SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. REIMONT – Senhor Presidente, senhoras vereadoras e senhores vereadores, quero cumprimentar também os trabalhadores da Câmara, cumprimentar a todo mundo que nos acompanha, a todo mundo que, de forma remota, tem se preocupado com os rumos da cidade – e não são poucas as pessoas, Presidente, que acompanham nossas transmissões. Quero, assim, também parabenizar o pessoal da área técnica. Quero também cumprimentar o Vereador Carlo Caiado, que retorna ao nosso convívio. Cumprimentar o Vereador Rocal e agradecer a ele, um pouco no mesmo caminho que Vossa Excelência o cumprimentou pela qualidade do trabalho dele. O Vereador Rocal se destacou como um secretário do diálogo, um secretário operante, um secretário que deu conta do recado muito bem. Então, cumprimentar o Vereador Rocal e dar boas-vindas também ao Vereador Caiado.

Senhor Presidente, senhores vereadores, vereadoras, quero tocar num ponto que, para mim, é um ponto de convergência com o Vereador Tarcísio Motta, quando ele fala da questão da cultura. A minha Comunicação de Liderança hoje, durante o Expediente, será exatamente sobre isso. Então, dizer que o Vereador Tarcísio levanta, de maneira muito coerente, esse tema nesses tempos em que, por exemplo, no Rio de Janeiro, nós tivemos um violonista, que é um ícone para nós, aqui no Rio de Janeiro, dizendo que venderia seu violão para comprar comida. E, felizmente, os colegas se organizaram e fizeram os movimentos das “vaquinhas” e conseguiram impedir que ele se desfizesse de seu instrumento de trabalho. Mas sobre isso eu vou falar durante a minha Comunicação de Liderança, a partir das 16 horas.

Eu queria falar agora, Presidente, e chamar a atenção dos vereadores, e pedir aos vereadores uma atenção muito especial sobre um projeto de lei nosso que está hoje em pauta e que certamente virá a Plenário para voto, que é o projeto de lei que cria o programa de combate ao coronavírus nas favelas. De acordo com o Observatório de Favelas, aqui no Rio de Janeiro tivemos mais mortes em favelas do que em muitos estados brasileiros. E nós sabemos o que é a precariedade dos serviços de saneamento, dos serviços de ventilação, de aeração, dos serviços sanitários nas comunidades de favelas.

Por isso, nós nos demos as mãos, o nosso mandato, algumas lideranças da cidade, lideranças do movimento de favela. Eu estive conversando com o pessoal do Observatório de Favela do Jacarezinho, conversando com algumas pessoas do Vidigal, da Rocinha, da Maré, do Alemão, e com o pessoal que se envolve em movimentos políticos nas organizações das universidades também.

Esse projeto de lei foi um projeto construído a muitas mãos. Eu compreendo que a aprovação desse projeto hoje é uma sinalização que nós, vereadores e vereadoras, faremos e daremos à cidade de que a Câmara tem preocupação com os mais empobrecidos. Nós sabemos que essa enfermidade, essa pandemia chega, ao Rio de Janeiro e ao Brasil, pelos corpos das pessoas mais abastadas da classe média e das elites. Sabemos que, com o contorno das desigualdades que existem na nossa cidade, hoje, as pessoas que mais morrem são as mais pobres, exatamente por conta das questões sanitárias.

Para se ter um exemplo, exige-se que as pessoas higienizem suas mãos com álcool em gel ou com água e sabão, água e sabonete. Nós ainda temos – pasmem –, na Cidade do Rio de Janeiro, lugares aonde a água potável não chega. Nós sabemos da dificuldade das pessoas em comprar alimento para as suas casas, porque tanto o Governo Federal quanto o Estadual e o Municipal não estão dando conta por projeto, não porque não têm condições, mas porque o seu projeto não tem sido um projeto de cuidar da questão da proteção social.

Nós sabemos que esse projeto é importante por conta disso. Quem mais tem morrido são os mais pobres na nossa cidade. A morte tem ceifado mais a vida dos mais pobres. Então, eu queria convidar os vereadores a fazer essa reflexão: hoje, não titubeiem em relação ao projeto de lei que cria o Programa de Combate ao coronavírus nas Favelas.

Já apareceu aqui que está faltando um minuto, e já estou encerrando para não ultrapassar meu tempo, mas quero dizer que nós fizemos um amplo diálogo com a Comissão de Justiça e Redação, que nos orientou – e sou muito grato ao Vereador Thiago K. Ribeiro e à sua equipe de assessores – para que fizéssemos alguns ajustes, e todos os ajustes foram feitos.

Portanto, hoje eu conto com as senhoras vereadoras e com os senhores vereadores para darmos esse passo importante e aprovarmos o projeto de lei que cria um programa de combate ao coronavírus nas favelas do Rio de Janeiro.

Muito obrigado, Senhor Presidente. Tenhamos todos uma boa tarde de trabalho.