Discurso - Vereadora Tânia Bastos -

Texto do Discurso

A SRA. TÂNIA BASTOS – Senhor Presidente Rocal, senhoras e senhores vereadores, boa tarde.
Subo a esta Tribuna para falar a respeito do verdadeiro jornalismo, e não da imprensa que temos visto aí fora, infelizmente, trabalhando sempre contra. Não só contra o Executivo, mas, vez por outra, contra o próprio Legislativo.
Há alguns dias, eu saía daqui do Plenário, um pouco antes do feriado de Carnaval, junto de um vereador. Ele foi abordado por um rapaz com o telefone ligado, se dizendo estagiário de determinada emissora, que começou a indagar ao vereador por que ele tinha faltado no primeiro dia de trabalho.
Engraçado é que observamos que a cada ano, em vez de melhorar, piora. O vereador se justificou. Na verdade, ele nem era obrigado a se justificar, mas assim o fez, talvez em respeito ao profissional que, acredito eu, esteja ainda concluindo seus estudos. Mas não era obrigação do vereador fazer isso. Ele o fez por respeito. Observamos a cada dia, cada vez mais, a imprensa, da forma como vem trabalhando para desconstruir o Legislativo – e quando eles querem, o Executivo.
Por conta disso, eu queria rapidamente falar que o jornalismo, que deveria ser uma atividade profissional que consiste em lidar com as notícias, com os dados fatuais e com a divulgação de informações, infelizmente tem sido um propagador irresponsável de fake news, ou seja, se não acompanhamos as notícias, ficamos desinformados; e se acompanhamos, ficamos mal informados.
Muitas tragédias que vivenciamos são frutos da massificação das informações distorcidas, divulgadas de uma forma bem irresponsável pela grande mídia. Isso porque, ela quer, também, ditar padrões. Gostaria de um minuto da atenção dos senhores. Queria pedir à assistência técnica que colocasse um vídeo, por favor.

(Exibe-se o vídeo)

A SRA. TÂNIA BASTOS – Dona Geisa havia falado na reportagem que um dia antes a vizinha tinha ligado para o Disque 1746 – só que não havia ligado. A senhora Geisa percebeu o erro. Conforme as palavras da Dona Geisa: “eu fui induzida, eu fui induzida”. Mas não posso julgar, até porque eu não estava presente, eu não estava no local, logo, não posso julgar. Mas só em a própria senhora sentir, ou melhor, ter sua consciência pesada, demonstrar certo arrependimento, já é louvável. Ela foi até o Gabinete do Prefeito, levada, me parece, por uma pessoa que é conhecida dela, desta Casa, e pediu desculpas. Foi lá pedir desculpas, porque ela não tinha realmente ligado para o serviço 1746. O problema aconteceu, não quero eximir a Prefeitura de nada, pois houve realmente o problema, e ainda bem que a criança não foi a óbito. Mas o que eu chamo a atenção é para a proporção de informações que chegam às casas das pessoas, pois a televisão tem o poder de conseguir atingir milhares de famílias. ,
Quando eu digo, Senhor Presidente, que estamos vivendo um momento muito complicado, é porque é verdade. Dona Geisa foi ao Gabinete do Prefeito pedir desculpas porque viu que tinha errado, mas diz que foi induzida. É complicado. Eu percebo aqui que nós estamos vivendo nesse regime democrático – e que o Estado garante aos cidadãos a liberdade de expressão –, mas o fato é que nós não podemos esquecer que todo direito esbarra no direito do outro. Assim como a atividade pública que a gente sabe que a emissora tem e precisa seguir regras também, a atividade privada precisa seguir algumas regras.
O direito a liberdade de imprensa proíbe caluniar, difamar e também há a questão das injúrias. Ele proíbe as injúrias também. E deve ser exercido de forma responsável, de modo a não afrontar o direito e a honra, a imagem e a dignidade a vida.
Para vocês entenderem, eu vejo que existem alguns municípios aqui no entorno, principalmente os da Baixada Fluminense – isso eu acompanho porque conheço pessoas que são professores que lecionam em alguns municípios aqui da Baixada –, Vereador Tarcísio Motta – Vossa Excelência que é professor assim como eu –, os professores tiveram os seus salários atrasados desde 2016. E sempre três meses de salários atrasados. Pagavam uma parcela e ficavam duas parcelas. Quando completava os três meses, eles ficavam os três meses sem receber e, além disso, a questão do décimo terceiro. Eu não vi a mídia falar sobre isso. E se falaram, foi muito rapidamente.
Mas se os professores da rede do município da capital tivessem os seus salários atrasados por duas semanas, a rede ia parar. Por três meses, seria o caos. Mas a mídia, infelizmente, não reconhece, não fala. O que eu quero dizer com isso? É que, infelizmente, a pauta negativa sempre está apontada para o Município do Rio de Janeiro. Porque se você mexer com um salário de um profissional, de um servidor público é muito grave. Como o estado fez e que agora eles estão começando a engrenar um pouquinho essa máquina.
Mas a capital, mesmo com todos os problemas que esse município enfrentou, principalmente nas questões da saúde... pergunte a um médico funcionário público se ele teve o seu salário atrasado. Não. Pergunte a um professor da rede pública municipal se ele teve o seu salário atrasado. Também não.
Então, Senhor Presidente, aqui concluindo, eu entendo que realmente e, infelizmente, nós estamos vivendo um momento também de preconceitos. E aí, por conta disso, eu quero parafrasear Mário Sergio Cortella que diz que “o preconceito tem duas fontes: a covardia e a tolice”. Muito obrigada.