SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. FERNANDO WILLIAM – Senhor Presidente, colegas vereadores, funcionários da Câmara Municipal, aqueles que nos assistem, boa tarde a todos.
Bom, em primeiro lugar, eu gostaria de fazer aqui um alerta, em tom de crítica, porque eu recebi do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem do Rio de Janeiro uma manifestação até solicitando que eu apresentasse aqui neste debate uma reclamação que eles fazem em relação a uma decisão, que teria sido tomada pela Prefeitura, de suspender o pagamento de insalubridade daqueles profissionais que estão trabalhando em home office por conta, naturalmente, de serem profissionais com maior risco de estarem trabalhando na ponta do sistema. Isso, inclusive, se essa decisão for confirmada, impacta triênios, cálculos que tenham por base a insalubridade, e significaria um prejuízo não só momentâneo, como um prejuízo permanente bastante significativo para esses trabalhadores, que são uns 1.000, aproximadamente.
Eu acho que todos nós, vereadores, conhecemos bem a realidade da situação salarial dos profissionais de saúde do Rio de Janeiro, daqueles que são contratados diretamente. Eu sou médico aposentado do Rio de Janeiro e sei o que isso significa. São profissionais extremamente mal remunerados que, na maioria das vezes, trabalham em condições precárias sob uma pressão imensa, e demonstraram agora na pandemia o nível de comprometimento que têm com a saúde da população, o nível de comprometimento que têm com a própria cidade.
Já não é de hoje que vários vereadores defendem, dão voz aos sindicatos, por plano de cargos, salários e vencimentos desses profissionais, que já não ocorre há muitos e muitos anos. Um médico, por exemplo, que entra na Prefeitura nos dias de hoje vai ganhar um pouquinho mais de R$ 3.000 de salário e vai concluir o seu tempo de serviço com algo em torno de uns R$ 5.000, se não tiver incorporado gratificações e outras vantagens, o que é verdadeiramente um absurdo, prejudica verdadeiramente o serviço. Muitos profissionais acabam, em função dessa situação, principalmente os profissionais médicos, trabalhando em meio tempo, não se dedicando integralmente ao serviço, até porque não teriam condições de se dedicar integralmente ao serviço para ganhar um salário como esse.
Então, fica aqui a minha manifestação de apelo aos vereadores, principalmente aos vereadores que tenham uma influência maior junto ao prefeito, porque essa decisão, inclusive, ao que sei, não foi tomada pela Secretaria de Saúde. Uma vez contactada a secretária Ana Beatriz Busch, o Alexandre e os outros profissionais da área de saúde, eles informaram que isso teria partido da Secretaria de Serviços Compartilhados. Uma ideia estapafúrdia, na medida em que, se as pessoas trabalham em home office durante o período da pandemia, isso se dá por conta da necessidade dessas pessoas de trabalharem nessas condições, e não porque tiveram a intenção de fazê-lo.
Prejudicar esses servidores neste momento é uma injustiça, no meu entendimento, muito grande. Eu espero que o prefeito não esteja sequer sabendo dessa decisão, que tenha partido da iniciativa de alguns técnicos no intuito de reduzir despesas da Prefeitura. Mas, se o fizeram, é bom lembrá-los que fizeram de forma injusta e que vão prejudicar tremendamente esses profissionais de saúde, que são uns 1.000 aproximadamente, e que essa decisão deve ser revertida, inclusive para o salário de junho que está sendo pago agora.
Então, essas são as manifestações que eu gostaria de deixar nesse momento, solicitando que o Senhor Presidente possa conversar com o prefeito e revogar essa decisão, porque é uma decisão, no meu entendimento, injusta e que vai de encontro à premiação que todos os profissionais de saúde deveriam estar tendo pela dedicação, pelo esforço, pela forma com que estão trabalhando durante esta grave pandemia que afeta o Rio de Janeiro e o mundo inteiro.
Muito obrigado.