SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. REIMONT – Senhor Presidente, senhores vereadores e vereadoras. Eu queria me somar à fala do Dr. Gilberto e dizer da seriedade da Beatriz de entregar de fato a Secretaria em vista do acontecido, de tomar conhecimento de uma nomeação de alguém para um cargo estratégico na Secretaria que não é do seu conhecimento. Acho que é mais do que indelicadeza, acho que é uma guinada equivocada e errada da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Então, Vereador Dr. Gilberto, como a Vereadora Rosa Fernandes disse, se o senhor fizer o ofício, a gente assina contigo.
Mas eu queria lembrar, Presidente, que a gente está falando de crise sanitária. O pessoal fala de crise da Saúde. Vamos falar de crise sanitária também. Eu queria colocar e vou me explicar, sem querer apenas fazer um ataque gratuito: além de a gente estar combatendo o coronavírus, na verdade, nós acabamos compreendendo que o ele tem, no Rio de Janeiro, um aliado: Marcelo Crivella.
Quero lembrar que 5.000 profissionais da equipe de Saúde da Família foram demitidos no mês de fevereiro. É bom a gente não esquecer disso. É bom a gente lembrar que o Ministério da Saúde vetou a criação de novas equipes de Saúde da Família e deu aos municípios o direito de fazer adesão ou não a isso. E o Prefeito, muito rapidamente, decidiu aderir, demitindo mais de 5.000 trabalhadores.
É bom a gente lembrar que, desde ontem, mais de 1.100 pessoas aguardam leitos, em função da Covid-19, no Rio de Janeiro. Pelo menos 500 pacientes estão em estado grave ou gravíssimo. É a realidade que a gente está vivendo. Segundo denúncias que a gente ouve de médicos, para a inauguração do Hospital de Campanha do Rio Centro, houve uma retirada ou uma reorganizada dos medicamentos retirados do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla – onde houve seis óbitos neste fim de semana.
É bom a gente lembrar, também, da instalação do tomógrafo em uma Igreja Universal do Reino de Deus, na Rocinha. Quando, na verdade, poderia ter sido inaugurada na UPA. Porque você compraria e ganharia uma adesão dos próprios moradores. O que o Prefeito faz com esse movimento é criar antipatia. E a gente está muito longe de poder criar antipatia, neste momento; temos que nos aproximar das comunidades, nos aproximar das pessoas.
É bom a gente lembrar que, desde o começo desta crise, a Câmara Municipal tem dado o exemplo. Embora tenhamos aprovado poucos projetos, a produção que esta Câmara está fazendo, inclusive com um debate muito intenso, estamos tentando ajudar o Poder Executivo de todas as formas. Mas o que o Prefeito faz? Não executa o que a gente aprova, não sanciona. E faz, no geral, uma má gestão.
Para se ter uma ideia, o Fundo Emergencial – que foi, inclusive, proposto pelo próprio governo – permitiria a compra de equipamentos, dos ventiladores, da Coppe; traria também a possibilidade de contratação de novos profissionais. O que é aprovado nesta Casa, vai parar na mesa do Prefeito. É bom a gente ter isso bem claro. Não tem sanção. E, às vezes, tem sanção, mas não tem execução. Faltam EPIs para os profissionais de saúde, equipamentos, médicos. Os pacientes e os seus familiares não têm, inclusive, informações.
Então, eu estou querendo dizer isso e digo com muita dor: eu queria estar aplaudindo o Prefeito e as suas ações, mas, infelizmente, há uma letargia. E, neste momento, é tática de guerra. A gente não pode perder isso de vista. Aprovamos aqui, por exemplo, a ampliação do benefício da renda mínima municipal e até gora nada. O Prefeito sequer sancionou a lei. Já estamos há 50 dias no distanciamento social e a Prefeitura do Rio não tomou algumas medidas que eu considero simples.
Por exemplo, nas ruas, trabalhadores que precisam de transporte público ficam expostos ao contágio, as empresas de ônibus não disponibilizam álcool em gel e nem equipamentos de proteção – nem para os seus motoristas. Sem emprego e sem atenção, as populações vulneráveis esperam, já sem esperança, que a renda mínima chegue a eles, que as cestas básicas sejam distribuídas. As favelas, as comunidades, os trabalhadores informais e os camelôs choram, porque as cestas básicas não chegam às mãos deles. O que a gente tem assistido? Na última semana, a imprensa publicou a notícia de que a Prefeitura distribuiu centenas de máscaras de papelão, que nada protegem. Onde é que está a Anvisa? Dizem que a agência aprovou, mas ela nega.
Então, é preciso aqui abrir um diálogo com vocês, meus colegas vereadores. E não é para fazer, apenas, paredão com o Prefeito. Não é apenas para dizer que o Prefeito está errado. Eu estou convencido de que a gestão está muito ruim. Mas eu queria fazer proposições concretas.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Tempo encerrado, Vereador Reimont.

O SR. REIMONT – Para concluir, Presidente. É que a gente tem fazer a nossa fiscalização. Por exemplo, o Gabinete de Crise que o Prefeito instituiu não funciona – e tem que funcionar. Se o Gabinete de Crise não é feito pela Prefeitura, façamos aqui pela Câmara.