Discurso - Vereador Babá -

Texto do Discurso

O SR. BABÁ – Companheiros e companheiras, primeiro, eu queria rapidamente falar aqui que, hoje, está acontecendo uma greve geral na Argentina e que parou a Argentina inteira.
O governo de Macri, que Bolsonaro vive elogiando – aliás, o Macri já pediu para o Bolsonaro não falar em nome dele, porque o queima lá dentro da Argentina –, está com a inflação lá em 55%, com 13 milhões de desempregados. Essa é a política ultra-neoliberal que o Macri disse que ia resolver o problema da Argentina. E, só em nível de comparação, são 46 milhões de habitantes com 13 milhões de desempregados, uma crise brutal. E hoje a Argentina parou de ponta a ponta. E é nesse sentido que nós queremos colocar, aqui, que amanhã vai ter uma grande mobilização no Brasil, em resposta à mobilização de direita – que arranca faixa da Educação; que, supostamente, defende uma reforma da Previdência. E eu acompanhei. Na verdade, eu vim de metrô, porque tinha o ato em Ipanema, que era “Parem de nos matar”, contra a política do Witzel, seguidor do Bolsonaro, não é? E que está aí a matar indiscriminadamente as pessoas – jovens, pobres, negros.
E isso mostra, claramente, que só nesses quatro meses do governo Witzel foram 558 mortes nessa situação – onde a política militar entrou ou, como foi com o governador no helicóptero, lá em Angra dos Reis, para lá de cima atirarem. E o governador todo orgulhoso de estar ali vendo aquela cena horrível. Mas, depois, ele foi para um hotel cinco estrelas, está certo? Que dizem, inclusive, que nesse hotel que ele foi, uma diária de R$ 1.600,00. Ele foi com a família, não foi sozinho. Aí, até hoje, ele não sabe dizer quem foi que bancou a diária dele naquele hotel. Esse é o governador bolsonarista aqui, do Rio de Janeiro.
Mas os trabalhadores brasileiros e a juventude já deram uma resposta no dia 15, vai dar outra resposta amanhã e também na prepara uma poderosa greve geral no dia 14 de junho, nesse país, contra a reforma da Previdência e contra essa política de direita que Bolsonaro tenta implantar em nosso país. E a resposta já está vindo. Já houve o dia 15, vai haver o dia 30 e, dia 14 de junho, vai haver uma grande greve geral no nosso país.
Na Argentina, já houve cinco greves gerais durante o governo Macri – o tal governo que viria resolver o problema, com sua política ultra-neoliberal. E é a mesma que o Bolsonaro tenta implantar em nosso país, colocando Paulo Guedes, um banqueiro – aluno de Pinochet – que lá implantou a reforma da Previdência a título de capitalização e que, hoje, a desgraça acontece com os aposentados chilenos, onde 90% dos aposentados recebem menos que meio salário mínimo. Esse é o dado. Inclusive, com alto índice de suicídios entre aposentados no Chile, não é? Fruto dessa reforma da previdência de capitalização, que o o Bolsonaro tenta implantar em nosso país.
Aliás, vários países que implantaram essa reforma de Previdência de capitalização tiveram que voltar atrás, justamente, porque somente os banqueiros ganharam. Esses sempre ganham. É que nem no Brasil. São 300% de juros de cheque especial ou cartão de crédito, está certo? E a classe média, principalmente, mas também os trabalhadores de baixa renda que usam o cartão estão pagando um preço altíssimo por isso.
Mas, para finalizar aqui, nós queremos agradecer aos vereadores que assinaram um pedido de CPI que eu dei entrada. Foi o primeiro pedido de CPI que eu dei entrada aqui. E gostaria de agradecer à Presidência da Casa por ter liberado, inclusive, essa CPI para investigar as condições das escolas municipais, que vai desde a cozinha até o professor. Vocês sabem que há escolas, CIEPs, onde foram instalados ar condicionado nas salas há dois anos e até hoje não funcionam? É incrível, não é? Sabem por que não funcionam? Porque não tem carga suficiente na escola para poder garantir o funcionamento dos aparelhos de ar condicionado.
Agora o clima até está razoável, mas no início do ano, com aquele calor abusivo, as crianças, principalmente as crianças da alfabetização ao 6º ano, a criançada e os professores padecem com isso, os profissionais de educação. Por isso, nós demos entrada, a CPI foi liberada e agora vamos entrar na fase em que os partidos indicam os seus membros para podermos colocar a CPI em funcionamento.
Então, nesse sentido, nós já comunicamos aqui aos partidos que façam a indicação de vereadores de seus partidos para participarem dessa CPI tão importante para a educação no Município do Rio de Janeiro porque, evidentemente, a situação é grave. Há escolas onde as merendeiras estão sofrendo problemas seriíssimos de saúde justamente porque trabalham com equipamentos muito velhos. Para vocês terem uma ideia, numa escola em que eu fui, sabem aquelas panelas para coar arroz? Panelas de alumínio rasgadas. Uma coisa é rasgar um plástico, outra coisa são panelas de alumínio que há anos estão ali, inclusive causando sérios problemas de saúde para os estudantes. E, mais, pratos, algo básico, numa escola com 500 crianças tem 150 pratos. Aí, as companheiras e companheiros – a maioria é de mulheres que trabalham nas cozinhas –, têm que fazer a comida, servir os estudantes, pegar os pratos, lavar, para poder voltar e servir outros estudantes. Isso é gravíssimo.
Há também escolas, um exemplo é uma em que nesses últimos dois meses a bomba d’água da escola pifou e aí as pessoas que trabalham naquelas cozinhas, vocês sabem o que elas estavam fazendo ontem? Tinham que sair da escola para ir à vizinhança pegar água para lavar os pratos das crianças. Esse fato não pode mais acontecer. Por isso demos entrada nessa CPI, que já foi publicada, e esperamos que evidentemente possamos fazer uma séria investigação sobre as condições de trabalho dos profissionais de educação: envolve as merendeiras, os professores, os profissionais que trabalham dentro dessas escolas. Essa é uma preocupação muito grande que temos que ter.
Por isso, nós agradecemos aos vereadores que nos deram possibilidade de darmos entrada nessa CPI. Agora esperamos a indicação dos senhores vereadores para que possamos começar as investigações sobre as condições de trabalho dos profissionais de educação dentro das nossas escolas e as próprias condições das escolas, que têm que ser também investigadas.
Muito obrigado.