SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Pela Ordem




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O SR. FERNANDO WILLIAM – Vamos lá. Bom, no sábado, nós fizemos uma reunião da Comissão de Ética da Câmara e estiveram presentes, se não me engano, 19 vereadores. Eu acho que foi umas das melhores conversas que nós tivemos, tentando fazer com que a Câmara mudasse o seu ritmo de atuação, a sua forma de atuar, para que nós pudéssemos tratar com profundidade cada um dos temas, sem necessidade de ofender pessoalmente qualquer colega.
Eu acho que nós saímos dali, pelo menos os que estavam presentes, com esse entendimento. Ontem, eu fiz um live tratando dessa questão, da possibilidade de o prefeito ter afirmado abrir templos e igrejas considerando que são atividades essenciais. Naturalmente, eu, como um médico, sou absolutamente contrário. Pode ser até que no dia 8 de junho, como o prefeito está anunciando, se Deus quiser, tomara que estejamos na situação de uma curva descendente ou diante de uma curva de estabilidade, e que nós possamos liberar diversas atividades para retomar a situação da economia, a normalidade econômica da cidade.
Eu, depois dessa live, ouvi de um colega meu que havia visto uma live do Vereador Alexandre Isquierdo, que eu não tive a oportunidade de acompanhar, ver e assistir. Não sei se foi uma montagem, não sei se ele falou presencialmente nesta fase do debate, mas ele teria dito que eu acusei o pastor Silas Malafaia, que é seu padrinho político e que certamente sem o qual ele dificilmente se elegeria, de ter ofendido o pastor Silas Malafaia, dizendo que o pastor Silas Malafaia propõe a abertura dos cultos.
Ele realmente tem realizado cultos. Ele conseguiu, se não me engano, uma decisão favorável. O Ministério Público entrou com uma ação para que ele não fizesse cultos, mas ele ganhou com base no inciso VI da Constituição Federal. Ele tem realizado cultos, como eu posso demonstrar se vocês quiserem aqui, com cerca de mil pessoas.
Eu citei, quando discutimos a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)... Aliás ele, no comentário dele, diz que eu tratei de um tema completamente diverso do que estava em pauta. Quem me assistiu – certamente ele não assistiu, porque ele não estava presente – viu que eu tratei da LDO, sim. Disse o que eu digo sempre, que é uma das leis mais importantes, mas que nós estamos lidando com ela de forma absolutamente equivocada. Os secretários, o governo, ela não se ajusta ao Plano Plurianual (PPA). Na maioria das vezes, não se ajusta ao orçamento e depois, na prestação de contas, nós também tratamos com muita fragilidade esses temas, que talvez fossem os temas mais importantes para nós vereadores falarmos a respeito.
Perguntei ao Secretario Tiago sobre diversos assuntos relativos à LDO e, como sempre, ele até perguntava ao seu assessor de orçamento, porque é natural que o secretário, na grande maioria das vezes, fique na última hora... Ele sabe as metas que são estabelecidas dali, repetindo metas dos anos anteriores, coisas que não deveriam acontecer, pelo menos em minha opinião.
Sugeri à Vereadora Rosa Fernandes – ela até aceitou – que nós fizéssemos uma grande reunião com vários vereadores para nós, enfim, discutirmos efetivamente como devemos tratar a LDO no Rio de Janeiro. Terminada essa fala, eu perguntei o que o Secretário Tiago achava dessa decisão, se ele estava participando daquele comitê gestor que o prefeito criou e ele, como Secretário de Envelhecimento Saudável, Qualidade de Vida e Eventos, que cuida dos idosos, que posição teria com relação à possibilidade de nós liberarmos, ou pelo menos informarmos que vamos liberar, a partir de um determinado dia.
Claramente nós vimos isso ontem, um dia em que pelo menos foi publicado o maior número de mortes no Rio de Janeiro. Nós não temos os dados de hoje ainda, mas no Brasil, as curvas, tanto de contaminados – que já é a segunda do mundo – quanto a de mortalidade são algumas das maiores do mundo. O Rio de Janeiro, por exemplo, se fosse um país, já seria o 16º do mundo em mortalidade. O Rio de Janeiro já ultrapassou a China, já ultrapassou a Índia e está perto de ultrapassar a Rússia.
Portanto, neste momento, ao falar em afrouxar o isolamento é preciso ter muito cuidado. Eu citei o caso do Pastor Silas Malafaia porque, por acaso, a igreja dele é na Penha e eu fui informado, pela secretária da clínica onde eu trabalho, que duas pessoas haviam morrido, uma era uma paciente minha, que ia sempre lá com seu filho. Ela não me disse sequer o nome da pessoa, nem a idade, ela disse: “São duas pessoas que são seus pacientes, essas pessoas frequentavam a Igreja do Pastor Silas Malafaia e faleceram”.
Então, eu fiz esse comentário. Eu não disse que o Pastor Silas Malafaia afirmou que curaria as pessoas que fossem ao templo e tal, mas sou radicalmente contra a decisão dele de reunir milhares ou centenas de pessoas ali. Inclusive, tenho um vídeo aqui que demonstra que ele faz isso e ainda faz comentários sobre um médico paulista que teria dado números que ele colocou. Eu não sei quando foi esse culto, mas, no dia que ele fez esse, ele diz que não havia falecido nenhuma criança no mundo, o que é mentira – já há falecimentos comprovados de crianças no mundo. Pelo menos agora seria mentira, não sei se no tempo que ele fez o vídeo seria. Ele diz que de zero a 40 anos o número é de 0,01. Se o número é de 0,01, como ele diz, como o jovem que morreu e que era frequentador da Igreja do Pastor Silas Malafaia tinha 22 anos, ele está dentro dessa estatística que o pastor colocou aí. A mãe do jovem tinha 44 anos.
Eu, na verdade, fiz referência a pessoas com idade porque a grande maioria dos meus pacientes é de idosos. Como ela não falou o nome da paciente, eu tenho várias pacientes idosas que normalmente são levadas pelos filhos, imaginei que fosse uma dessas pessoas idosas e por isso fiz a pergunta.
Por sinal, eu ontem fiz uma live tratando da importância da religião como atenuante desses casos de ansiedade, de depressão, da possibilidade de o pastor, o padre, o líder religioso espírita, judeu, enfim, ter a oportunidade de conversar com os seus.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Fernando, seu tempo está esgotado.

O SR. FERNANDO WILLIAM – Eu vou passar um pouquinho, se me permite.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Já tem dois minutos além.

O SR. FERNANDO WILLIAM – Bem, eu já me reinscrevo, mas quero dizer o seguinte: o Isquierdo fez uma referência dizendo o que eu havia dito, e é uma divergência da medicina com a posição do pastor, que é uma visão religiosa, mas em momento algum eu desrespeitei o pastor. É uma divergência porque ele é, em minha opinião, uma pessoa que acredita que pode reunir mil pessoas e isso não gerar contaminação, não gerar problemas. Nós estamos vendo que a realidade é outra e, inclusive, temos uma experiência da Coreia do Sul, onde uma igreja contaminou várias pessoas, mas é uma divergência de natureza religiosa com a questão sanitária, com a questão médica.
Ele extrapolou. Na verdade, ele faz sempre isso para se projetar com o seu público, que é um público evangélico ligado ao Pastor Silas Malafaia, que é quem o elege. Para defender o Pastor Silas Malafaia, ele passou dos limites e disse que eu tinha agido como um bandido.
Então, eu quero dizer ao colega que ouvi aí que problemas pessoais eu vou passar a resolver pessoalmente. Aliás, ontem, você, covardemente, coloca na sua live, fazendo uma montagem, uma fala dizendo que eu sou covarde. Então, eu vou mostrar a você que não tenho nada de covardia; muito pelo contrário, covarde é você. Vou tratar você da maneira como costuma ser tratado.

O SR PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Vereador, seu tempo está esgotado.

O SR. FERNANDO WILLIAM – Pessoalmente. Mas, na política, nós vamos discutir e eu vou colocar para você outras vezes, outros slides e outras demonstrações, mostrando o que eu acho efetivamente do Pastor...

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Obrigado, Fernando. Por favor. Obrigado.