SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




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O SR. LEONEL BRIZOLA – Boa tarde a todos e todas. Senhor Presidente, vereadoras e vereadores, ontem nós tivemos a reunião com o Sebastião Bruno. Ficou muito evidente, na verdade, que há um ponto muito obscuro nesse episódio da Rocinha. Foi colocado claramente que há uma questão de não sustentação jurídica nessa covardia de o Crivella insistir no tomógrafo e no ambulatório no pátio da Igreja Universal, de propriedade de sua família, de seu tio Edir Macedo. É uma verdadeira covardia. Não satisfeito com o fato de colocar o tomógrafo em desacordo com a Secretaria Municipal de Saúde, como foi dito em reunião com vereadores, ainda abriu uma avenida, removendo ali mais de 40 quiosques. Voltaram atrás só porque houve uma decisão da justiça. Não foi porque o Crivella é benevolente, magnânimo; pelo contrário, foi por decisão da justiça. Inclusive com multa de R$ 10 mil para cada quiosque removido.
No momento em que a gente precisa manter a questão dos empregos e da renda, Crivella, além de não aprovar a renda mínima, tira o emprego das pessoas. O slogan que ele utiliza – “cuidar das pessoas” – significa na verdade cuidar da riqueza dele, porque não há justificativa. O Secretário foi claro: não tem um plano B. Se o Tribunal de Justiça, por acaso, impedir a construção do tomógrafo, não há onde ele colocar, porque não há um plano B. É uma irresponsabilidade. Não houve cálculo. Pedimos um projeto, um estudo científico em que foi baseada essa decisão e não há. Cadê o estudo científico? Em vez disso, foi tomada uma decisão unilateral do Secretário e do Prefeito.

A única fé de que o Crivella comunga é a fé do dinheiro, inclusive atrapalhando o trabalho de pastores sérios que respeitam a pluralidade das religiões e não são adoradores do bezerro de ouro. Isso ficou muito claro nesse episódio: abre a avenida para os fiéis entrarem e resgata o episódio da Márcia da catarata. É isto que está por trás: votem em mim, que tem exame – ou não é?

Quando do pedido de impeachement desta Casa, o primeiro, ele só salvou o pescoço da degola porque se utilizou da velha prática de curral eleitoral, trocando voto por cargo. Ficou claro na fala do Secretário ontem, direcionando a questão das obras. É vergonhoso, num momento de pandemia, quando precisamos ter transparência, correção, projetos. E não é o que vem acontecendo, Senhor Presidente, senhores vereadores.

Então, eu queria deixar o meu repúdio a essa tentativa mal explicada. Isso não vai acabar bem, porque não há qualquer estudo científico apontando que é melhor colocar tomógrafo no pátio da igreja da família do Crivella do que colocar o equipamento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Rocinha, uma localidade e ambiente de saúde.

Então, Senhor Presidente, quero deixar aqui meu repúdio, como também resgatar o episódio doloroso, inaceitável, tanto ontem como há dois ou três dias, do assassinato de dois jovens – um adolescente de 14 anos, João Pedro, em São Gonçalo – pela Polícia Federal; essa é que é a verdade. Será, então, por isto que Bolsonaro quis trocar a Polícia Federal: para começar a cometer genocídios, como se não bastasse o coronavírus, como Renato Cinco colocou muito bem? É a nova AR-15 para exterminar pobres. Não precisa mais tanto do caveirão, nem mais da botinada, nem da pancada nos pobres; é só lançar o coronavírus e não dar renda, que você tem, de fato, o genocídio dos pobres.

Quero deixar aqui meu repúdio à ação da polícia na CDD (Cidade de Deus), que entrou atirando onde as pessoas estavam distribuindo cestas básicas e vitimou um jovem de 18 anos. Uma covardia! Não levam água, não levam comida, não dão infraestrutura, não dão emprego, e a única coisa que colocam é a bala para matar o pobre – a bala e o coronavírus.

É esse o meu repúdio a essa ação desastrosa da Polícia Federal, em São Gonçalo, promovendo a morte, o genocídio, com mais de 72 tiros dentro de uma casa! Até granada jogaram dentro da casa!

Estou concluindo agora. Acabei de escutar a campainha, Senhor Presidente.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Obrigado.

O SR. LEONEL BRIZOLA – Até duas granadas jogaram dentro da casa do menino. E essa ação na CDD, com Caveirão, atirando a esmo e matando um jovem inocente. Meu repúdio ao Governo do Estado e à Polícia Federal por essas duas ações desastrosas, que assassinaram um adolescente de 14 anos e um jovem de 18 anos.

Muito obrigado, Senhor Presidente.