SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. LEONEL BRIZOLA – Obrigado, Senhor Presidente, senhoras e senhores vereadores.
Ontem fui acusado aqui de intolerância religiosa pelos representantes do interesse do Bispo Edir Macedo nesta Câmara. Usam aqui a tática de imputar ao outro aquilo que fazem. Na verdade, talvez eles se esqueçam de que a Igreja Universal começou atacando as religiões de matriz afro – essa é a origem embrionária. Vou refrescar a memória deles. Vou citar aqui trechos do livro do Bispo Edir Macedo, do segundo volume de “Nada a perder” e do livro “Orixás, Caboclos e Guias: deuses ou demônios?”.
No segundo livro “Nada a perder”, no capítulo “Demônios existem, sim”, Edir Macedo escreve: “O Brasil vivia o culto exacerbado aos símbolos de veneração dos espíritos. Creio que essa foi uma das primeiras revelações divinas no trajeto da Igreja Universal: desenvolver uma estratégia de enfrentamento feroz e direto ao mal como nenhuma outra instituição faz no mundo. A primeira declaração de guerra aconteceu no nosso programa na Rádio Metropolitana, que herdava a audiência de uma famosa atração espírita. Ao vivo, eu convocava os ouvintes a assistirem na igreja ao desafio dos deuses, o Deus da Universal contra os espíritos que provocam doenças, sintomas de possessão e que eram anunciados ali como anjos evoluídos de proteção”.
No livro “Orixás, Caboclos e Guias: deuses ou demônios?” o fundador da Universal diz que “o espiritismo é a mais sórdida e destrutiva doutrina que o mundo já conheceu”. Cito alguns trechos desse mar de intolerância religiosa, um verdadeiro crime, senhoras e senhores vereadores, nas palavras de Edir Macedo: “Umbanda, Quimbanda, Candomblé, Kardecismo, Bezerra de Menezes, esoterismo etc. são apenas nomes de seitas e filosofias usadas pelos demônios para se apoderarem das pessoas que a eles recorrem, ora buscando ajuda, ora por mera curiosidade.” “Todas as pessoas que se alimentam dos pratos vendidos pelas famosas baianas estão sujeitas, mais cedo ou mais tarde, a sofrer do estômago. Quase todas essas baianas são filhas de santo ou mães de santo, que trabalham a comida para terem boa venda. Algumas pessoas chegam a vomitar as coisas que comeram, mesmo que isso tenha sido há muito tempo.” “Os maiores médicos do Rio de Janeiro já chegaram à conclusão de que o espiritismo é a maior fábrica de loucos que existe. Quando Satanás ganha um convertido para o espiritismo, seu passo seguinte é alimentá-lo com suas doutrinas, que são mentiras absurdas. Se o povo brasileiro tivesse os olhos bem abertos contra a feitiçaria, a bruxaria e a magia, oficializadas por Umbanda, Candomblé, Kardecismo e outros nomes que vivem destruindo as vidas e os lares, certamente seríamos um país bem mais desenvolvido.”
Quem construiu um império disseminando o ódio foi justamente o Bispo Edir Macedo. E, aliás, ele termina o capítulo do livro “Orixás, Caboclos e Guias” com um versículo. Vejam bem, caros colegas: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Não é mera coincidência ouvirmos muito isso nos dias atuais. Não somos nós que praticamos a intolerância religiosa. Somos nós que fazemos discurso de ódio? Não. E fica provado aqui.
E há uma aliança com o Bolsonaro, por conta justamente disso, desse ódio. Quem não apoia o Bolsonaro é marxista, é comunista. Quem não reza no Deus, o único Deus, da Universal, reza para um Deus falso. Só o meu Deus funciona, o outro Deus é um Deus falso. Você é Satanás. É esse ódio, o ódio à matriz africana, que vai dar no quê? Na nossa cultura, na nossa ancestralidade. O brasileiro é essa mistura do negro africano, do branco europeu, com indígena; das ervas que curam, das roupas, no samba, na cultura, na comida, no frango com quiabo, na feijoada. É essa a nossa cultura, a nossa ancestralidade. É isso que querem matar. Querem matar a nossa história!
O meu avô – estou concluindo –, Leonel Brizola, com razão histórica… E o que é razão histórica? É o patriotismo. É querer o bem-estar do povo brasileiro. Na verdade, Brizola, lá em 1986 – concluindo, Senhor Presidente –, já tinha denunciado o Edir Macedo. Está aqui no livro dele, na página 139. Lá, eles já mostravam quem era o inimigo que eles tinham que perseguir. Está lá, Leonel Brizola, que proibiu o culto no Maracanã. Estádio de futebol não é palco para religião!
O Brizola já entendia que eles queriam era tempo de televisão, rádio, para influenciar na opinião pública. E está aí o negacionismo. O Vereador Fernando William declarou muito bem aqui. Foi perfeito o que o Vereador Fernando William colocou. Então, quero deixar claro que não somos nós que promovemos o ódio. Não somos nós os intolerantes. Fique bem claro isso aqui.
Quero dizer que, já em 1986, o Brizola denunciava essa farsa, esses pilantras. Tanto que o Brizola, depois – Macedo é um cara vingativo, se vingou do Brizola, lançando o tal do Crivella e sua hortinha – que nunca ninguém viu aquela hortinha –, que qualificou o Crivella para ser senador. Veja, Brizola perdeu o Senado para dois pilantras: Cabral e Crivella.
Muito obrigado.