Discurso - Vereador Fernando William -

Texto do Discurso

O SR. FERNANDO WILLIAM – Meus cumprimentos ao querido colega Vereador Rocal, aos demais vereadores presentes à Sessão, àqueles que nos assistem dos seus gabinetes, aos senhores servidores da Câmara – os quais eu, muitas vezes, incomodo, falando quase todos os dias aqui.
Eu gostaria de abordar duas situações: uma que diz respeito ao Governo Federal e uma que diz respeito a uma situação que está na Ordem do Dia e que nós precisamos resolver.
Quando a gente fala que o Governo Federal tem dado um tratamento radicalmente ideológico às suas nomeações e que isso, num certo sentido, prejudica até o próprio governo – isso quando não cria uma situação de estupefação por parte das pessoas que ainda têm algum senso de equilíbrio, algum senso de humanidade –, muitas vezes, somos mal entendidos.
Mas vamos fazer uma análise rápida.
O ministro da Educação – o antigo, nem se fala –, Abraham Weintraub, sobre ele, a sensação que eu tenho é de que além de deseducado o sujeito é antieducação. Todas as suas falas – algumas, inclusive, de péssimo gosto, no Twitter – vão, sempre, de encontro à educação pública, à universidade pública, algumas coisas que são... tipo: “a universidade é um ‘maconhódromo’”... coisas desse tipo. E fala coisas de que não apresenta provas; de que não apresenta nenhuma justificativa real; parte de pressupostos. Ele é aluno desse idiota, imbecil, como disse o General Santos Cruz: “um pilantra profissional”, que é o Olavo de Carvalho.
A gente precisa entender o Olavo de Carvalho, eu não vou falar sobre ele aqui. Mas, certamente, terei oportunidade de fazê-lo em outro momento. Aliás, ele não pode vir ao Brasil para receber a comenda que, por 16 votos a Câmara, infelizmente, deu a ele. Mas, se viesse, eu faria todo o esforço do mundo para estar presente à entrega da comenda, para dizer as coisas que eu penso a respeito desse senhor. Mas ele é proibido de vir ao Brasil, porque deve pensão alimentícia; porque tem uma série de processos, alguns, movidos pela própria filha, Heloísa, fora processos na Receita Federal. Ele não pode, sequer, vir ao Brasil, mas, de fora, se utiliza de uma metodologia bastante conhecida, que é a da neurolinguística, por meio da qual ele consegue enganar e convencer uma série de incautos – eu vou usar uma expressão cuidadosa e respeitosa – de que ele tem alguma razão. Basta, por exemplo, perceber que esse cidadão, é um terraplanista, portanto, contraria Copérnico, Galileu; basta dizer que esse cidadão diz que o adoçante da Coca-Cola vem de feto humano; enfim, uma série de outras idiotices.
Uma pessoa que acha que as Leis de Newton não podem ser comprovadas cientificamente; muito menos as de Einstein. Ele usa uma série de autores, muitos deles desconhecidos, os que são conhecidos, ele dá um tratamento que é contrário ao pensamento.
Eu fiz Filosofia, além de fazer Medicina. Por exemplo, quando o cara fala de Sócrates, e você vai conhecer o pensamento de Sócrates, é claro que você pode ter interpretações diversas do pensamento de um filósofo; mas, na essência, você não pode contrariar aquilo que disse. Aliás, isso parece um pouco determinados cristãos, dos dias de hoje, que são, assim, o oposto do cristianismo, o oposto da pregação de Cristo, mas defendem, com argumentos cristãos, as suas práticas – não é?
Eu vi, por exemplo, em uma manifestação, em São Paulo, cristãos que, inclusive, foram apanhados no aeroporto com dinheiro dentro da roupa, fugindo para os Estados Unidos – que foram até criminalizados pelo jogador Kaká por terem levado a chuteira de ouro dele para poder “fazer caixa” na Teoria da Prosperidade... “fazendo arminha” para centenas de milhares de pessoas.
Onde é que se imaginou, por exemplo, que Cristo tem a ver com arminha? Cristo... Eu não vou nem ficar citando algumas parábolas, aqui, para não perder tempo, mas, enfim...
Bom, eu estou me referindo ao Weintraub, mas pega esse chanceler, por exemplo, Ministro das Relações Exteriores. O sujeito tem cara de idiota e é um idiota total, não é? Completo. Por pouco esse idiota não nos leva a um conflito com a Venezuela, por exemplo. Agora, certamente, está por trás das manifestações na Bolívia, enfim. É um sujeito perigoso para o próprio Governo, para o próprio Governo Bolsonaro – e eu acho que até para a própria República, para a nação brasileira.
Você pega essa Damares, parece até brincadeira, não é? A mulher abre a boca para dizer “abobrinhas”, para dizer que lugar de mulher, por exemplo, é na cozinha, quando ela representa os direitos da mulher.
O Ministro do Meio Ambiente é um antiambientalista, processado em São Paulo por ter cometido crime ambiental, enfim. Nós vimos aí, agora, o Nordeste: dois meses de óleo vazando no Nordeste, o Governo não toma nenhuma iniciativa, comprometendo a imagem do Brasil no exterior; com uma política de proteção à Reserva Amazônica que tem dado os resultados que nós temos observado aí: o isolamento, cada vez maior, do Brasil, a falta de investimento.
Aí, agora, um cidadão de nome Roberto Alvim, que foi indicado para a Secretaria de Cultura, o antigo Ministério da Cultura, que é um cidadão que a coisa mais importante que tem no seu currículo é o fato de ter ofendido, talvez, a nossa mais importante dama do teatro, da dramaturgia, do cinema, das artes cênicas, que é a atriz Fernanda Montenegro. A grande atriz teria pousado lá com um perfil de que ele não gostou. Achou que era ofensivo, de alguma forma, ao Governo. E olha que a Fernanda Montenegro tem um cuidado enorme de não se envolver em polêmicas muito contundentes etc. É uma mulher defensora da democracia, da liberdade, mas não é de grandes polêmicas. Pois bem, ele chamou a Fernanda de insolente. Enfim, fez uma série de acusações grosseiras à nossa maior representante do mundo de artes cênicas. Por conta disso, foi alçado à condição de Secretário de Cultura; e, agora, faz algumas indicações que são de assustar – não é?
Esse senhor, que foi indicado para a Fundação Palmares... primeiro, assim, ou tira o nome da fundação de Fundação Palmares ou tira esse cidadão da Fundação. Primeiro, porque suas declarações iniciais, já como nomeado, são frontalmente contrárias ao movimento negro, de um modo geral, que tem em Palmares a sua simbologia maior do ponto de vista territorial, da defesa das manifestações e da expressão da cultura negra no Brasil. Pois ele chega dizendo coisas, assim, que são, verdadeiramente, racistas! Ele diz que o negro, o escravo, se beneficiou, porque o escravo brasileiro saiu da África, que vive lá os problemas, que todos nós conhecemos. Se não tivessem vindos para o Brasil, para a escravidão no Brasil, estariam padecendo das dificuldades da África. Será que esse cidadão sabe que mais de um milhão de irmãos negros dele foram jogados ao fundo do mar? Isso comprovado cientificamente.
Será que sabem como é que foram tratados durante mais de três séculos? Será que sabe, por exemplo, qual é o percentual de negros que estão nos presídios, que estão nas periferias das grandes cidades, envolvidos com a criminalidade? Será que esse cidadão sabe, por exemplo, o preço que os negros pagam, ainda hoje, pela escravidão?
Ele chega a dizer o seguinte: “Não, a escravidão e o tratamento que se dá aos negros no Brasil é um tratamento ‘Nutella’.” Escravo mesmo, tratamento discriminatório acontece nos Estados Unidos, mas é uma série de idiotices que leva o próprio irmão dele a chamá-lo de capitão do mato, e esse cidadão foi alçado à condição de representante da Fundação Palmares.
Sinceramente o que proponho é que se reúnam todos os movimentos negros e que estes possam ir, em grande manifestação, até a Fundação Palmares. Que tirem esse cidadão de lá, nem que seja pelo colarinho, com toda a sinceridade. Se eu não vir o movimento negro tomar uma atitude muito firme em relação a esse cara, é porque são muito frouxos. Vão me desculpar, eu vou dizer isso abertamente. Isso é frouxidão, não é possível que se coloque para representar o movimento negro no Brasil um cara escravagista, que é contra o movimento negro e diz que a “negrada no Brasil é muito assanhada”, coisas desse tipo. Onde é que nós estamos? Aonde é que nós chegamos?
Eu vejo aqui a Vereadora Teresa Bergher, uma guerreira, uma lutadora em defesa do povo de Israel, do povo judeu. Imaginem se colocassem lá na representação dos judeus no Brasil um cara que fosse contra o Holocausto, que criticasse a luta que os judeus travam para que aquilo nunca mais aconteça. Comparativamente é a mesma coisa.
Agora colocaram aqui na Biblioteca Nacional, tirando uma pessoa que eu conheço e que vinha fazendo um trabalho fantástico, que é a Helena Severo, que inclusive foi Secretária Municipal de Cultura, foi a pessoa que montou a Exposição Brasil 500 Anos, que foi um sucesso absoluto... Botaram um cara lá que já entra dizendo que é olavista e que chama o Caetano Veloso de um incentivador do analfabetismo no Brasil e fala um monte de bobagens; e nenhuma iniciativa existe.
É como se a gente tivesse anestesiado. A sensação que a gente tem é de que a gente vive diante de um antigoverno e agora, para finalizar, o governo que se aproximou de forma quase que vassala dos Estados Unidos levou duas cacetadas, com as quais a gente espera que tenha tomado vergonha na cara e aprendido. A primeira quando o Presidente dos Estados Unidos ofereceu apoiar o Brasil para a OCDE e depois indicou a Argentina; e agora com a taxação do aço plano brasileiro em 25%. Estava a 0,9% e vai para 25%, o que vai trazer um prejuízo enorme às exportações de aço brasileiro, para favorecer outros países, porque acha que o Brasil está desvalorizando o real, valorizando o dólar porque quer, porque é vontade do governo brasileiro produzir uma desvalorização astronômica para favorecer as exportações brasileiras, quando na verdade o que está na origem disso são coisas muito mais complexas que a gente podia estar discutindo aqui.
Mas, enfim, lamento tudo isso. Meu tempo terminou, mas eu gostaria de voltar para tratar de um outro tema, já quero me inscrever novamente.

Obrigado.