Discurso - Vereadora Teresa Bergher -

Texto do Discurso

A SRA. TERESA BERGHER – Senhora Presidente desta Sessão, senhores vereadores e vereadoras, demais funcionários desta Casa: Inicialmente eu vou ler uma nota publicada na coluna de hoje do Ancelmo, que diz o seguinte:

“Vamos salvar os museus do Rio – Diga-se a favor de Crivella que nem sempre ele abandonou, além do carnaval, os museus cariocas. Em abril de 2018, o Prefeito cedeu para a construção do Memorial do Holocausto o uso de uma área no Morro do Pasmado.
Além disso, como cantor gospel de sucesso, Crivella foi a estrela de um show, em julho do mesmo ano, para arrecadar fundos para erguer o novo espaço. Afinal, o Rio precisa ter um espaço desse para lembrar eternamente os horrores do Holocausto. O que se cobra aqui é que o Prefeito não tenha se empenhado também – eu disse “também” – para implantar, por exemplo, o Museu da Escravidão e Liberdade (MEL), cujo projeto de criação ele mesmo assinou em 2017 e prometeu entregar em 2020. Não é justo.”
Bem, primeiro eu quero prestar alguns esclarecimentos sobre essa questão, porque ela começa até de uma forma irônica. Eu não posso deixar de reconhecer publicamente o empenho do Prefeito Marcelo Crivella em que fosse construído o memorial em homenagem às vítimas do Holocausto no Rio de Janeiro.
Esse memorial, é bom que fique muito claro, está sendo construído com verbas da iniciativa privada, esta é a grande realidade. Outros prefeitos, como inclusive o Prefeito Eduardo Paes e o Prefeito Luiz Paulo Conde em 1999, ele foi o primeiro prefeito – na verdade – a abraçar a ideia da criação do memorial. Fez, inclusive, junto com o Instituto dos Arquitetos do Brasil, um concurso em que foi escolhido o melhor projeto e é exatamente esse projeto que está sendo colocado em execução no Morro do Pasmado. Também aqui desta Tribuna, eu não poderia deixar de reconhecer que, realmente, o Prefeito Marcelo Crivella fez um show no Espaço Sulamérica, próximo à Prefeitura, cuja arrecadação de R$ 130.000 se destinou à construção do memorial.
Eu quero também dizer a todos os senhores que me assistem em casa que a Associação Memorial do Holocausto está aberta a receber doações porque ela precisa fazer aquela obra. E, apesar de estar avançando, muitas vezes os recursos são muito difíceis de conseguir.
De qualquer maneira, o Prefeito Marcelo Crivella fez essa doação. Eu até quero dizer aos senhores que assisti ao show e fiquei pensando: na verdade, a igreja perdeu um grande cantor gospel; e a cidade, infelizmente, não ganhou um grande prefeito. Foi a minha avaliação naquele momento, porque ele é um grande cantor. Ele canta muito bem. É sensacional o show dele, sem retoques.
Porém, voltando ao Museu da Escravidão e Liberdade, é importantíssimo que seja construído no Rio de Janeiro e que não se meçam esforços para que ele aconteça. Lá no Pasmado, a comunidade negra também será homenageada, porque a comunidade negra também foi perseguida pelos nazistas. Os portadores de deficiência também serão homenageados, como também serão homenageados os ciganos, os LGBTs, as testemunhas de Jeová, enfim, todas aquelas minorias que foram perseguidas pelo nazismo.
Eu queria fazer esse esclarecimento e deixar muito claro que é uma situação diferente. Na verdade, o memorial às vítimas do Holocausto nunca saiu do papel em governos anteriores porque os recursos viriam do Poder Público, seriam recursos públicos, mas, atualmente, não. Os recursos são exclusivamente da iniciativa privada.
Porém, eu também queria chamar atenção para uma questão que me incomoda. Inicialmente, o Prefeito havia criado um instituto que se chamava Instituto Memorial do Holocausto. Num primeiro momento, eu achava até que era importante que se criasse essa entidade, digamos assim. Mas a partir do momento em que o prefeito fez uma cessão de uso para uma associação que se intitula Associação Memorial às Vítimas do Holocausto, não faz nenhum sentido o Instituto Memorial do Holocausto.
E o que me chama mais a atenção – aí sim esses recursos poderiam ser canalizados para o Museu da Escravidão e Liberdade – é que esses são os recursos que estão sendo usados nesse instituto que não faz absolutamente nada. Pra mim, esse instituto não passa de um cabide de empregos. É assim que eu penso, porque tem órgãos suficientes na Prefeitura para fiscalizarem a obra, como vai funcionar o memorial, cultural e educacionalmente também, porque será aberto ao público. É um equipamento público. Então, nós não precisaríamos desse instituto.
Tem lá um artigo que diz: “esse instituto está autorizado a captar recursos para a construção de sua sede.” Uma sede para o Instituto Memorial do Holocausto? Eu não consigo entender. Infelizmente, é mais uma trapalhada.
Eu não poderia hoje deixar de fazer esse registro aqui e lembrar de novo que o prefeito foi importante sim, que ele abraçou a ideia da construção do memorial. Mas ele está sendo construído com recursos da iniciativa privada.
Por último, Senhora Presidente, quero me associar às palavras dos colegas vereadores que me antecederam e também expressaram sua indignação em relação ao que vem acontecendo na Prefeitura do Município do Rio de Janeiro. Infelizmente, o nosso Prefeito não estabelece prioridades. A saúde, como já foi dito aqui, está um caos, em total abandono; empresas de segurança não recebem; os funcionários não têm sequer dinheiro para pagar a passagem, são obrigados a não trabalhar, e tantos insumos que faltam nos hospitais. O Vereador Fernando William citou que havia um tomógrafo num dos hospitais que não era instalado desde maio. Eu vou um pouquinho além: até poucos dias atrás existia um aparelho também no Hospital Souza Aguiar – desde dezembro do ano passado –, Vereador Fernando William, que não havia sido instalado.
Então, acho que o Prefeito, acima de tudo, tem que estabelecer prioridades. Como já bem colocado aqui, nós estamos, hoje, querendo discutir um orçamento fictício. Aliás, o orçamento é sempre fictício, mas na gestão Crivella é mais do que nunca. Quero dizer o seguinte: eu ainda vou voltar a essa questão, porque já estou vendo que o meu tempo está acabando, mas quero chamar atenção para o seguinte: o prefeito não tem noção de nada. Como ele encaminha para esta Casa um projeto tornando 2.440 funcionários celetistas em estatutários? Ele está querendo afundar ainda mais o Funprevi, que já apresenta um rombo de quase R$ 1 bilhão? Mais ainda: são 2.440 funcionários que não fizeram concurso, que entraram antes de 1988. Aí, como fica a situação daqueles que entraram depois? Será que eles não têm o mesmo direito? Somam-se a eles outras empresas da Prefeitura que também estão reivindicando o mesmo direito.
O Senhor Prefeito realmente está sem noção e não está estabelecendo prioridades, o que está levando nossa cidade a um caos total.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Para concluir, Vereadora.

A SRA. TERESA BERGHER – Obrigada, Senhora Presidente.
Peço desculpas se me prolonguei um pouco, o que não é muito comum quando falo desta Tribuna.
Obrigada.