SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. LUIZ CARLOS RAMOS FILHO – Boa tarde, Senhor Presidente; boa tarde, vereadores e vereadoras. Eu vou aproveitar este momento para falar dos dois projetos que apresentei.
Tomei conhecimento recentemente, por meio da minha assessoria, de que as pessoas que se internam na Cidade do Rio de Janeiro e que, porventura, precisam ser transferidas para outros municípios, como Volta Redonda e Vassouras, em caso de alta, a família tem que se virar para buscar esse paciente. Muitas vezes essas pessoas são idosas, são hipertensas, têm vários outros problemas e têm que se locomover de ônibus, enfim, não da forma adequada.
Quando tem óbito desse paciente que foi transferido, essa família tem que se virar para trazer o corpo de volta, e os custos são altíssimos. E quando essa pessoa internou no Município do Rio de Janeiro e foi transferida, ela não pediu para ser transferida. Muitas vezes a pessoa é transferida já sedada, entubada. E quando acorda, tem alta no hospital, não consegue nem entender muito bem o que está acontecendo. A família tem dificuldade de receber as informações.
Então, a gente apresentou um projeto de lei propondo que a Secretaria Municipal de Saúde se responsabilize pelo seu paciente, pelo seu munícipe. Não tem condição de a secretaria passar esse custo, essa responsabilidade para as famílias, para os pacientes, que não pediram para serem transferidos. Isso é uma injustiça. É um erro.
Quando eu tomei conhecimento disso, imediatamente apresentei esse projeto. Isso está acontecendo bastante, já estou conversando com várias pessoas. Em caso de óbito, têm pessoas que estão pagando R$ 4.000 para trazer o corpo de volta. Se internou na UPA de Senador Camará, foi transferido para Vassouras, teve óbito lá e a família teve que se virar para pagar o translado e ser enterrado em Santa Cruz. Então, esse é um projeto que eu peço o apoio dos colegas, abro para coautoria.
Também apresentei um projeto em relação à doação de ração para os animais. Por quê? As pessoas estão passando fome e os animais também. As pessoas não estão tendo condição nem de se alimentar, que dirá alimentar os animais. Os animais estão morrendo. As pessoas que cuidam desses animais nos abrigos – que é obrigação da Prefeitura e a Prefeitura não faz, essa que é a verdade, não dá a sua contribuição – e fica tudo nas costas dos protetores e dos cuidadores dos animais. Essa é uma obrigação do Poder Público. A Prefeitura de São Paulo está fazendo a doação de ração, entende isso como saúde pública. Então, eu peço também o apoio dos colegas. Está aberto para coautoria também. É fundamental que a gente possa ter esse olhar humanitário para os nossos animais.
Com relação à questão que saiu nos jornais sobre o atraso dos salários, isso aí é óbvio. A gente está fechado há muito tempo. A atividade econômica não é mais pujante. E isso uma hora ia chegar. E a conta está chegando. Eu não sou a favor do isolamento total. Eu não sou contra as pessoas que querem trabalhar, porque todo mundo sabe onde aperta o seu calo. Todo mundo sabe das suas necessidades. O que tem que se ter é bom senso.
A gente vê o Governo Federal brigando com o Governo Estadual, que briga com o Governo Municipal. Todo mundo brigando. A gente não tem um norte, uma liderança. E a gente fica vendo as coisas acontecerem de forma impotente, sem conseguir efetivamente ajudar as pessoas. É o que eu estou vendo. Espero que as medidas que as três esferas de governo tomem, daqui para frente, possam ser coerentes. Porque, pelo que eu estou vendo, o isolamento, da forma como está sendo feito, só está adiando o problema. Estamos quebrando a nossa cidade. Estamos quebrando o nosso estado. Estamos quebrando o nosso país. E eu acho que a emenda pode sair pior do que o soneto.
Obrigado, Presidente.