SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. REIMONT – Senhor Presidente, senhoras vereadoras, senhores vereadores da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, boa tarde.
Quero também cumprimentar os trabalhadores e as trabalhadoras da Câmara Municipal, que têm nos servido com tanta qualidade – como é o feitio desses trabalhadores e trabalhadoras.
Senhor Presidente, uma das preocupações maiores que a gente tem neste momento é com esse processo de reabertura. Nós temos visto cidades inteiras como, por exemplo, Belo Horizonte, voltar ao isolamento social, pelo fato de ver aumentar o número de óbitos na sua localidade.
No Rio de Janeiro, nós passamos por questões complicadíssimas. É bom a gente lembrar, e nunca é demais a gente salientar, a realidade que a gente está vivendo na cidade, onde nós temos, hoje, ainda sem o último boletim, 6.417 mortes. E 11% das mortes, no planeta, estão no Brasil. E 11% das mortes no Brasil estão na Cidade do Rio de Janeiro!
Precisamos cuidar disso!
Uma das grandes preocupações que nos afligem, Senhor Presidente e senhoras vereadoras e vereadores, é esse vaivém do processo de abertura – ou não – das escolas públicas municipais do Rio de Janeiro.
Quero aqui citar esse vaivém e trazer à lembrança do quanto é interessante a gente perceber como essas mudanças se dão exatamente por falta de uma maior organização dessa nossa prefeitura, que nós queríamos que acertasse muito mais. Nós aqui não estamos aplaudindo os equívocos, os desacertos; queríamos, na verdade, estar aqui a elogiar a prefeitura.
No dia 22 de junho, tivemos uma Audiência Pública na qual assumiu-se o compromisso de que não haveria retorno às aulas antes de meados de agosto, início de setembro, dito pela Secretária de Saúde, Dra. Ana Beatriz Busch e pela Secretária de Educação Talma Romero Suane.
No dia 26 de junho, tivemos a publicação do Decreto nº 47.551, que diz que a educação – na verdade – voltaria a funcionar a partir de 1º de agosto, nas creches e nas escolas, na Fase cinco.
No dia 29 de junho, ontem, na coletiva para a imprensa, o Prefeito Crivella fala que não havia data definida para a reabertura das escolas. No entanto, hoje, pela manhã, o Prefeito Crivella publica o Decreto nº 4.755, de 29/06/2020, que estabelece o fechamento das escolas até o dia 3 de agosto.
É muito desencontro!
Quero trazer aqui uma experiência vivida por uma diretora de escola com relação a uma fala do Senhor Prefeito. Disse-me a diretora: “Vereador Reimont, os meus alunos não têm ido à escola, e a Prefeitura não tem cumprido o compromisso de dar as cestas básicas para as famílias empobrecidas dos nossos alunos. Eu encontro com os meus alunos nas ruas, Vereador Reimont, e os vejo com o olhar fundo; eles estão magros, porque a Prefeitura não está comprometida com a proteção social dos estudantes”.
Fecho esse exemplo e trago um outro: o Prefeito Crivella, no RJTV, de sábado, disse assim, na televisão: “Eu não estou recarregando o Cartão Família Carioca, das nossas crianças da escola pública, porque os seus pais estão usando o dinheiro do cartão para comprar cachaça e para comprar cigarro.”
Eu quero dizer, Senhor Presidente, senhoras e senhores vereadores, que eu esperava muito mais do Prefeito da minha Cidade. É um desrespeito para com os pobres desta Cidade a generalização. Pode ser que haja, mas generalizar é um desrespeito à fome, é um desrespeito a este estado de coisas que vive a Cidade do Rio de Janeiro.
E, nesse sentido, Senhor Presidente, eu queria trazer aqui a presença de um manifesto feito pelas merendeiras. Senhor Presidente, peço que este seja publicado na íntegra. Vou publicá-lo aqui na página dos vereadores.
Começam assim as merendeiras:

“Este é um manifesto em defesa da saúde da população. Somos educadores, precisamos ensinar a valorização da vida em primeiro lugar.
Haverá testagem em massa e constante para todas e todos da Educação (profissionais e alunos)? Os transportes públicos, necessários à locomoção até o trabalho, pode ser um local de transmissão do vírus. Em dias normais, já faltam funcionários na U.E.; imagine em uma pandemia? Não haverá funcionários suficientes para a higienização de alimentos, locais e utensílios, por exemplo.
Como evitar aglomeração nos refeitórios, onde é necessário retirar a máscara para comer? E nas salas e nos pátios?
Não podemos voltar às aulas sem segurança. Crivella, nos dias comuns nos falta o mínimo de estrutura, você não pode colocar a nossa vida em risco, somos pessoas também. Nossa vida tem valor, prefeito!
É inviável merendeira fazer desinfecção no ambiente de alimentação, tendo que manipular, armazenar e confeccionar os alimentos para a refeição de alunos e demais servidores; em muitas escolas, essa quantidade de gêneros chega a uma tonelada por semana.
Sobre a higienização dos utensílios, as escolas não têm estrutura elétrica. As cozinhas não suportam bica de água quente. Quando ligam a bica de água quente, os disjuntores dos ambientes desligam. Falar que existe bica de água quente nas escolas antigas é fake.
Sobre utensílios, como canecas, pratos, talheres: nunca tivemos o suficiente. Como será feita a reposição, para que tenhamos tempo para fazer a higienização necessária com água quente e hipoclorito? Serão utilizados copos, pratos e talheres descartáveis? Porque as escolas nunca receberam, nem quando tivemos problema sério de água na cidade do Rio de Janeiro. Os alunos tinham que beber água nas próprias garrafas, pois nunca tivemos copos para todos.
Refeitórios são pequenos. Em aproximadamente 2m², cabem umas 15 crianças a cada 20 minutos. Como manter o distanciamento seguro? Lembrando que no refeitório o uso de máscara é impossível uma vez que é necessário retirar a máscara para comer. E a escala de funcionários, para evitar aglomeração? É praticamente impossível, já que as regras de higienização serão mais rígidas e faltam utensílios como garfos, pratos e material. Higienizar frutas e verduras, aguardar secagem para guardar... Estamos falando de 60, 80, 90 kg de alimentos! Toda esta demanda requer mão de obra - em cozinhas e despensas pequenas!
Por todo o exposto, é impossível um retorno às aulas em segurança para merendeiras, professores, agentes, secretários e alunos. O prefeito afirma, ironicamente, que nossas crianças têm muita saúde, como justificativa para a abertura das escolas municipais no pico da pandemia de Covid-19. Com que autoridade faz essa declaração, se não forneceu cesta básica nem deu tratamento devido ao recebimento do cartão alimentação para os alunos/as do Bolsa Família e cartão carioca, direitos dos responsáveis que não possuem renda.
Muitas das crianças convivem com familiares com comorbidades e ainda não existe um protocolo para as escolas garantirem a segurança de funcionários e estudantes. Ou seja, a escola pode se tornar um lugar de contágio colocando em risco os familiares que com eles convivem e, consequentemente, toda a comunidade à sua volta.
Em suas colocações, o Prefeito afirmou que está fazendo testes e que ‘já imunizou 6.000 merendeiras’. Além de as/os profissionais nunca terem sido informadas/os desta desta testagem, como pode o prefeito ter falado em imunização se simplesmente não existe a vacina?

Assinam:
Cristina Mongero
Cristiane Rodrigues
Marisa Juliano
Soraya Menezes
Merendeiras do Município do Rio de Janeiro"