ORDEM DO DIA
Comunicação De Liderança



Texto da Ordem do Dia

O SR. MAJOR ELITUSALEM – Senhor Presidente, em resposta ao Vereador Leonel Brizola, eu quero começar a minha fala dizendo onde fui ontem. Seminário Heróis do Rio, um seminário voltado para discutir soluções para a vitimização de policiais.
Desde 1998, nós perdemos no Estado do Rio de Janeiro 3.000 policiais. Foram 3.000 mortos e 9.000 feridos e mutilados. Esses números, Vereador, são de uma guerra. Uma guerra que a Polícia não começou. Uma guerra iniciada por partidários do senhor, aqueles que defendem o marxismo, que defenderam o marxismo na Ilha Grande; que pegaram os presos comuns e transformaram em terroristas, narcoterroristas. Como vencer essa guerra? O primeiro passo para vencer essa guerra é desconstruir esse discurso de bandido-vítima; desconstruir esse discurso de atrelar a criminalidade à pobreza, ao pobre, à pessoa humilde. Esse discurso de dizer que o negro é marginal... Quem criminaliza essa população, quem marginaliza essa população são os senhores, com esse discurso.
Aí, vereador, o senhor vem me dizer de debate raso. Ontem, eu vi policiais sem perna, sem braço, sem parte do crânio – porque uma lesão de fuzil tira um pedaço do crânio, um pedaço do cérebro. Essas pessoas estão prejudicadas para o resto da vida. É uma guerra!
A fala do Vereador Reimont se inicia defendendo os marginais do Vidigal. Volto a dizer, um fuzil, duas granadas e munição foram apreendidos. Policiais saíram de lá vivos.
Então, qual é a posição do parlamentar, defender o crime ou defender a Polícia? Eu estou aqui para defender a Polícia, Vereador, e não arredo o pé um centímetro. Quer fazer a fala? Fiquem à vontade. Mas não faça a Polícia de palanque eleitoral. Porque pessoas estão morrendo; pais de família estão morrendo; crianças estão crescendo órfãs por causa da hipocrisia que se instalou nesse país. Volto a dizer: “Bandidolatria”, não!
Obrigado, Senhor Presidente.

O SR. TARCÍSIO MOTTA – Para comunicação de liderança, Senhor Presidente.

O SR. PRESIDENTE (ROCAL) – Para comunicação de liderança, o Senhor Vereador Tarcísio Motta, líder do PSOL, que dispõe de cinco minutos.

O SR. TARCÍSIO MOTTA – Senhor Presidente, é uma legítima questão de ordem a ser respondida pela Mesa, se as comunicações de liderança podem ser feitas em tom de opinião pessoal do parlamentar. Até onde eu entendo – eu sou vereador novo, pode ser que meu conhecimento do Regimento Interno não seja correto, e eu esteja equivocado –, as comunicações de liderança dizem respeito ao conjunto do partido e, portanto, da bancada da qual o líder é líder, nesta Casa, e não em tom pessoal.
Se a gente tem, aqui, uma lógica, inclusive, de que as falas dos “pela ordem”, que já são utilizados para debates variados, elas estão limitadas em três entre cada projeto; se a gente começar, agora, as comunicações de liderança a serem feitas da forma como cada um de nós quiser – eu fiz uso de duas hoje; portanto, estou aqui querendo colocar que há uma necessidade de que a gente possa regulamentar o quotidiano e o andamento das sessões. A gente, na verdade, vai substituir a comunicação de liderança pelos “pela ordem”. A gente precisa, de certa forma, definir o que é comunicação de liderança. Eu, por exemplo, ao falar sobre os atos de amanhã, falava da convocatória do meu partido e da minha bancada. Ao falar sobre a Marielle, falava do meu partido e da minha bancada; eu falava em nome disso, e não em tom da minha opinião sobre determinado assunto que está em debate nessa estória.
Eu gostaria... Porque o que é combinado é melhor para todo mundo, para que a gente não use subterfúgio e, na verdade, acabe impedindo o andamento do processo. Não tem nada aqui contra... Não vou entrar no debate proposto pelo Vereador Major Elitusalem, aqui... Não é de conteúdo, é apenas para saber. Porque, senão, eu vou passar a usar, já que sou líder, a comunicação de liderança para falar o que eu bem entender, na hora que eu quiser. Portanto, subvertendo algo que está pactuado entre nós e que, eu acho, tinha tornado mais saudáveis as sessões, que permitem três debates entre os projetos, mas depois há a votação do projeto.
Então, a pergunta é sobre se há algum limite sobre o que vai ser falado na comunicação de liderança. E, segundo: se não há limites para isso, precisamos conversar com a Mesa Diretora, e pactuar entre nós, sobre quantas comunicações de liderança acontecerão nesses momentos entre os projetos.
É preciso regular o andamento das nossas sessões, pelo bem de nós todos e pelo bem da cidade, lembrando sempre que, entre duas e quatro da tarde, o microfone está franqueado para todo mundo que quiser fazer o debate aqui nesta Casa.
Muito obrigado, Senhor Presidente.

O SR. PRESIDENTE (ROCAL) – A Mesa Diretora responderá oportunamente.