
Para me atacar, inclusive, a vereadora citou um provérbio chinês: “O medíocre discute pessoas; o comum, fatos; e o sábio discute ideias”. Eu pergunto aos vereadores e à vereadora, que não está presente, mas tenho certeza de que a assessoria dela vai comunicar: é possível separar ideias das pessoas que as defendem? É possível separar o Edir Macedo do que ele acredita, ou seja, que o espiritismo é a maior fábrica de loucos do Brasil; que as baianas que vendem acarajé fazem trabalhos, ou seja, macumba para vender mais e as pessoas que consomem esses acarajés chegam a vomitar; e que a Igreja Universal declarou guerra ao “mal”, sendo que o “mal” são as religiões de matriz afro?
Vereadora, infelizmente, eu acho que a senhora não leu o livro do seu líder Edir Macedo. Ele declarou guerra contra as religiões de matriz africana. Está escrito no livro dele: “Guerra”. E guerras são feitas para aniquilar, exterminar o inimigo. Isso não condiz com o respeito, a pluralidade de pensamento e, principalmente, com a prática religiosa. Como ela teve vergonha de me responder se concorda ou não com esses absurdos escritos pelo Bispo Edir Macedo, preferiu o argumento de que a Constituição garante a liberdade de expressão.
A vereadora entende que escrever esses ataques às religiões de matriz africana é liberdade de expressão. Entretanto, olhem que curioso: quando veio aqui criticar essas ideias, porque são ideais do discurso do ódio contra o Candomblé, a Umbanda e outras denominações Espíritas, aí não é mais liberdade de expressão, mas sim intolerância religiosa. Quando é contra a religião dos outros é liberdade de expressão, Vereadora Tânia. Mas quando é contra a Universal é intolerância?
Talvez a vereadora não saiba, o meu avô Leonel Brizola, quando era criança, morou na casa de um pastor, o Pastor Isidoro. Ele teve um papel fundamental na vida do meu avô, inclusive ensinou ele a escovar os dentes. A história de Brizola é muito bonita nesse sentido.
Eu tenho o maior respeito por pastores, padres, líderes religiosos que realizam um trabalho espiritual espetacular para os que mais precisam e não pedem dinheiro desbravadamente para os fiéis, muito menos vendem semente de feijão dizendo que cura o coronavírus. Não usam de sua autoridade de líderes religiosos para angariar apoio a um presidente como Bolsonaro que, por exemplo, vetou o uso de máscaras nas igrejas, escolas, comércio e presídio.
Então, aqui vai o meu mais sincero respeito a todos aqueles que não usam da Bíblia como instrumento de ascensão econômica. Aqui vai o meu profundo e sincero respeito a todos aqueles que não fazem da igreja tribuna política e do parlamento um púlpito religioso. Eram estas as minhas considerações, Senhor Presidente.