SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. BABÁ – Senhor Presidente, eu gostaria na verdade aqui de citar um caso entre tantos que já foram citados, de Flávio Migliaccio, Aldir Blanc e outros tantos; mas eu gostaria de citar aqui o caso de que a companheira Ana Lúcia Panaro faleceu e essa companheira era lotada no CDD dos Correios, de Pilares. Faleceu ontem, vítima do coronavírus.
E essa situação, os Correios, na verdade, vêm desrespeitando a condição desses trabalhadores. A luta que esses trabalhadores vêm travando contra a direção dos Correios é enorme para fornecimento de máscaras, álcool em gel, para que, na verdade, esses trabalhadores terem tranquilidade. E muitos deles já estão sem condições de executar as suas tarefas.
E a companheira Ana Lúcia Panaro, a qual nós queremos colocar aqui, em nome dos trabalhadores dos Correios...
E também queremos aqui dar toda a solidariedade à família dessa companheira, porque os Correios, no seu autoritarismo, determinaram que os trabalhadores deveriam voltar ao local de trabalho, sem essas condições. E a Justiça, numa liminar, determinou que esses trabalhadores não poderiam, na verdade, voltar ao trabalho.
E aí está o caso, que não é o primeiro, da companheira Ana Lúcia Panaro. É a demonstração da irresponsabilidade da direção dos Correios. Trabalhadores tão importantes no dia a dia para que as pessoas possam receber suas correspondências, que têm todo um trabalho nos CDDs dos Correios, estão sem condições de trabalho. Os Correios não cumprem com sua tarefa e, por isso mesmo, os companheiros tiveram que entrar na Justiça para impedir, na verdade, uma decisão autoritária da direção dos Correios. Essa companheira, companheira Ana Lúcia – presente, apesar de sua morte –, representa todos os trabalhadores que estão correndo risco de vida. E essa situação não é de poucos, é de muitos. Do Brasil inteiro, como já foi colocado agora há pouco, nas discussões anteriores que foram travadas aqui.
Queremos colocar isso aí porque a situação é muito grave. No Rio de Janeiro, ela é mais grave ainda. Não se espantem se, daqui a pouco, nós, aqui no Rio de Janeiro, estivermos nas mesmas condições em que estão os companheiros em Manaus, em Belém, onde a rede de saúde não está capacitada para receber esses trabalhadores. O Prefeito Marcelo Crivella, na verdade, gastou milhões para pagar o Santander, para pagar o BIRD e o BID, não é? Enquanto isso, falta dinheiro para a compra de ventiladores, de equipamentos de proteção aos profissionais da saúde, e isso não é levado em consideração pela própria Câmara de Vereadores.
Nós temos, na verdade, em nível nacional, a votação de projetos gravíssimos, em que quem sai ganhando? Os banqueiros. É igual aqui no Município do Rio de Janeiro. Não tem dinheiro para a saúde, mas tem para os banqueiros. Em nível nacional, é a mesma situação, Senhor Presidente. A PEC que está sendo votada, que foi ao Senado e veio para a Câmara de volta agora, ataca frontalmente o direito dos trabalhadores e, principalmente, os servidores públicos. E o ridículo ministro da Economia colocou o que há uns dias? Que os servidores públicos estão com suas geladeiras cheias, lotadas, enquanto a população está passando fome. Tenha paciência! Esse mesmo ministro é um dos donos do banco BTG Pactual. Para os banqueiros não pode faltar dinheiro.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Vereador Babá, seu tempo está esgotado.

O SR. BABÁ – Já concluirei. Por isso mesmo, nós vamos insistir para essa situação junto ao Prefeito Marcelo Crivella – e nós tivemos o nosso projeto derrotado na Câmara. Para tanto, entramos na Justiça. Nós esperamos que a Justiça tome uma posição com relação à suspensão do pagamento da dívida do município com esses três bancos, que são, na verdade, os que ganham efetivamente. Nós não podemos mais deixar continuar assim: banqueiros ganhando e a população morrendo por falta de atendimento.
Muito obrigado.