SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. RENATO CINCO Obrigado, Senhor Presidente. Senhores vereadores, senhoras vereadoras, senhores e senhoras, boa tarde.
Em primeiro lugar, queria dialogar com os meus colegas que me antecederam à fala, dizendo que eu continuo achando que não deveríamos estar flexibilizando o isolamento social, aqui, no Rio de Janeiro. Acho até bastante normal que uma boa parte das pessoas que estão abrindo os seus estabelecimentos e indo para as ruas ignorem as regras de ouro do Crivella, já que o Crivella ignora as regras de ouro da Organização Mundial de Saúde (OMS).
A sociedade carioca sabe que a reabertura da cidade, que a flexibilização parte de um dar de ombros para o que diz a ciência. Então, se as pessoas aceitam esse dar de ombros do Crivella para a ciência, por que vão dar atenção para as regras que o Crivella tenta impor?
A verdade é até uma coisa muito simples de entender, só que algumas pessoas não querem entender. Para a gente ter um pico de casos, começar descer a ladeira e ter segurança para fazer a flexibilização, a gente precisa ter, primeiro, o isolamento social eficiente. Não fizemos o isolamento social eficiente. Vamos para a flexibilização, antes, sequer, de chegarmos a um pico da pandemia. Evidente, que o resultado disso não vai ser a recuperação econômica. Daqui a algumas semanas, não vai ter bar aberto no Rio de Janeiro. Esse plano não vai dar certo, porque o vírus está aí, ele não depende da vontade, do otimismo da vontade de quem acha que já dá para reabrir a economia. Vai ser momentâneo, porque, mesmo os números subnotificados já são astronômicos e vão subir, em função dessa política.
Queria aproveitar essa fala também, para fazer a minha saudação à classe trabalhadora brasileira, que vem se movimentando, cada vez mais, para resistir aos arroubos autoritários, para resistir à política genocida, seja do Bolsonaro, do Witzel, ou do Crivella.
Quero, aqui, fazer a minha saudação aos professores da Rede Particular de Ensino do Rio de Janeiro, que fizeram assembleia no último sábado, sob a liderança do Sindicato dos Professores, o Sinpro e deliberaram por greve, por tempo indeterminado, se os estabelecimentos particulares de ensino voltarem às aulas antes que as regras de ouro da OMS sejam respeitadas para garantir a reabertura das escolas.
Também, minhas saudações à Plenária Pela Vida, que reuniu o Sinpro, o Sepe, o Andes, entidades de pais, de responsáveis, de mães - que também se posicionou contra a reabertura das escolas públicas e particulares no Rio de Janeiro, enquanto as regras de ouro da OMS não forem cumpridas.
Minha saudação aos trabalhadores de aplicativos, que fizeram uma paralisação internacional, na semana passada, no dia 1º de julho. É uma luta importantíssima. Esse é um dos setores mais precarizados da classe trabalhadora do Brasil e do mundo. Pasmem, as empresas dos aplicativos, apesar de terem um aumento nos lucros de maneira astronômica, estão diminuindo os percentuais pagos aos entregadores, sem garantir seguro para os que ficarem doentes; sem nem sequer garantir equipamentos de proteção individual.
Segundo estudo da Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista, formada por pesquisadores de várias universidades, 54% dos entregadores que mantiveram a carga horária de trabalho anterior, durante a pandemia, passaram a receber menos dos aplicativos; e 52% dos que aumentaram a carga de trabalho na pandemia também tiveram queda de rendimento, em relação ao período anterior. Dos entregadores que trabalham mais de 15 horas por dia, 64,3% tiveram queda de remuneração na pandemia.
Para concluir, Senhor Presidente, quero também saudar as lutas que virão. A jornada de lutas pelo “Fora Bolsonaro” está sendo convocada pelas centrais sindicais, pelas frentes políticas da nossa sociedade, nos próximos dias 10, 11 e 12 de julho. Estaremos acompanhando. Hoje à noite tem reunião das centrais sindicais para decidir como serão as manifestações no Rio de Janeiro. Eu certamente estarei apoiando a luta da classe trabalhadora pelo “Fora Bolsonaro”, pelo fim desse governo genocida.