Discurso - Vereador Leonel Brizola -

Texto do Discurso

O SR. LEONEL BRIZOLA – Obrigado, Senhor Presidente. Quero elogiar a iniciativa do nobre Vereador Renato Cinco sobre esse Seminário Internacional do Meio Ambiente. É de suma importância, senhoras e senhores, que a gente tenha esta agenda como prioridade da agenda política. E o meu discurso, Renato, é uma questão que eu vou falar sobre a água, que é uma questão prioritária. Eu quero colocar aqui o meu repúdio ao Projeto de Lei nº 3.261/2019, que está em Brasília, e visa justamente à privatização da água, ou seja, a água como commodities. E, aí, nós não podemos permitir que esse crime de lesa pátria, além dos diversos outros cometidos pelo “BolsoNero” e o seu “ministro da deseconomia” Paulo Guedes, porque só no Rio de Janeiro nós vamos ter, no mínimo, mais de 10 milhões de pessoas afetadas diretamente, Senhor Presidente. É um projeto concebido pelo Senador “Tasso Coca-Cola”. Um representante da Coca-Cola no nosso país. Vocês já perceberam que a Coca-Cola, Renato Cinco, tem comprado no mundo inteiro água? Aliás, essa água que a Coca-Cola vende aqui sequer é água, é manipulada quimicamente. E o mundo inteiro está na contramão desse processo.
No Chile, onde a água foi privatizada, as pessoas tem que escolher entre tomar banho ou cozinhar. Sabe quanto que cada chileno de Valparaíso tem direito à água por dia, Senhor Presidente? Equivalente a cinco minutos de ducha diária do brasileiro. Cinco minutos é o equivalente de água que ele tem direito, por conta da privatização. Tudo isso por conta de que? Das commodities! Essa que é a grande questão do nosso país. E nós temos que parar e fazer uma reflexão profunda de que país nós queremos para o futuro. Porque nós temos que entender o que significam commodities e o que significa o valor humano.
Você pode comprar essa caneta. Você vai comprar essa caneta por R$ 20,00 ou R$ 30,00. Se for uma caneta boa, você paga até R$ 100,00. Tem gente que R$ 1.000,00, não é? Paga. Esse celular que é a última modernidade... Éramos comprados com espelho e hoje nos compram com essa tecnologia, embora a matéria prima seja nossa e não possamos fabricar. Quanto você pagaria por um celular, Senhor Presidente? Quanto é que vocês pagariam, US$ 100, US$ 200, US$ 300? Agora eu pergunto: Quanto que você pagaria pela sua vida? Quanto que você pagaria pela sua vida? Tudo! Não tem preço, não tem preço.
Então é grave o que nós estamos assistindo em Brasília: o desmonte do Estado brasileiro. Projetos maquiavélicos de destruição total do pleno emprego, dos nossos recursos energéticos e do desenvolvimento do país. Eu falo isso porque o Rio de Janeiro é extremamente dependente do Governo Federal, extremamente dependente dos repasses das verbas do Governo Federal para o Rio de Janeiro. E o que o Rio de Janeiro tem feito?
Olha, o nosso governador, a única coisa que faz é visitar batalhão da polícia e se vestir fardadamente de militar. Não sei, acho que de repente o governador deve ter certo fetiche pela farda. Não sei, deve ser uma coisa pessoal dele.
E o nosso prefeito faz o que? O nosso prefeito só sabe rezar para a igreja dele. É um verdadeiro tocador de harpa. Tudo para dentro da Universal. Só para dentro da Universal.
Então, Senhor Presidente, me preocupa muito esse projeto porque nós temos aqui a questão da Cedae, uma empresa que dá lucro, que leva água. Inclusive, Niterói compra água da Cedae mais barata para revender mais cara. Algumas pessoas mal-informadas, querendo dizer: “Não, mas Niterói privatizou a água”. Mentira! Compram água da Cedae. Compram água da Cedae e revendem mais caro.
Então, olha, muito preocupado com os rumos do país. Nós não temos um projeto nacional. Nós temos um presidente fraco, incompetente e que governa por meio de fake news e de mentiras...O SR. LEONEL BRIZOLA – ... incompetente e que governa por meio de fake news e de mentiras, ou de discurso de ódio. Discurso de ódio esse para quê? Propositalmente para atacar as minorias e, ao fundo, retirar direitos das minorias. Criminaliza-se. Os slogans são sempre: “vagabundo”, “petralha”, “esquerdopata”! São os mesmos. Tudo isso, de fato, é para esconder esse projeto maligno de desmonte do Estado brasileiro.
Ora, não era o Trump a solução do país para os bolsonaristas? E agora o Trump taxa o aço brasileiro. Faz arminha! Faz arminha! “Ah, não tem problema se o dólar for a R$ 5,00”. Como que não tem problema? A nossa economia é indexada ao dólar!
A gente está importando álcool dos Estados Unidos. Importando trigo e diesel. É um absurdo completo! A gente está importando álcool do milho, que é o etanol americano, que compete com a comida. Não nasce um pé de cana nos Estados Unidos, Senhor Presidente. Não nasce um pé de cana. No entanto, qual é a resposta do Governo? “Olha, se o Trump vai taxar, ele está certo. O Trump está certo. Agora a gente é grande para brigar de grande.”.
Não, eles vão entregar mais. Hoje anuncia-se a privatização do Banco do Brasil. E a privatização total das estatais brasileiras. Olha os Correios! Esse absurdo da privatização dos Correios.
Já pararam para pensar o quanto isso vai impactar a Cidade do Rio de Janeiro? São mais de 10.000 funcionários só dos Correios. Postos, agências, locais onde, inclusive, você pode acessar a sua aposentadoria, receber a sua aposentadoria.
Os Correios estão em todos os municípios do país. São mais de 5.000, 5.700 postos, se não me engano. Os Correios estão em todos os municípios do país. Em locais onde não há banco e, mesmo assim, o aposentado pode retirar sua aposentadoria. O produtor rural pode, inclusive, pegar financiamento nas agências dos Correios.
E o valor do frete? Chega a ser absurdo! A gente fez uma simulação do frete nacional. Eu quero ver se ainda consigo achar aqui. Você imagina que você vai fazer um frete. Você vai fazer do Rio de Janeiro a São Paulo para o Acre. Ora, uma origem de São Paulo para o Acre. Fizemos a simulação nos Correios e nas outras empresas, Senhor Presidente, para vocês terem uma ideia do custo, sendo que há um aumento exponencial da compra pela internet – os Correios tiveram um resultado de R$ 7 bilhões o ano passado. De São Paulo para o Acre, um pacote de 5 kg custa R$ 140,00 pelos Correios. Pela empresa americana, neste Governo lambe-botas do Trump, de São Paulo ao Acre: R$ 209,00. E se você vai a outra americana, a DHL, de São Paulo ao Acre são R$ 351,00, Senhor Presidente. Quer dizer, é o cúmulo do absurdo. Isso vai ter um impacto econômico absurdo no nosso país, na Cidade do Rio de Janeiro.
Então, nós temos por obrigação fazer esta discussão. O Rio de Janeiro, hoje, é o pior estado do país, porque não recupera o emprego. E a capital apresenta índices piores ainda.
Eu concluo, Senhor Presidente, para escutar meus outros companheiros e dizer que me assusta muito este Governo Federal. São incompetentes, ineptos e vão levar o
país à bancarrota. É esse o projeto!