SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




Texto

A SRA. TÂNIA BASTOS – Senhoras e senhores vereadores, eu venho aqui dar a resposta ao Vereador Leonel Brizola. Na Sessão passada, eu não pude estar presente, mas minha assessoria encaminhou o seu discurso. Eu sei que não é de agora que ouço o vereador fazer esses discursos ofensivos, preconceituosos, enfim, intolerantes aos cristãos. Uma das frases mais tristes e humilhantes foi quando ele disse que a história dos líderes religiosos Silas Malafaia, Edir Macedo, entre outros, deveria ser jogada na lata do lixo.
É lamentável a conduta do parlamentar, que sempre pauta as suas discussões no campo pessoal. Tem um provérbio chinês que diz o seguinte: “O medíocre discute pessoas. O comum discute fatos. O sábio discute ideias”.
Assim, eu quero aqui...

O SR. FERNANDO WILLIAM – Se você me permite, não é provérbio chinês, não. Isso é uma expressão de Sócrates.

A SRA. TÂNIA BASTOS – Não, não, não. É um provérbio.
Em cima desse discurso, eu quero aqui discutir as ideias, porque eu quero só me ater às ideias e não às pessoas. Eu vejo que a única conclusão que eu chego, por essas atitudes desrespeitosas e vergonhosas, é que ele não conhece as regras de um Estado laico, nem o seu papel no Parlamento. E eu vou explicar de forma bem simples e lúdica os conceitos básicos.
Uma professora chega para o Joãozinho e fala o seguinte: “Joãozinho, em que país você vive? E ele responde: “Brasil, professora”. “Está certo. E o Brasil tem uma religião, Joãozinho?” Ele fala: “Não”. “É isso mesmo, o Brasil é laico”, diz a professora. Joãozinho indaga: “O que significa ser um país laico, professora?” E ela responde: “Significa que um país ou uma nação tem posição neutra no campo religioso, em busca da imparcialidade”.
Então, Joãozinho acrescentou: “A diversidade é uma marca registrada da população brasileira, professora” – e ela responde: “Muito bem, Joãozinho!” Aí, a aula continua e a professora explica sobre a Constituição Brasileira, e ela cita que o STF disciplinou que quaisquer denominações religiosas e também os seus seguidores estão protegidos pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão prevista no art. 5º, § 4º: todos têm direito de falar, de pensar, escrever sem censuras ou restrições.
A professora fala, ainda, sobre a importância e a função dos três poderes: Judiciário, Executivo e Legislativo, e ressalta o papel do parlamentar na construção de uma sociedade melhor que respeite os valores das liberdades constitucionais como alicerce para uma vida mais digna.
Joãozinho, então, fica encantado com tanto aprendizado – e, aí, pergunta: “Então, eu posso opinar sobre tudo e expor as minhas ideias sem censura?” – “Pode sim”, respondeu a professora. E, aí, Joãozinho ficou um pouco pensativo, e ele perguntou o seguinte: “Professora, por que os políticos gostam tanto de julgar as pessoas, se eles não são juízes? Por que xingam e censuram os líderes religiosos, autoridades do Executivo, se todos têm direito a falar, escrever e expressar suas opiniões? Por que não respeitam os próprios colegas?”. A professora fica sem reação e, na mesma hora, Joãozinho percebeu isso e falou: “Ah, já sei! Como dizia o saudoso Brizola: ‘a política é a arte de engolir sapo’”. E, aí, a professora acrescenta: “Sócrates dizia: ‘sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância’” – e encerra-se a aula.

O SR. LEONEL BRIZOLA – Pode me dar um aparte, nobre Vereadora? Já que citou, inclusive, o meu avô.

A SRA. TÂNIA BASTOS – E, aí, Senhor Presidente, para finalizar, eu quero dizer que eu respeito todos os líderes religiosos, as suas respectivas instituições, admiro o trabalho de muitos, inclusive da Igreja Universal, da qual faço parte, que também foi várias vezes citada pelo nobre Vereador, o trabalho de resgate às vidas, de auxiliar os adolescentes na recuperação das drogas, do atendimento às mulheres, da própria visita aos hospitais para orar, enfim, interceder pelos enfermos. Eu respeito tudo isso.
Para finalizar, eu quero dizer que a população paga os nossos impostos para que sejamos produtivos, e esse tipo de discussão não nos leva a nada.
Muito obrigada, Senhor Presidente.