Discurso - Vereador Dr. Eduardo Moura -

Texto do Discurso

O SR. DR. EDUARDO MOURA – Senhor Presidente, senhores vereadores, assessores, imprensa, técnicos e funcionários da Casa, telespectadores da TV Câmara: volto a ocupar esta tribuna aparentemente para falar de um tema acadêmico da área da saúde. Porém, os senhores e as senhoras poderão constatar, no correr da minha fala, que este tema tem uma importância muito maior do que um academicismo ligado àquilo que nós dizemos ser a temática de alguma doença.

Eu vou falar aqui, hoje, sobre algo que preocupa profundamente a nós, médicos, e eu gostaria de dividir isso com as senhoras e com os senhores; trata-se de uma das maiores queixas que eu recebo, não como pediatra, pois não é uma doença da área da pediatria, mas, como sanitarista, eu recebo queixas sobre ela no dia a dia: é a artrose. Eu fico preocupado, porque é uma doença que atinge 15 milhões de pessoas no Brasil – 15 milhões de pessoas! Isso, segundo dados do Ministério da Saúde.

É uma das principais causas de afastamento do trabalho. Cerca de 7,5% de todos os afastamentos do trabalho se devem a artrose. É a quarta causa, Senhor Presidente, que mais determina aposentadorias em nosso país.

Então, quando nós falamos sobre um tema dessa ordem, nós sempre temos que ter a preocupação também sobre o que é que isso vai representar de economia, se tivermos um trabalho de diagnóstico preciso e de tratamento, que permita que seja postergada essa aposentadoria e que seja também dificultada a ausência ao trabalho com um tratamento, uma prescrição bem feita, um diagnóstico bem feito. Eu repito: quarta causa que mais determina aposentadorias em nosso país. É muita coisa! É um número muito alto!

Nós sabemos que a artrose é algo que faz com que as pessoas tenham uma dificuldade enorme, no seu dia a dia, inclusive para andar, para deambular. É uma doença onde ocorre um desgaste da cartilagem e que faz com que as pessoas também tenham, por causa desse desgaste, um aumento daquilo que nós, médicos, chamamos de osteófitos, que é o bico-de-papagaio, que também provoca dores incríveis nas pessoas.

Eu acho importantíssimo que todos os níveis e todas as instâncias de secretarias municipais, estaduais, Ministério da Saúde possam ter um olhar diferenciado, se não for em função do sofrimento que as pessoas sofrem, que as pessoas passam, se não for por isso, que seja por causa de algo ligado à economia. Às vezes, é mais fácil de resolver o problema, porque, se, porventura, forem adotadas atitudes de reduzir o gasto com determinada doença, talvez isso faça com que haja um olhar mais amorável no que tange a essas pessoas que sofrem tanto. Como eu disse, essa doença tem como os fatores de risco algo que é comum hoje em dia, que é a idade avançada. Conforme o tempo vai passando, as cartilagens vão se gastando e, consequentemente, isso faz com que as pessoas tenham uma dificuldade maior para poder fazer a extensão dos membros, sentem muitas dores e a longevidade está aí. Nós estamos tendo um aumento da longevidade, felizmente, mas, por outro lado, tem que haver políticas públicas da saúde que visem a dar atendimento para as pessoas que são acometidas dessa doença.

Isso não acontece somente com a artrose. A artrose ainda tem uma vantagem, paradoxalmente, que eu vou dizer: ela tem dor.

Pior ainda é a osteoporose, que não traz dor, é uma doença silenciosa. Pior ainda, porque o diagnóstico da osteoporose é mais difícil, depende de a pessoa fazer exames de imagem, que não são exames fáceis de conseguir no Sistema Único de Saúde.

É muita gente que está sofrendo com isso. No caso da osteoporose, com riscos de fratura.

Eu quero deixar isso aqui registrado. Aproximadamente 1,6 milhão de pessoas têm fraturas de quadril, no mundo, a cada ano. Fratura de quadril não é aquela fratura que a pessoa pode colocar um gesso e, daqui a dois meses, voltar às suas atividades: ela deixa sequelas.

Em 2050, esse número de 1,6 milhão pode aumentar para 2,5 milhões, se não forem adotadas atitudes de prevenção. A prevenção, nesse caso, é ter facilidade no atendimento e, no caso da osteoporose, principalmente as mulheres, porque nos homens, embora sejam mais acometidos, a possibilidade de ter a doença é menor.

Uma em cada três mulheres acima dos 50 anos sofrerá uma fratura decorrente da osteoporose. Este número aumenta para cada uma em cada duas, a partir dos 60 anos.

Então, não podemos deixar que isso ocorra, parecendo que é algo que não tem o tamanho que eu gostaria de deixar hoje aqui patenteado.

Por isso, eu disse que o intuito não é só de fazer qualquer tipo de análise em relação à doença, apesar de saber que muitas pessoas acompanham e sabem o quanto nós temos usado essa tribuna para falar sobre determinadas doenças que, aqui ou ali, a pessoa pinça algo e vai fazer a prevenção através da nossa fala, sendo aqui ou na Band AM — onde eu tenho um espaço às segundas-feiras entre 11:30 e 12 horas —, seja através do meu site etc.

Se a gente juntar artrose, osteoporose, artrite — que atinge 1% da população mundial... A Sociedade Brasileira de Traumatologia diz que nós temos um 1,8 milhão de pessoas sofrendo de artrite no nosso país.

Então, há de se ter facilidade para que as pessoas possam chegar até as Clínicas da Família e tenha profissionais para que façam o diagnóstico, não só dessas doenças, mas de todas as doenças a que devemos ter um olhar diferenciado, pelo sofrimento, seja pela letalidade, ou pela mortalidade. Não podemos abrir mão disso.

Se pararmos para pensar que uma pessoa que chega numa Clínica da Família e que tem oportunidade de fazer uma glicemia, ela custa R$ 4,00, é muito pouco, e às vezes a pessoa não consegue ter esse exame pedido. Colesterol custa a mesma coisa. O PSA já é mais caro, é um exame que custa entre R$ 20,00 e R$ 25,00, mas não fazer uma glicose, um colesterol, um triglicerídeo, uma ureia, creatinina — quando chega aos 45 anos em diante — é um desperdício.

Aí pergunta: mas é um desperdício por quê? É desperdício porque vai custar mais caro lá na frente. Se você faz um pico hipertensivo e nem sabe que é hipertenso, e faz um acidente vascular encefálico, faz um acidente vascular cerebral, isso vai ter um custo muito alto.

Então, acho que há de se pensar que a gente tem que ter um olhar de gestão muito apurado, um olhar de administração muito apurado. A gente tem que pegar mesmo a sintonia fina no que diz respeito à gestão. E às vezes a gente fica falando muito na questão a nível central, mas a nível local também. Há de se ter pessoas capacitadas para gerir os hospitais, gerir os centros de saúde, gerir os postos de saúde. Uma administração bem feita a nível local muda tudo aquilo que vem sendo feito às vezes por uma administração anterior e que não tem a mesma resposta.

Então, eu quero aproveitar também, para encerrar, dizer que nós temos que ter um cuidado muito grande quando pensamos que ao administrar um hospital, um posto de saúde, uma escola é algo igual a administrar uma loja de ferragens. Não é! Não é! Tem que ter saber, tem que ter noção, tem que ler sobre recursos humanos, tem que saber como lidar com o RH, com recursos humanos, ou fazer uma gestão de pessoas competentes, tem que ter capacidade de antevisão, tem que ter visão pró-ativa.

Então, eu falei sobre artrose. O que eu queria falar é que a gente precisa, cada dia mais, melhorar a nossa saúde.

Vamos trabalhar para isso!