SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. REIMONT – Olha só. Eu estava ouvindo atentamente. Estava aqui, no Cerimonial, comecei a ouvir o Vereador Tarcísio Motta e corri para cá, porque essa, de fato, é uma preocupação muito grande.
Eu acho, Presidente, que para além das questões regimentais, porque dura lex, sed lex – a lei é dura, mas é lei. A gente não precisa ir muito nessa dimensão da dureza e da crueza da lei. Mas nós podemos ir pelo lado da nossa sensibilidade de homens públicos. Eu tenho clareza, Presidente, de que o Parlamento, amanhã, ao votar a redação final, estará, no entendimento da população carioca, se colocando ao largo das discussões que a cidade tem feito.
A cidade, Presidente, está um caos; está em uma crise nunca vista. O que a gente tem visto aqui... Os servidores da saúde estão aqui reunidos, estávamos conversando com eles, o Vereador Paulo Pinheiro e eu. Os servidores da saúde estão apavorados, porque falta insumo. Porque falta sabão, falta papel, falta tudo nas unidades de saúde. O que a gente está vivendo é um caos que a gente nunca viu nesta cidade.
Então, acho que para além das questões regimentais e legais – como levanta muitíssimo bem o Vereador Tarcísio Motta, e não estou aqui declinando de apoiar a posição dele – mas, Presidente, acho que esta Casa devia dar ao povo do Rio de Janeiro, aos 6,5 milhões de cariocas que nos elegeram para os representar, uma demonstração de solidariedade neste momento difícil. Porque nós sabemos o que é um recesso parlamentar, que começa agora, certamente, no início da próxima semana, e nós só voltaremos a trabalhar no dia 17 de fevereiro. Este Plenário ficará fechado até o dia 16 de fevereiro. No meu entendimento, nesse momento de crise, isso é incompatível com a democracia, incompatível com a nossa representação.
Então, a minha sugestão, Senhor Presidente, é que os vereadores, de fato, pensem e que a gente possa postergar a publicação da redação final do orçamento, para que essa Sessão Legislativa continue, para que a Câmara Municipal possa continuar ouvindo os clamores da população carioca, possa continuar tendo os ouvidos abertos aos clamores do carioca, neste momento de crise que a gente está vivendo. Eu quero dizer aos vereadores e, aqui, não tem nada, não tem nenhum jogo para plateia. Não tem nenhuma fala para, depois, ganhar adesão das pessoas, dos populares, não! É consciência de homem público, por compreender fazermos um recesso de depois de amanhã até o dia 16 de fevereiro, é, na verdade, uma insensatez de homens e mulheres públicos para com a Cidade do Rio de Janeiro.
Então, eu queria a atenção da Mesa Diretora, a atenção da Presidência desta Casa, a atenção de cada um dos vereadores e das vereadoras, para que a gente tenha não a lei como a nossa norma, mas a sensibilidade social,
a solidariedade com o povo do Rio de Janeiro, que tem sofrido tanto com esse momento de crise, que é preciso ser dito, por causa da desorganização, por causa da desgovernança do Prefeito Marcelo Crivella.
Então, Senhor Presidente, eu queria solicitar que a gente tivesse um pouco esse entendimento porque não dá para irmos para um recesso com a cidade em pandarecos, como está a Cidade do Rio de Janeiro.