SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

O SR. FERNANDO WILLIAM – Gostaria de cumrpimentar Vossa Excelência, os meus colegas vereadores, aqueles que nos assistem, aos servidores que nos auxiliam a promover o debate.
Desde o início dessa maldita doença, que um bom número de vereadores. Alguns, talvez, dois ou três, apenas; não entenderam essa situação, alguns com muita ênfase como o Vereador Renato Cinco, o Vereador Alexandre Arraes, quando aí estava, eu me incluo entre esses, dizíamos que, assim, nós passaríamos por uma situação bastante complicada, bastante grave, se não tomássemos as providências adequadas no momento certo. Evidente que as providências trariam, como estão trazendo ao mundo inteiro, problemas de natureza econômica, problemas graves, inclusive, mas que, se não fossem adotadas as medidas de isolamento horizontal, radical, além do problema sanitário, do problema de saúde, das mortes, nós teríamos o problema econômico ainda mais agravado. Porque na medida que a gente não consegue controlar essa doença, sem estabelecer uma inversão da curva de contaminação e morte, ela vai se estendendo; e, naturalmente, querendo os governantes ou não, as pessoas vendo que morrem vizinhos, morrem parentes, morrem amigos, morrem pessoas no local de trabalho, como nós estamos vendo aí, as pessoas vão tomando, por si só, providências no sentido de evitar a contaminação e a economia entra em crise naturalmente. Foi que aconteceu na Itália, foi o que aconteceu nos Estados Unidos, quando os governantes decidiram, equivocadamente, não tomar medidas radicais no início, o que acabou acontecendo foi que, exatamente nesses dois países, a epidemia foi mais violenta, com maior número de mortos proporcionalmente e onde, certamente, afetará a economia de forma mais grave.
Então, eu acho que a gente tem que reconhecer isso, acho que aqueles que se colocaram contra de alguma maneira, ou levantando dúvidas ou questionando, se as medidas deveriam ser radicais ou não, devem refletir sobre os números agora. Nós temos mais de 8.300 pessoas, confirmadas pela manhã; hoje, esse número deve chegar a quase 9.000 mortos, no Brasil, fora as subnotificações, que não são poucas, o número de contaminados; e a gente sabe também que de contaminados a subnotificação deve ser, pelo menos, seis ou sete vezes a mais, e nós já apresentávamos, ontem, mais de 120 mil casos de contaminação. E o mais grave, associo isso ao debate que a Vereadora Rosa Fernandes e outros colegas trouxeram, mais grave é que ontem nós tínhamos 1.300 pessoas esperando na fila do Sisreg para serem atendidas em hospitais que têm UTI, em locais que têm UTI, que têm respiradores, e sem ter a possibilidade para esses locais. Ou seja, o colapso da rede saúde no Rio de Janeiro, na Cidade do Rio de Janeiro, já se instalou.
Ontem, por exemplo, havia vagas, muito poucas, no Nossa Senhora do Carmo, de Caxias. E em alguns hospitais federais. Que é outra falta de vergonha. Falta de escrúpulos, falta de tudo. Que a gente, no Rio de Janeiro, esteja em colapso, literalmente, hoje, com a rede de atendimento e haja vagas ainda – poucas –, mas nos hospitais federais... Era o momento de unificarmos todos esses meios, todas essas possibilidades, para que a gente possa, pelo menos, ganhar tempo na alternativa de encontrar um medicamento que minimize ou outras medidas ou que cheguem os respiradores, que estamos esperando, que a Prefeitura comprou da China. Mas eu sei que no meio de tudo isso, para agravar tudo isso, essa notícia, me parece que ainda não saiu publicada, pelo menos não saiu no Diário Oficial de hoje, que a Doutora Ana Beatriz estaria se afastando da Secretaria. Informação subliminar, essas informações que a gente tem por terceiros, é que parece que foi nomeado alguém sem consultá-la, sem levar em conta a opinião dela, e ela decidiu, no meio dessa crise enorme que nós estamos vivendo no Rio de Janeiro, tomar essa decisão. Eu lamento profundamente, porque no dia que nós fizemos aqui aquele debate com a Secretária e os seus auxiliares, nós verificamos que por maior que sejam as nossas críticas ao governo, a área de Saúde vinha desempenhando com toda dedicação, com todo o empenho, com sacrifício pessoal; a própria Secretária, o Subsecretário ambos tiveram o coronavírus. Ela, inclusive, esteve internada, passou por uma situação difícil, mas estavam ali firmes, defendendo o isolamento horizontal, defendendo as medidas que verdadeiramente precisam ser tomadas.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Vereador Fernando William, tempo encerrado.

O SR. FERNANDO WILLIAM – Obrigado.
Especialmente, em um momento como esse, a gente possa sofrer essa solução de continuidade na direção da Secretaria Municipal de Saúde. Eu penso, como os colegas que me antecederam, que o colega Dr. Jairinho, que é o líder do governo, possa trazer informações mais precisas a respeito para que a Câmara possa se pronunciar de forma bastante efetiva em relação a essa questão. O que o governo pretende, nessa altura do campeonato, com a substituição de uma secretária e de uma equipe que vinha dando certo pelo menos no enfrentamento do coronavírus?
Obrigado.