SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. LEONEL BRIZOLA – Obrigado. Boa tarde a todos e todas. Este é o momento de a gente fazer as discussões nacionais, regionais e municipais; e, de fato, usar este espaço para o debate público.
O que me chama atenção, Senhor Presidente e senhores vereadores, é justamente a atitude do Governo Federal. Bolsonaro é uma vergonha! É um tipo de ser humano que nos dá asco, nojo. Domingo, mais uma vez, escreveu mais uma página do seu livro das infâmias. Acuado, perdido, sem ter para onde ir, por isso faz as alianças com velhas raposas felpudas do Congresso, notórios corruptos como Roberto Jefferson, Valdemar Costa Neto e Arthur Lira. Percebendo que já não governa e tendo um canhão apontado para ele, pelo Moro, ele faz, na verdade, o que lhe resta. E o que lhe resta como todo rato acuado? Ataca.
Então, ele tenta agrupar a sua horda e assolar a sua tropa. Vivendo uma realidade paralela, se julga uma espécie de redentor nacional; que, a qualquer momento, pode evocar e convocar as Forças Armadas para ficarem ao seu lado e tentar, de fato, instituir uma nova ditadura no Brasil.
O bolsonarismo é uma ramificação caricata do lacerdismo, sãos os mesmos linguajares: “comunista”... esse entreguismo e o seu DNA principal: o golpismo! Esse que é o fato.
Então, Senhor Presidente, vendo o impeachment bater à porta, Bolsonaro faz o quê? Ataca. Fala grosso com Congresso, com o Supremo Tribunal. Mas não foi tão valente assim para nomear quem ele queria na Polícia Federal. Teve que nomear o de baixo, não o que ele queria e que gostaria. Ou seja, é um covarde que se agarra no delírio de que os Estados Unidos e Israel sustentarão sua impostura..
Bolsonaro prega contra a democracia e principalmente contra a segurança nacional. Basta ver os atos pedindo fechamento do Congresso Nacional, fechamento do Supremo Tribunal Federal, manifestações antidemocráticas, que agridem jornalistas. É o mesmo cala-boca do general Newton Cruz. A história é boa para revelar.
Senhor Presidente, senhores vereadores, aliás, seu negacionismo em relação ao coronavírus atenta contra a própria saúde pública. Esse é o problema. Você vê que as taxas das pessoas que estão morrendo com 40, 50 anos são justamente nesta contraordem, e não em uma desordem do país, provocada pelo Bolsonaro. Querer fazer carreata, promover carreta, com 100 mil infectados e sete mil mortos...
O presidente fica brincando de comandante-chefe de um regime autoritário, sendo que, como capitão do Exército, foi colocado para a reserva. O próprio Exército não o queria como efetivo.
Pior agora, continuando sua série de horror, recebeu agora, no final de semana, o major Curió. Eu sei que vocês sabem quem é o major Curió. É um notório assassino a serviço da ditadura militar, denunciado inclusive pelo Ministério Público.
Primeiro foi o elogio ao Ustra, agora recebe com tapete vermelho no palácio o major Curió. Um torturador que ainda afirma ser cristão. Olha, não seria uma contradição se dizer cristão? Vamos lembrar o papel de Jesus Cristo, que sofreu a maior tortura do mundo romano, foi condenado à crucificação. Chicotearam Cristo, arrancando carnes das suas costas, enfiaram em sua cabeça uma coroa de espinhos e teve que carregar a cruz. Foi pregado nela. Após cinco horas de agonia, transpassaram uma lança.
Aí vêm as pessoas dizer que são cristãs. Cristão defende a tortura? Que tipo de cristão é esse? Bolsonaro deveria trocar o trecho que ele fala do Evangelho de João – “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertarás” –, pelo ensinamento grego “Conhece-te a ti mesmo”, pois, se conhecesse a si mesmo, reconheceria seu despreparo, sua incompetência e tomaria pelo menos uma única atitude coerente na sua vida.
Bolsonaro, renuncie já!
Muito obrigado, Senhor Presidente.