SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. FERNANDO WILLIAM – Eu gostaria de cumprimentar Vossa Excelência, cumprimentar meus colegas vereadores, cumprimentar aqueles que nos assistem. Quero aproveitar a homenagem que o Vereador Dr. Carlos Eduardo fez aos bombeiros no dia de hoje, a esses profissionais que possuem o maior reconhecimento da população. Eu diria que, talvez no mundo inteiro, são profissionais que se dedicam a salvar vidas, colocando a sua própria vida em risco, que merecem todo o nosso reconhecimento, respeito e homenagem.
Mas eu gostaria de falar, Senhor Presidente... primeiro, para passar o que tem movido minha atuação na Câmara, porque tenho absoluta independência, que eu aplauda a decisão da Prefeitura de mandar demolir aqueles prédios que vinham sendo construídos de forma absolutamente irregular, perigosa, em desrespeito à legislação municipal, ali atrás da Gardênia Azul. Mais de 21 prédios que, a partir de decisão judicial, a Prefeitura decidiu... Colocou em prática, certamente, com a participação de sua Procuradoria, com a participação da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Habitação e Conservação, a demolição daquelas unidades. Que isso sirva de exemplo, que se estenda a outras áreas da cidade, onde movimentações semelhantes estão sendo realizadas, onde as pessoas constroem absolutamente de forma irregular e a gente sabe quem está por trás disto, que organizações estão por trás disso, transformando a cidade em uma verdadeira bagunça, em uma verdadeira desordem, para além da desordem natural, que são as comunidades pobres – mas estas sem outra alternativa. Então, vai o meu cumprimento ao prefeito e à Prefeitura de um modo geral, por essa decisão.
Outra questão que eu queria colocar, de certa forma adiantando um debate que provavelmente teremos hoje, senão hoje, na próxima Sessão Legislativa, que é o projeto do Vereador Reimont. Ele trata da questão de uma medida específica, ainda que tardia, em relação à prevenção do coronavírus nas comunidades pobres. E tem levado alguns colegas vereadores a se manifestarem de uma forma quase...
A sensação que me dá é de certa raiva em relação à Federação de Favelas do Rio de Janeiro, dizendo que aquilo seria como se fosse um aglomerado de esquerdistas. Eu não vejo o colega que tem se manifestado a esse respeito presente para que a gente possa debater, mas eu tenho dito por alto, e hoje quero dizer de forma mais clara, com um pouquinho mais de tempo, que esse vereador precisa conhecer a Federação das Associações de Favelas do Rio de Janeiro na prática. Precisa, quem sabe, dispor de uma parte do seu tempo para ir à sede, que fica na Praça da República, para conhecer o funcionamento da instituição, conhecer seu presidente, que é um companheiro de luta de muito tempo. O Rossini trabalhou, inclusive, na Câmara com o Vereador Sami Jorge. Depois disso, se afastou da atividade política e se dedicou integralmente à Federação.
Hoje, a Federação tem a representação de diversas comunidades pobres do Rio de Janeiro. É natural e esperado que essas possam ter uma posição de autodefesa e, ao se colocarem assim, entram em confronto com aquilo que imaginam ser uma ação fora de controle ou uma ação violenta, desproporcional, da atividade policial. Muitas vezes, isso provoca a morte de moradores, oprimidos pelos próprios bandidos da comunidade.
Ainda que os bandidos sejam uma sequela da miséria que nós vivenciamos em nosso país, é preciso também reconhecer que eles fazem uma opção num determinado momento de suas vidas, talvez por falta de outras... mas na medida em que fazem a opção pela violência e pela bandidagem, precisam ser enfrentados. E cabe à polícia, por meio da inteligência e das medidas que são próprias de uma polícia, que não deve existir apenas para violentar, agredir, que seja capaz de prender e, no limite das possibilidades, até recuperar aqueles que possam ser recuperados.
Quero concluir dizendo que é natural, nos encontros da Faferj, os integrantes defenderem os moradores das comunidades contra a violência muitas vezes insensível da polícia; mas isso não significa dizer que seja uma instituição politicamente de esquerda, de direita ou de centro. Muito pelo contrário! É uma instituição de representação da sociedade, como qualquer outra que pode, por conta da própria natureza da sua representação, ser um pouco mais de esquerda ou um pouco mais de direita, mas que tem que ser reconhecida como representação legítima das comunidades pobres.
Então, eu gostaria de colocar isso e chamar para o debate o vereador que normalmente, toda vez que se apresenta para tratar desse tema, trata a Faferj como se fosse de um partido qualquer ou de um grupo de partidos, quando ele está absolutamente equivocado. Eu posso inclusive comprovar com nomes que há muitos integrantes da Faferj que votaram no Bolsonaro, no atual Presidente, sem ter nada a ver com política partidária.
É isso, muito obrigado.