Discurso - Vereador Teresa Bergher -

Texto do Discurso

A SRA. TERESA BERGHER – Senhor Presidente desta Sessão, senhores vereadores e vereadoras, funcionários desta Casa, boa tarde a todos. Desculpe o atraso em chegar até a Tribuna, mas está difícil lá fora. O movimento é grande. Hoje nós vamos ter um grande movimento nesta Casa, já vi que do lado de fora também. E existe, eu diria, uma multidão de, possivelmente, professores para ocupar as galerias defendendo o Minha Casa Meu Professor.
É muito engraçado tudo isso. Gostaríamos muito mesmo de que todos os professores, que são uma classe sempre tão desprestigiada, eu até diria, tão sofredora, pudesse, realmente, ter acesso a essa moradia e que fosse um projeto viável e que viesse a se concretizar. No entanto, todos nós sabemos que é mais um delírio do senhor prefeito. Um delírio às vésperas de eleição, eleitoreiro, como está acontecendo com essa questão que foi amplamente discutida aqui. Acho que precisa de muito mais discussão ainda, que é transformar em estatutários os funcionários da Comlurb, aqueles que entraram até 1988, ou seja, 2440 funcionários, o que, sem a menor sombra de dúvida, trará um problema muito sério ao Funprevi, que já tem um rombo de quase R$ 1 bilhão – R$ 1 bilhão! – e eu acho que é muito preocupante.
Mas como a gente está falando de Funprevi, eu também faço questão aqui de manifestar uma enorme preocupação minha, e eu tenho certeza que os senhores vereadores vão se debruçar, que é a possível mudança do centro administrativo, que hoje funciona num prédio realmente cheio de irregularidades, que não tem sequer Habite-se. O senhor prefeito já estaria negociando para que ele se mudasse para o Eco Sapucaí, que é um imóvel do Fundo Singapura, e ele pretende levar para aquele imóvel, não somente os funcionários, ou melhor, a administração que funciona no Centro Administrativo São Sebastião (CASS), mas também toda a estrutura do prédio anexo. Estaria levando também o pessoal da CET-Rio, da Rioluz e da RioUrbe, e, com isso, ele disponibilizaria três prédios para serem vendidos, o que obviamente terá que passar por esta Casa.
Mas me preocupa muito essa questão, sim, Senhor Presidente. Preocupa-me porque, primeiro, nós todos sabemos que o prédio onde, hoje funciona o centro administrativo, como eu já disse, apresenta inúmeras irregularidades, não tem nem Habite-se, e a gente imagina quem será o candidato a alugar ou comprar aquele prédio nessas condições.
Além disso, também tem uma questão que eu considero da maior gravidade, que é a questão das suas instalações. O prédio está abandonado, deteriorado, nunca se investiu na sua conservação. Então, imaginem, num período de crise no nosso país, principalmente aqui no nosso Rio de Janeiro, imaginar a venda daquele prédio, ou mesmo aluguel, é realmente uma questão que tem que ser vista com cautela e com preocupação, porque será mais um rombo para o Funprevi. Não tenho nenhuma dúvida. É menos dinheiro que vai deixar de entrar para o Funprevi.
Nós já entramos com o requerimento de informações junto à Prefeitura. Nós queremos saber realmente que história de mudança é essa. Nós queremos saber quanto a Prefeitura paga pelo aluguel daquele prédio, do CASS, que é do Funprevi, quanto paga de aluguel, qual o custo. Qual o custo terá esse novo prédio? Porque é um prédio que, mesmo que haja uma negociação de um valor razoável, é um prédio que tem um custo muito alto na sua manutenção. Ele tem elevadores inteligentes. É um prédio ultramoderno. Não que eu ache que os funcionários da Prefeitura, ou mesmo o nosso Centro de Administração Municipal não mereça ter esse privilégio, mas, infelizmente a situação do nosso município é caótica. E para o senhor prefeito resolve fazer essa mudança – do nada, resolve fazer essa mudança – eu acho que tem que ser motivo de análise profunda de todos os senhores vereadores, de uma discussão ampla, porque, imagine vender imóvel nesta época. Os valores serão muito abaixo da média normal do mercado e o Funprevi é que acabará, ou melhor, os funcionários é que acabarão ficando responsáveis por mais uma irresponsabilidade do Senhor Prefeito. Então, fico muito preocupada com essa questão, chegou ao meu conhecimento – e já estamos fazendo um Requerimento de informações. Queremos saber direitinho o que é que está acontecendo. Mas as informações que nos chegaram até agora são que já teria passado pelo Patrimônio, essa análise do Senhor Prefeito, que esse levantamento já teria passado pelo Patrimônio, já teria passado pela Procuradoria, ou melhor, pela Procuradoria, sim; e, agora, estaria na Controladoria. Então, eu vou pedir aos senhores vereadores que fiquem muito atentos a esta questão, porque interessa à cidade.
É uma questão que interessa principalmente aos senhores servidores do município, porque é muito fácil esses anúncios do Senhor Prefeito, num momento de tanta crise. Quando a gente liga a televisão, quando a gente lê o jornal, quando a gente visita os órgãos da Prefeitura, hospitais, abrigos, e o que a gente vê é um abandono total. A Saúde então, nem se fala. Eu vou, novamente, aqui, cobrar do meu querido e nobre Presidente, que ele faça um movimento grande aí, para ver se ele consegue salvar os hospitais da Zona Oeste, porque todos estão em péssimas condições, não tem insumos, não tem pessoal para trabalhar, os terceirizados não recebem salário, médicos, paramédicos, seguranças, limpeza, ninguém está recebendo salário. É impossível que alguém possa trabalhar sem receber salário.
A gente faz aqui – eu acho que a Zona Oeste, que é uma força enorme, tem uma porção de vereadores daquela região, que deveriam se organizar... E nós todos também, participar desse movimento. Porque os Hospitais, o Albert Schweitzer parece que já está num caos total, chegaram, inclusive, a anunciar o seu fechamento. Não sei se concretizou, mas está funcionando precariamente. O Hospital Pedro II, eu já estive lá e é um caos total! Eu volto a dizer: nem a higiene dos pacientes está sendo feita em alguns casos. Portanto, acho que é uma responsabilidade, é um compromisso de todos nós, vereadores, mas, especialmente, dos vereadores que representam aquela região, que são eleitos por aquele sofrido povo que não tem o acesso mínimo à dignidade e à Saúde. Acho que nós todos temos que fazer esse levante, sim!
E do jeito que a gente caminha, daqui a pouco se entra em recesso, é verdade, mas, como sempre acontece em todas as legislaturas, todo final de ano, açodadamente, chega uma série de projetos para serem votados, apressadamente; e nós sempre acabamos, na maioria das vezes, votando equivocadamente. Eu procuro fazer o que é possível, mas é essa a nossa realidade.
Que nós tenhamos o mínimo de responsabilidade. É nossa obrigação, é nosso dever assim proceder em todas essas questões, mas eu estou especialmente, neste momento, muito atenta a esta questão do CASS, que eu acho que tem que ser motivo de preocupação, sim. Mudar para quê? Por quê? Quem vai alugar? Mais prejuízo para o Funprevi.
Muito obrigada, Senhor Presidente.