REQUERIMENTO
Nº
849/2015
EMENTA:
REQUER A CONCESSÃO DO CONJUNTO DE MEDALHAS DE MÉRITO PEDRO ERNESTO À PROFESSORA ZULEIDE FARIA DE MELO
Autor(es):
VEREADOR RENATO CINCO
Requeiro à Mesa Diretora, na forma regimental, seja concedido o conjunto de Medalhas Pedro Ernesto
à professora
ZULEIDE FARIA DE MELO
.
Plenário Teotônio Villela, 11 de março de 2015
Vereador
RENATO CINCO
(PSOL)
Com apoio dos Senhores Vereadores
Cesar Maia, Dr. Eduardo Moura, Dr. Jorge Manaia, Edson Zanata, Eliseu Kessler, Elton Babú, Jefferson Moura, Jimmy Pereira, João Mendes de Jesus, Leonel Brizola, Márcio Garcia, Paulo Messina, Paulo Pinheiro, Teresa Bergher, Verônica Costa e Zico.
Texto Original:
Justificativa
Zuleide Faria de Melo: militante comunista de toda uma vida
A professora Zuleide Faria de Melo é um desses personagens políticos cujo papel e presença marcaram indelevelmente a história do Partido Comunista Brasileiro em momentos cruciais da sua existência, da luta contra a ditadura militar de 1964 até o processo de reconstrução revolucionária que impediu a destruição do mais longevo partido político da história do Brasil. A militância comunista de Zuleide Faria de Melo é marcada por uma generosa solidariedade de classe, por uma imensa grandeza política e por firme convicção ideológica. São 50 anos de militância e de uma presença marcante nas lutas pela transformação social do Brasil na perspectiva do socialismo.
Zuleide é professora aposentada da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Formou-se em Ciências Sociais pela antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ), mas, como durante a ditadura, não se abriram concursos públicos para profissionais desta área, ela começou a lecionar na UFRJ apenas a partir de 1979.
Nasceu no estado de Alagoas, em 1932, na cidade de Limoeiro, numa família de minifundiários muito religiosa e conservadora. A família veio para o Rio de Janeiro na década de 1940. Casou-se aos vinte anos de idade e teve de interromper os estudos por imposição do marido, um comerciante, de quem se separou quando tinha sete anos de casada e duas filhas pequenas.
Trabalhou na Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, e como o salário não era suficiente para a criação das filhas, em 1965 aceitou o convite para trabalhar na Civilização Brasileira.
Entrou oficialmente para o Partido Comunista Brasileiro no dia 25 de março de 1965. Começou de fato a militar, logo após o golpe militar de 1964, em função da prisão de um primo seu de Alagoas, Jurandir Bóia, que, eleito para a diretoria da UNE na gestão presidida por José Serra (1963-1964), veio para o Rio no final de 1963 e acabou preso pelos militares golpistas. Como o rapaz estava desaparecido e a família, em Maceíó, desesperada, Zuleide foi com a cara e a coragem ao Ministério da Guerra, onde conseguiu audiência com um coronel, que lhe deu autorização para visitar o primo, que estava preso no DOPS.
Foi a partir da sua atuação no caso do primo Jurandir, libertado no mesmo ano de 1964, que Zuleide passou a colaborar mais estreitamente com o PCB, inclusive abrigando em sua casa militantes perseguidos pela ditadura, desde membros das Ligas Camponesas a quadros comunistas como Jaime Miranda.
Em 1968, foi à União Soviética participar de um grande encontro da FMJD (Federação Mundial da Juventude Democrática) e por lá ficou dois meses. Estava em Moscou quando o General Costa e Silva assinou o AI-5.
Nos anos 1970, com o recrudescimento da repressão, integrou a assessoria do Comitê Central, ficando responsável por datilografar e imprimir em casa textos e jornais do Partido, como o
Voz Operária
, utilizando uma pesada máquina de escrever e um mimeógrafo, ambos de fabricação sueca.
No ano de 1974, viveu a aventura de, juntamente com José Sales e Marly Vianna, membros do Comitê Central, numa viagem de carro na madrugada, trazer de São Paulo para um aparelho no Rio todo o acervo de documentos que compunha o Arquivo de Astrojildo Pereira, que depois foi enviado para a Itália, formando o Asmob (Archivio Sociale della Memoria Operaia Brasiliana) e garantindo a preservação de mais de três décadas da memória dos trabalhadores brasileiros.
Em 1976, foi a vez de Zuleide partir para o exílio na França, onde ficou menos de um ano. Em 1978, Zuleide passou a atuar no CEBRADE, o Centro Brasil Democrático, entidade criada pelo PCB e presidida por Oscar Niemeyer para aprofundar a luta em defesa das liberdades democráticas, no momento em que a ditadura estava muito desgastada e cresciam os movimentos de oposição ao regime militar. Assim, no dia 20 de outubro de 1979, Luiz Carlos Prestes era recepcionado no Galeão em grande ato público cuja organização, oficialmente feita pelo CEBRADE, coube a Zuleide.
Durante a campanha eleitoral de 1978, Zuleide participou de panfletagem numa favela no Parque de Vila Isabel, onde ouviu dos moradores que os políticos só lembravam de visitar o local na época das eleições, desaparecendo em seguida. Em resposta ao constrangimento a que se sentiu exposta, assumiu o compromisso de fazer um trabalho social na favela, que passou a frequentar regularmente, ajudando seus habitantes a se organizar e lutar em prol de melhorias para aquela comunidade. A mobilização popular conquistou uma creche, e com manifestação na porta da Light e de órgãos administrativos do Estado, conquistou ainda os serviços de energia elétrica e de encanamento de água, que não existiam.
Mesmo com intensa participação nas entidades de solidariedade internacionalista e cumprindo inúmeras tarefas partidárias, Zuleide somente passou a fazer parte da direção estadual do PCB em 1982, quando foi eleita para o Comitê Regional. Durante todo o processo de Reconstrução Revolucionária do PCB (desde 1992), passou a ser destacada dirigente do Comitê Central, do qual faz parte até os dias atuais.
Zuleide mantém hoje sua dedicada militância comunista. Em entrevista concedida à Revista Novos Temas, editada pelo Instituto Caio Prado Jr., afirmou: “continuo acreditando mais do que nunca que a ideologia e as propostas do marxismo e do leninismo são as únicas que poderão salvar a humanidade nesse século que prometeu ser o século das luzes, mas está sendo o século da escravidão”.
Legislação Citada
Atalho para outros documentos
Informações Básicas
Regime de Tramitação
Ordinária
Projeto
Datas:
Entrada
03/17/2015
Despacho
03/17/2015
Publicação
03/19/2015
Republicação
Pág. do DCM da Publicação
27 e 28
Pág. do DCM da Republicação
Tipo de Quorum
Tipo de Despacho
Imprima-se para conhecimento prévio dos Senhores vereadores
Observações:
DESPACHO: A imprimir
Imprima-se para conhecimento prévio dos Senhores vereadores.
Em 17/03/2015
JORGE FELIPPE - Presidente
Comissões a serem distribuidas
01.:
A imprimir
TRAMITAÇÃO DO REQUERIMENTO Nº 849/2015
TRAMITAÇÃO DO REQUERIMENTO Nº 849/2015
Cadastro de Proposições
Data Public
Autor(es)
Requerimento
20151000849
REQUER A CONCESSÃO DO CONJUNTO DE MEDALHAS DE MÉRITO PEDRO ERNESTO À PROFESSORA ZULEIDE FARIA DE MELO => 20151000849 => {A imprimir }
03/19/2015
Vereador Renato Cinco
Votação => Requerimento 849/2015 => Aprovado (a) (s)
03/25/2015
Resultado => Resolução 8727/2015
04/01/2015
Câmara Municipal do Rio de Janeiro
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