Discurso - Vereadora Teresa Bergher -

Texto do Discurso

A SRA. TERESA BERGHER – Senhor Presidente desta Sessão, senhores vereadores e vereadoras, presentes, funcionários, boa tarde a todos.
Ouvia com muita atenção as palavras do Vereador Paulo Pinheiro, que me antecedeu. E a gente só pode lamentar, porque o que nós assistimos é um total descaso, uma total irresponsabilidade com a vida das pessoas. Isso acontece na área de Saúde; isso acontece na área de Assistência Social também, de uma forma absurda!
E a gente só pode lamentar que o nosso Rio de Janeiro tenha chegado a esse nível de descaso.
Senhor Presidente, na quarta-feira da semana passada, há exatamente uma semana, eu assisti ao RJ TV 2, à noite, e fiquei extremamente chocada com as imagens apresentadas no que refere à Casa de Acolhida do Catete e me lembrei de que, há aproximadamente dois anos, havia visitado esse abrigo para jovens adolescentes de 12 a 18 anos e, embora não fosse nenhum hotel 2 estrelas, suas instalações eram razoáveis em relação a outros equipamentos de acolhimento.
Claro, no cumprimento do meu dever, no dia seguinte, quinta-feira, fui até o local fazer uma inspeção. O que encontrei, Senhor Presidente, infelizmente, confirmava a insalubridade e o horror das instalações a que havia assistido na televisão no dia anterior.
Naquele momento, já havia alguma movimentação de trabalhadores que, após a denúncia, faziam reparos nas instalações elétricas e desobstruíam o esgoto, que exalava um odor horrível, insuportável. E eu não poderia deixar de citar – tenho essa obrigação – o valoroso trabalho da direção do abrigo e das demais assistentes sociais em apoio. Mas imaginem os senhores trabalhar naquelas condições: ambiente deprimente e totalmente insalubre.
Eu fiquei muito chocada, sim. Às adolescentes abrigadas, posso afirmar que as acomodações e a infraestrutura do local violam os elementos principais da dignidade humana. Pensar que esse caos é o poder público que oferece a meninas que têm uma história de todo tipo de humilhações e privações é inacreditável e por demais desumano.
Senhor Presidente, custo a crer que um religioso como o Senhor Prefeito – não importa qual seja o seu credo – possa ser tão desumano e não possa se sensibilizar com a realidade cruel daquelas meninas. E continua reduzindo o minguado orçamento da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos. Em 2017, primeiro ano de sua gestão, eu estava lá durante oito meses, o Senhor Prefeito impôs, através de decreto, que fossem reduzidos 25% de todos os contratos, em todas as secretarias. Eu apelei para ele para que excluísse a SMASDH, mas ele não teve piedade e liberou apenas as Secretarias de Educação e de Saúde do seu decreto.
Ali, comecei a perceber o compromisso de seu slogan “vamos cuidar das pessoas”. Num trabalho árduo e rigoroso de contenção de despesas, conseguimos reduzir em 54% o custo do uso de celulares e em 58% o uso de veículos. Não somente pela imposição de uma política austera do uso de dinheiro público, mas especialmente porque não podíamos fechar abrigos. E não fechamos! Ao contrário, abrimos duas casas: uma delas é o Frida Kahlo, no Méier, que atende a adolescentes grávidas, mães. Confesso que essa foi uma das poucas alegrias vividas na Secretaria de Assistência Social. Ainda hoje me orgulho, pois continua funcionando. Entretanto, sabe Deus o trabalho e sacrifício para conseguir a doação dos berços, pois não disponibilizávamos de verbas para fazer a aquisição desses móveis. Também inauguramos uma casa na Praça Seca para mães grávidas, adultas e dependentes químicas, que infelizmente não avançou, e fechou.
Saibam senhoras e senhores que eu não tinha carro na Secretaria! O motorista me pegava em casa pela manhã e o carro ficava o dia todo à disposição da secretaria. Nunca voltei para minha casa em carro de Secretaria, mas no meu carro particular!
Por que é que eu estou dizendo isso?
Estou dizendo isso porque, diante da crise tão grande que o Prefeito anuncia, o atual Secretário de Assistência Social, que pode fazer uso de combustível ate o limite rodado de 3.300 km/mês, simplesmente solicitou ao Senhor Prefeito aumento ilimitado de combustível. Mas o mais grave é que o Prefeito concedeu! Um verdadeiro acinte.
Olha, é realmente lamentável tudo isso! Vejam os senhores, Crivella tirou R$ 107 milhões da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, somente em 2017 e 2018, em relação a 2016, em que o orçamento já havia sido reduzido. E agora, em 2019, a previsão é de R$ 57 milhões.
Imagine, Senhor Presidente, como é possível que a Casa que abriga jovens no Catete possa ter instalações mais dignas? Impossível! Com o orçamento de que dispõe a Secretaria de Assistência Social, só se acontecesse um milagre.
Vou além. O Senhor Prefeito, nas suas palavras, sempre coloca a responsabilidade na imprensa, ou mais especificamente na Rede Globo.
Então, Senhor Presidente, eu quero deixar aqui registrado que, na segunda-feira, farei uma reunião da Comissão de Direitos Humanos para que possamos visitar vários abrigos da nossa cidade. Eu tenho certeza que, infelizmente, devem estar vivendo a mesma realidade que a casa que assiste meninas de 16 a 18 anos no Catete.
É uma vergonha, é um descaso, e a culpa sempre ou é atribuída à gestão anterior ou à imprensa. E não se assume aquilo que se deveria assumir: responsabilidade.
Muito obrigada, Senhor Presidente.