SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

A SRA. TERESA BERGHER – Boa tarde, Senhor Presidente, senhores vereadores, funcionários desta Casa, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, e todos aqueles que nos assistem.
Inicialmente, eu queria fazer uma breve referência às palavras do Vereador Fernando William sobre a questão dos conselhos tutelares. Quando passei pela Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, constavam também os conselhos tutelares em sua estrutura. Se é uma coincidência ou não, não saberia responder. O fato é que o Prefeito, quase que imediatamente, logo no início da sua gestão, chamou para o guarda-chuva de seu gabinete os conselhos tutelares. Então, acabaram ficando no Gabinete do Prefeito. Não sei exatamente o porquê. Agora, essa denúncia, que é uma denúncia grave e que tem que ser levada em conta, sim, mas é de estranhar também.
De qualquer maneira, eu não poderia, Senhor Presidente, deixar de fazer a minha observação em relação à questão do que está acontecendo nas nossas escolas. Infelizmente, o Prefeito vai, vem; um dia é cartão de R$ 100,00, agora R$ 50,00; a questão da cesta básica, porque ele anunciou – e eu vi no RJ TV – que todas as crianças estariam recebendo cesta básica a partir de segunda-feira retrasada, o que é uma inverdade. Eu recebo inúmeras denúncias. Recebi a mesma denúncia da Maré, Vereador Tarcísio Motta, de uma outra diretora de escola também, além da Escola Paraná, em Cascadura, cuja diretora ficou em uma situação absurda, a mesma coisa que aconteceu na Maré.
Mobilizaram os professores que têm o grupo do WhatsApp dos pais dos alunos para que avisassem que seriam entregues as cestas básicas na sexta-feira. Os pais dos alunos foram para as portas da escola na sexta-feira e, absolutamente, a cesta básica não chegou. No sábado, pela manhã, a CRE resolveu distribuir algumas cestas básicas, mas em turmas, senhores vereadores e Senhor Presidente. De 30 a 35 alunos, quatro ou cinco crianças – e até três crianças – receberam a cesta básica. Então, acho que o Prefeito precisa olhar isso com atenção e respeitar, sim, as nossas crianças. Tem criança passando fome, Senhor Presidente, pois o único alimento que ela tem é exatamente a merenda escolar, e com quatro meses sem merenda... E mais uma pergunta: para onde estão indo as verbas da merenda escolar? É uma outra pergunta.
Também manifestar aqui a minha preocupação com o retorno às aulas a partir dos primeiros dias de agosto. Eu acho que é de uma irresponsabilidade absoluta. Nós temos assistido – assisti hoje, pela manhã, inclusive – à confusão que se formou nas filas de ônibus. Embora exista um protocolo, embora o prefeito tenha, em um dos seus decretos, estabelecido normas de conduta em relação aos ônibus, de que apenas 12 passageiros pudessem viajar em pé, a gente sabe que isso não está acontecendo. As filas são imensas.
Então, acho um perigo, um risco enorme para as nossas crianças. O senhor já imaginou quando as crianças retornarem? Afinal de contas, são 640 mil alunos, mestres, toda a estrutura da escola. E, mais, Senhor Presidente: as empresas, se o prefeito está pensando no retorno às aulas, a primeira coisa que ele deveria fazer era se entender com as empresas de ônibus. Sim, Senhor Presidente, pois reduziram de uma forma drástica os números de veículos na cidade. A ganância tomou conta, ou melhor, sempre existiu. Mas, agora, em um momento tão crítico, o prefeito tem obrigação de conversar com os donos das empresas de ônibus, de exigir que as garagens, que estão lotadas de veículos, e exigir que esses veículos voltem a funcionar para que possam atender à população de forma digna. Sim, Senhor Presidente, as pessoas ficam duas horas; trabalhadores ficam duas horas no ponto de ônibus, porque não têm mais ônibus. Há linhas que reduziram para 30% o número de veículos. É uma vergonha!
E isto é função do prefeito, sim. Ele tem de dar solução a uma questão que é grave e que se tornará gravíssima no retorno às aulas de nossas crianças.
Obrigada, Senhor Presidente.