ORDEM DO DIA
Pela Ordem



Texto da Ordem do Dia

O SR. REIMONT – Vereadora Presidenta e vereadores presentes.
Na verdade, como na votação da concessão de Medalhas não há o expediente de declaração de voto, venho falar sobre a medalha direcionada ao Senhor Olavo de Carvalho.
Primeiro, compreender que considero duas vergonhas: primeira, esta Casa homenagear um cidadão desses que, certamente, não sairá da Virgínia para receber, uma medalha aqui – isso para início de conversa. E, depois, para dizer um recadinho para ele, porque, mesmo que ele não saia de lá, ele tem muita gente que manda as coisas para ele. Portanto, gravem o que eu vou falar e mandem para ele. Olavo de Carvalho, veja que vergonha, você obteve apenas 16 votos de 51 vereadores, e, depois, mais dois correndo no final, quando a votação já estava encerrada. De 51 votos, você obteve, Olavo de Carvalho, 16 votos da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Que vergonha!
E, aí, nós estamos vivendo esse estado de coisas: terra plana, eleição do Presidente da República através de fake news. Nós estamos vivendo a fala, uma hora, do filho do Presidente, o Deputado Federal, dizendo que vai fechar o Supremo Tribunal Federal; depois, que: “cuidado, porque pode chegar, novamente, um AI-5!”. Aí, encontramos o “Ministro Superpoderoso da Fazenda”, Paulo Guedes, que disse: “Olha, pode chegar um AI-5”. E, agora, a Presidência da República apresentando um projeto de lei para proibir as manifestações. Esse é o estado de coisas que estamos vivendo.
Agora, o Presidente da Fundação Palmares dizendo que não houve escravidão, de que não há racismo no nosso país... Imaginem, não há racismo no nosso país! E nós sabemos que o racismo é institucional!
Esta Câmara devia proibir a segurança do Senhor Witzel de entrar nesta Casa depois de ter humilhado um vereador desta Casa, barrando o Vereador Tiãozinho do Jacaré – e o barrou, porque ele é negro e não esconde a sua negritude, é um homem do povo, da favela, da periferia. A segurança do Witzel tinha que ser proibida de entrar nesta Casa! Aqueles seguranças que aqui estiveram deviam ser banidos da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. É esse estado coisas.
E aí, Vereador Fernando William, é nesse movimento que a Casa concede a Medalha Pedro Ernesto ao Olavo de Carvalho. Imaginem! Vergonha para esta Casa, vergonha para a Cidade do Rio de Janeiro, vergonha para aqueles que já receberam a Medalha Pedro Ernesto.
Eu recebi a Medalha Pedro Ernesto aqui no ano de 1998, dada pelo então Vereador Edson Santos. Que vergonha compartilhar da mesma medalha que Olavo de Carvalho, mas, ao mesmo tempo, que alegria, porque naquela época eu recebi a medalha – eu, um simples cidadão, morador do Rio de Janeiro, com unanimidade desta Casa, todos os vereadores votaram. Agora, hoje, a medalha do Olavo de Carvalho... Imaginem, 16 votos! Mesmo que ele morasse ali na esquina deveria ter vergonha de vir aqui, ainda mais morando na Virgínia e fazendo, na verdade, todo o movimento deste governo, que tem retirado direitos e atrapalhado a vida do povo brasileiro. O momento é muito difícil, companheiras e companheiros, mas nós estamos felizes porque haveremos de resistir.
Lá no Uruguai, a Frente Ampla perdeu a eleição por 21 mil votos. O presidente que perdeu a eleição, da Frente Ampla, disse: “Acharam que nos enterrariam e que ficaríamos enterrados, mas esqueceram que nós somos sementes, e as sementes brotam”. Maria da Conceição Tavares diz, aliás, a nossa querida Conceição Evaristo diz: “Tentaram nos matar e nós decidimos não morrer”. Essa é a luta para sobrevivermos com a nossa democracia. A democracia precisa sobreviver, meus amigos vereadores.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Obrigada, Vereador.
Pela ordem, o nobre Vereador Tarcísio Motta, que dispõe de três minutos.

O SR. TARCÍSIO MOTTA – Serei rápido, Senhora Presidente, e não vou falar sobre a medalha, pois acho que já falaram o que tinham que dizer.
Senhores vereadores, eu queria pedir a atenção dos senhores um minuto. Senhora Presidente, a gente teve a notícia hoje que o Trem do Samba, que é uma atividade já tradicional na cidade, que acontecia sempre no sábado mais próximo do dia 2 de dezembro, que é o Dia Nacional do Samba, este ano não vai sair. Tem pelo menos 20 anos, mais de 20 anos, porque acho que é em 1996 a primeira vez que o Trem do Samba sai na Cidade do Rio de Janeiro. Eu inclusive aprovei com voto favorável dos senhores, a quem agradeço, uma Medalha Pedro Ernesto para o Trem do Samba, que será dada na próxima segunda-feira, aqui na frente, na Cinelândia, numa roda de samba que vai acontecer aqui, quando a gente vai lançar inclusive o relatório da Comissão Especial do Carnaval. O Trem do Samba é uma atividade que está no Calendário Oficial da Cidade do Rio de Janeiro.
Então, Senhora Presidente, Vereadora Tânia Bastos, faço esta fala aqui para chamar a atenção, fazer um pedido para que a Secretaria de Cultura e a Riotur – já que, nas administrações municipais, o Carnaval e o samba muitas vezes também estão na Riotur – verifiquem se há possibilidade de algum apoio emergencial ao Trem do Samba, algum contato com a SuperVia, para que se possa realizar o Trem do Samba no sábado, dia 7 de dezembro, que seria ainda dentro do Calendário. Eu acho lamentável que, na Cidade do Rio de Janeiro, que está carecendo tanto de cultura, carecendo tanto de oportunidades de geração de emprego e renda, isso aconteça. O Trem do Samba movimenta a economia ali em Madureira, Oswaldo Cruz, movimenta a economia, há contas que dizem que mais de 100 mil pessoas vão a Madureira e Oswaldo Cruz no dia do Trem do Samba.
Vereador Thiago K. Ribeiro, que é coautor comigo do Projeto de Emenda à Lei Orgânica que põe o Carnaval como direito do cidadão, certamente há de concordar. O Prefeito Eduardo Paes, inclusive, sempre apoiou o Trem do Samba. Portanto, não é alguma coisa que seja exclusiva da esquerda ou do PSOL, embora a gente defenda o Carnaval, a cultura e o samba na Cidade do Rio de Janeiro.
Eu acho uma pena. É lamentável e não tem jeito! Será mais uma marca da Administração Crivella, que agora está fazendo um vídeo dizendo que está fazendo obras no Sambódromo. Vai ser na Administração Crivella que o Trem do Samba não vai sair na Cidade do Rio de Janeiro. É lamentável! É uma pena! Essa Câmara vai homenagear o Trem do Samba, mas, eu faço aqui um apelo à Secretaria Municipal de Cultura, à Riotur e à Secretaria Municipal de Fazenda e de Geração de Emprego e Renda para que a gente possa ainda conseguir entrar em contato com o Marquinhos de Oswaldo Cruz, que é organizador, e fazer um contato com a Supervia para ver o que está faltando para que o Trem do Samba saia no próximo sábado.
Muito obrigado, Senhora Presidente, pelo tempo aqui dado pela ordem.