ORDEM DO DIA
Pela Ordem



Texto da Ordem do Dia

O SR. FERNANDO WILLIAM – Bom, eu acho que às vezes a gente vai votando aqui requerimentos sem saber exatamente o que significa o nosso voto. É claro que a gente respeita a vontade de cada vereador aqui, a intenção ao propor comendas, por exemplo. Eu tendo a votar quase sempre favorável, mesmo que seja contrário àquele que esteja sendo homenageado, porque isso é uma praxe. Porque muitas vezes eu homenagearei eventualmente alguém que discorde ideologicamente de outros que votarão. Então isso aqui é quase que respeito ao colega. Mas, quando se trata de uma figura como Olavo de Carvalho, é mais ou menos como se a gente tivesse votando uma Medalha Pedro Ernesto, uma comenda ao capeta, ao diabo com rabo, com chifre e tudo e que, por coleguismo, votássemos.
Porque o Senhor Olavo de Carvalho, que aliás foi chamado de pilantra profissional pelo general Santos Cruz anteontem num debate, é um farsante, é uma farsa intelectual. É alguém que, por exemplo, acredita que a Terra é plana, que contesta as leis de Newton, as leis de Einstein e consegue fazer a cabeça de um conjunto enorme de cidadãos completamente “cabeça vazia”, que não entendem nada de filosofia, nada de economia, nada de porcaria nenhuma e que tem transformado o país nessa situação em que nós estamos vivendo. Não é nem do ponto de vista econômico, não.
Se nós perdemos a eleição para pseudoliberais ou liberais, que sejam – ou ultraliberais –, tudo bem. Faz parte do jogo democrático. Agora, nós terminamos de votar aqui a comenda para um sujeito que está impedido de vir ao país receber a comenda porque deve pensão alimentícia, porque tem uma série de dívidas com a Receita.
Então, nós votamos a comenda para entregar a alguém que sequer pode recebê-la no Brasil, um cara que é contra vacinar nossas crianças, que não colocou seus filhos na escola porque achar que é imbecilidade. Eu acho que a gente tem que ter certo cuidado para não desmoralizar a imagem Poder Legislativo.
Tudo bem, não quer votar, sai, não dá quórum, mas votaram a favor de uma situação como essa, eu acho que é bastante complicado. Registro com contundência que a gente não pode, em situações como essa, brincar.
Eu sei que tem uns colegas aqui, o próprio autor, legitimamente acha que tem que dar medalha a um cidadão como o Olavo de Carvalho. Agora, colegas médicos votarem a favor de um cara que é contra a vacina, colegas que são vinculados à educação serem a favor de um cara que acha que a educação pública não tem sentido porque é uma forma de ideologizar as pessoas; que é contra, por exemplo, as leis de Newton, espaço é igual à velocidade vezes tempo.
Cá entre nós, a gente tá chegando... é isso mesmo, eu estou vendo até um assessor fazendo não com a cabeça, mas é isso mesmo. Vai ler lá “O Imbecil Coletivo”, “Jardim das Aflições”. Até porque eu faço questão de ler essas idiotices, essas farsas.
Quem não entende direito o que está lendo, pega a porcaria lá... o cara fala sobre Sócrates e acha que o cara tá falando sobre Sócrates de uma forma correta, verdadeira. Como não leu Sócrates, não sabe porcaria nenhuma a respeito, acredita naquilo, então vai lá e lê Sócrates, vai lá e lê Platão, vai lá e lê os filósofos importantes que ele cita usando a neurolinguística, tergiversando, mentindo, tratando de uma forma equivocada para fazer a cabeça de idiotas e esses idiotas conduzirem nosso país. É isso que está acontecendo.
Pelo amor de Deus! O que ele escreveu em “O Imbecil Coletivo” é verdade: ele é um construtor da imbecilidade coletiva.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Obrigada, Vereador Fernando William.

O SR. ÁTILA NUNES – Pela ordem, Presidente.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Pela ordem, Vereador Átila Nunes, que dispões de três minutos.

O SR. ÁTILA NUNES – Será rápido. Na verdade, é um registro, eu não costumo muito interromper a sessão, então, se alguém já mencionou isso, eu não peço desculpas, mas eu gostaria...
Na última segunda-feira, o nosso querido amigo Felipe Michel fez uma belíssima homenagem aqui, mas infelizmente ocorreu um episódio que já saiu na imprensa e hoje eu vi uma iniciativa positiva por parte da Mesa. Quando tiver uma solenidade aqui, nós estamos no poder. Uma república tem que respeitar os poderes.
Nós não podemos permitir que alguém representando o Poder Executivo queira mandar aqui dentro desta Casa, dizendo onde o vereador entra ou não. Então, eu gostaria de primeiro parabenizar, se a nota for verdadeira, que a Mesa está preocupada com o caso de uma nova solenidade envolvendo autoridades do Poder Executivo, para que o nosso cerimonial esteja à frente, o tempo todo, do que ocorre aqui dentro da Casa.
Agora, o que não pode é um vereador ser impedido de entrar em uma dependência da Casa porque a segurança do Poder Executivo não permitiu. Se essa segurança quer mandar quem pode ou não pode entrar em algum lugar aqui, tem que se fazer na casa dele, no Poder Executivo, no Palácio.
Quando nós vamos, visitamos, estou aqui ao lado de um Prefeito de três mandatos, assim, nós seguimos o que diz a Prefeitura. Mas, na nossa casa, quem manda somos nós.
Para completar, muito estranho que isso só aconteceu com um colega nosso por duas vezes no mesmo dia, o que nos faz, até como presidente da Frente Parlamentar de Combate à Intolerância, o que nos faz inclusive especular o porquê o mesmo vereador foi barrado duas vezes.
Muito triste esse episódio. Esta aqui é a Casa do Povo. Eu tenho certeza de que os 51 vereadores não aceitam esse tipo de atitude.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Vereador Átila A. Nunes, a Presidência concorda plenamente com as palavras de Vossa Excelência. O Presidente Jorge Felippe já se manifestou.
Os seguranças responsáveis – os dois coronéis responsáveis pela segurança da Casa – também já fizeram suas justificativas. As providências já estão sendo tomadas.

O SR. LEONEL BRIZOLA – Pela ordem, Senhora Presidente.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Pela ordem, o nobre Vereador Leonel Brizola, que dispõe de três minutos.

O SR. LEONEL BRIZOLA – Obrigado, Presidenta.
Senhoras e senhores, primeiro quero me solidarizar com o Vereador Tiãozinho do Jacaré, porque foi barrado aqui duas vezes. Fica claro que o governador é uma pessoa autoritária, ausente de ideias e trouxe seu autoritarismo aqui pra dentro do Legislativo. Ficou claro isso. E fica claro como é o corte social na sua segurança pública: é o ódio aos pobres e negros. Minha solidariedade. Parabenizo o Vereador Átila A. Nunes pela coragem desse pronunciamento.
Agora, Senhora Presidenta, o que me traz aqui, de fato, é o meu repúdio à homenagem a alguém... Antes de tudo, eu queria lembrar uma questão a cada um dos vereadores que está aqui. Quando nós tomamos posse, nós fazemos um juramento pela democracia. Esse cidadão – que sequer pode ser chamado de cidadão –, que vocês agora homenagearam, prega o golpe militar. Então, vocês acabaram de rasgar o diploma de vocês.
Eu fico mais impressionado de ver médicos votarem a favor dessa excrescência. O médico que votou favoravelmente à homenagem a Olavo de Carvalho: rasgue seu diploma de médico, porque não serve para ser médico. Não serve! Rasgue esse diploma.
Não tem mais legitimidade alguém que endossa uma homenagem a esse tipo de pessoa. Alguém que prega o golpe, que diz que a Terra é plana e que promove uma campanha contra a vacinação no mundo inteiro – picos de sarampo, epidemia de sarampo nos Estados Unidos. E é fruto desse fundamentalismo picareta, que traz pessoas como essa. Vou finalizar e faço um desafio ao vereador que votou favoravelmente vir defender esse canalha, que foi homenageado agora, Olavo de Carvalho.