SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. FERNANDO WILLIAM – Boa tarde a todos, meus cumprimentos aos colegas vereadores, ao Presidente, àqueles que nos assistem. Eu queria começar minha fala hoje expressando parabéns, carinho, respeito, amor a nossa queridíssima Vereadora Rosa Fernandes. Essa que tem sido um exemplo de companheira, exemplo de vereadora para todos nós. Receba as minhas homenagens.
Em segundo lugar, eu acho importante destacar que hoje é o Dia Internacional da Língua Portuguesa. A língua saudada por Camões e que tem poema de Olavo Bilac, uma frase bastante interessante: "Última flor do Lácio, inculta e bela", porque, quando o Império Romano está tomando a Europa, a última região que encontrou e que ocupou foi a região de Portugal, e ali instalou o latim; e ali o latim se desfez, de certa forma se misturando com a língua portuguesa. Eu faço essa citação para que, pelo menos, no dia de hoje, a gente tenha todo cuidado para tratá-la da forma que ela merece. Sem “impressionante” com “c”, “ç”.
A outra coisa que eu gostaria de colocar, e é claro que eu estou sinalizando ao Vereador Babá, ao Vereador Leonel Brizola e também ao Vereador Paulo Pinheiro, é que a questão do Vereador Paulo Pinheiro é um absurdo, não tem nenhuma explicação; ao contrário, é um contrassenso colocar aquele tomógrafo no topo do Morro da Rocinha, quando você tem Rinaldo de Lamare lá embaixo, que poderia não só atender toda a comunidade da Rocinha, como atender parte da comunidade do Vidigal e aquela região toda. Então, não há o menor sentido, a não ser nos trazer a sensação que aquilo foi colocado ali para vincular o atendimento médico da população à Igreja Universal, que eu acho que é um absurdo total, completo, uma inconstitucionalidade aberrante.
Eu espero que a gente trate disso da forma que precisa ser tratado. E o Ministério Público já vem tratando. Que isso evolua para que novos acontecimentos como esse não venham a ocorrer, porque prejudicam a população. A população da Rocinha está sem ter um tomógrafo porque resolveu-se colocar um tomógrafo no lugar que não deveria ser colocado. Aliás, deveria estar proibido constitucionalmente de ser colocado.
Da mesma maneira, a questão colocada pelo Vereador Babá, que é um absurdo total, inaceitável. Eu, sinceramente, não sou daqueles que acham que o crime não tem que ser combatido, que desvaloriza o papel da polícia. Não sou nada disso. Eu acho que a boa polícia, a polícia séria, a polícia correta, que investiga e que procura punir os malfeitores da sociedade, ainda que grande parte dos malfeitores da sociedade seja fruto da própria condição que a sociedade lhes impõe e que não lhes dá alternativa que não o caminho do mal... Mas, mesmo assim, quando ocorrem fenômenos como esse, como ocorreu por parte da Polícia Federal – nem sei exatamente por quê –, em que se invade uma casa jogando bombas, atirando mais de 70 tiros e matando uma criança de 14 anos de idade, é como se isso fosse notícia, dois dias de notícia. E acabou. Queria ver se fosse filho, por exemplo, de um deputado, se fosse filho de um vereador, se fosse filho de uma autoridade importante, se fosse filho de alguém, enfim...
Eu lastimo profundamente que atitudes como essa continuem a ocorrer e, como disse o Vereador Babá, só ocorrem nas comunidades pobres. As comunidades pobres, eu acho que, como todas as outras comunidades, precisam ser investigadas, os malfeitores – volto a dizer – precisam ser punidos, precisam ser presos, se estiverem cometendo crimes. Mas isso tem que ser feito de uma maneira a preservar, a entender que ali vivem pessoas de bem, como esse menino, por exemplo.
Destruiu-se o sonho de uma criança, destruiu-se o sonho de uma família e nada vai acontecer possivelmente, não vai cair na ilicitude não sei de quem. E vida que segue. Então, o meu protesto é em relação a isso.
Se houver tempo – essa campainha aí, aliás, ficou horrível, vê se inventa outra coisa para tentar encerrar a fala das pessoas, mas, enfim...
Quero voltar ao debate e ver se a gente não trata mais disso. Essa história da cloroquina que foi posta goela abaixo como protocolo da medicina para que ela seja utilizada. Eu não quero dizer mais uma vez que existem trabalhos que indicam que a cloroquina tem algum efeito. Como eu já citei o trabalho de um grande pesquisador francês.
Existem trabalhos da Universidade de Colúmbia, talvez uma das maiores universidades do mundo, que indicam que a cloroquina não tem nenhum efeito. Ao contrário, traz problemas aos pacientes com contraindicações cardíacas, hepáticas e visual. Mas eu, pessoalmente, pelo menos na fase inicial, uso a cloroquina, quando sou consultado.
E, assim, aparentemente, na fase inicial, você consegue alguns resultados, se você considera a média dos atendimentos que você faz. Então, eu uso. Agora, o absurdo total é que o Presidente da República, com tantos e tantos problemas para discutir, insista em colocar como protocolo. Ele que é um militar, portanto não entende nada. Tem o ministro também, é outro militar. Tem toda assessoria, que é militar, que não entende nada do assunto. Ninguém quis assinar o protocolo. Médico não quis assinar, porque não é maluco, e ninguém lá dos militares quis assinar.
É um protocolo não assinado, portanto sem validade, suponho, e que gera um debate secundário, um debate que não tem sentido, sem pé nem cabeça.
Então, essas seriam minhas manifestações. Obrigado.