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PROJETO DE LEI Nº 2785/2024
Autor(es): VEREADOR CARLO CAIADO


A CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
D E C R E T A :

Art. 1º Fica declarada como bem de natureza imaterial de valor cultural para a cidade do Rio de Janeiro a Roda de Choro do Recreio, realizada aos domingos na Praça Augusto Ruschi no bairro do Recreio dos Bandeirantes.

Art. 2º Para fins no disposto nesta Lei, o Poder Executivo procederá aos registros necessários nos livros próprios do órgão competente.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.


Plenário Teotônio Villela, 14 de dezembro de 2023.


JUSTIFICATIVA



A roda de Choro do Recreio, que acontece já 7 anos se tornou uma grande atração cultural e de sociabilização dos moradores do Recreio dos Bandeirantes, bairro da Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro.

Conhecido como Chorinho do Recreio, acontece todos os domingos de 10 às 13, na Praça Augusto Ruschi e tem atraído muitos músicos e moradores, adeptos da boa musica e da celebração da cultura de nossa Cidade, Estado e País.

Os músicos se apresentam de forma gratuita e criam a cada domingo uma roda diferente com participações especiais.

Assim, transcrevo abaixo um pouco da história do Choro, para qualificar o embasamento da presente proposta, a história do Choro na Cidade do Rio de Janeiro, incluindo um histórico do Choro do Recreio.

Algumas considerações sobre o Choro na cidade do Rio de Janeiro

Algumas considerações sobre o Choro na cidade do Rio de Janeiro O Choro, um dos gêneros musicais mais queridos e emblemáticos do Brasil, tem uma história profunda e apaixonante enraizada nas ruas do Rio de Janeiro. Sua jornada musical é um reflexo das transformações culturais e sociais da cidade, ao mesmo tempo em que deixou uma marca indelével em sua identidade musical.

Esse gênero musical teve suas sementes plantadas no século XIX, quando o Rio de Janeiro era a capital do Império do Brasil. Nesse cenário efervescente, a cidade recebia uma influência cultural diversificada, incluindo elementos africanos, indígenas e europeus. Os músicos cariocas começaram a incorporar essas influências em suas criações. Essa rica mistura cultural criou o ambiente perfeito para o florescimento do Choro.

Africanos trouxeram consigo ritmos, percussão e melodias que se misturaram com as tradições musicais europeias. Essa fusão cultural deu origem a estilos como o lundu e a polca, que contribuíram para a formação do Choro. Os músicos de Choro, conhecidos como "chorões", muitas vezes misturavam elementos de improvisação e melodia, criando um som característico.

Segundo o pesquisador José Ramos Tinhorão, em sua Pequena História da Música Popular Brasileira segundo seus gêneros, o Choro surgiu por volta de 1870 como uma forma própria de tocar, não como o gênero musical depois consagrado.

Inicialmente, os músicos populares executavam os gêneros conhecidos com interpretação própria, improvisando sobre as melodias utilizando flauta, cavaquinho e violão de uma forma muito singular que recebeu o nome de choro ou chorinho.

Pouco a pouco ele ultrapassou as fronteiras da Corte e se expandiu por outras regiões. Além disso, alguns músicos com formação clássica incorporaram o Choro em seu repertório, contribuindo definitivamente para sua popularização entre todas as classes sociais, principalmente a partir das primeiras décadas do século XX.

Roda de Choro: O Nascedouro da Criatividade

Uma das características mais marcantes do Choro é sua execução em roda, com músicos tocando de forma improvisada. Essas rodas de Choro eram frequentemente encontradas nas praças e botecos do Rio de Janeiro, onde instrumentistas de diferentes origens se reuniam para compartilhar suas experiências musicais. Grandes nomes como Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo contribuíram significativamente para a evolução do gênero.

No início do século XX, o Choro alcançou uma popularidade crescente. Com a chegada do rádio, o gênero se espalhou para uma audiência ainda maior. Músicos de Choro frequentemente tocavam nas estações de rádio e se tornaram celebridades. No entanto, também enfrentaram a competição do emergente samba, outro gênero nascido nas ruas do Rio de Janeiro.

 O Choro passou a ser celebrado e preservado por músicos, grupos e instituições dedicadas à sua história. O "Choro Carioca" é um testemunho da paixão do Rio de Janeiro por esse gênero musical distinto. Suas raízes profundas nas ruas da cidade, sua rica mistura de influências culturais e sua habilidade de se reinventar continuam a encantar ouvintes e músicos, garantindo um lugar especial no coração musical do Rio de Janeiro e do Brasil como um todo.

O Choro, com suas raízes profundas no Rio de Janeiro e suas influências culturais diversas, é uma verdadeira joia da música brasileira. Sua história é um testemunho da riqueza cultural e da paixão pela música que permeiam as ruas, praças e becos da nossa cidade.

As Praças do Rio de Janeiro: O Palco Encantador das Rodas de Choro

As praças do Rio de Janeiro são mais do que simples espaços urbanos coadjuvantes. Desde os primeiros tempos da colonização eram o verdadeiro coração das vilas e cidades. Ali se reunia a população para manifestações civis ou religiosas. Ali se infligiam castigos corporais, execuções decididos pelas autoridades. Mais adiante, tornou-se local de lazer, dos encontros, das retretas, domicílio das bandas de música que alegravam as cidades brasileiras, dos grandes comícios. Castro Alves já bradava, no século XIX: “A praça é do povo, como o céu é do condor. É o antro onde a liberdade cria asas em seu calor.” Caetano Veloso, em 1973, no seu “Um Frevo Novo”, cantava: “É aqui nesta praça que tudo vai ter de pintar”.

As praças são verdadeiros palcos populares onde a cidade revela sua alma musical e um exemplo que honra essa tradição é a cena das Rodas de Choro, janelas abertas para a rica herança musical da cidade, onde músicos talentosos e apaixonados se reúnem para compartilhar a magia do Choro.

Uma das belezas das rodas de Choro é sua diversidade musical. Músicos de todas as origens se reúnem para celebrar esse gênero inclusivo. 

O Rio de Janeiro conta com inúmeras praças pitorescas, cada uma com sua própria história e atmosfera única. A cidade exala música em cada esquina, mas é nas praças que essa paixão musical se torna mais visível, onde os ouvintes compartilham essa tradição.

O Choro como Patrimônio Cultural

O Choro, enraizado nas ruas do Rio de Janeiro, é considerado um patrimônio cultural do Brasil. As rodas de Choro nas praças da cidade desempenham um papel fundamental na preservação e divulgação dessa herança musical. Elas mantêm viva a tradição, ao mesmo tempo em que a renovam com novos talentos e interpretações.

A prática mais recente de sua apresentação nas praças da cidade, além de contribuir diretamente para a confraternização dos envolvidos e visitantes, torna-se um ponto de atração e resgate de um Rio de Janeiro conhecido internacionalmente por sua hospitalidade e aceitação das diferenças.

Quando o Chorinho se expande, contribui para a valorização de um gênero nascido no Rio que, em suas notas musicais, revela uma alegria agridoce, chorosa, que pode ser considerada a essência da formação do carioca, como cantava o poeta Vinicius quando dizia que “venho de três raças muito tristes e eis porque viver tanto me dói”. Esse sentimento transborda no Chorinho.

A Roda Choro no Recreio

O Choro no Recreio é uma roda de choro que acontece todos os domingos entre 10h e 13h, na Praça Augusto Ruschi, “a praça do parcão”, desde 2016. Começou de forma quase espontânea como iniciativa de moradores da região que se encontraram em torno deste gênero musical tão carioca.

Num certo dia, o som de uma flauta entoando uma música de Pixinguinha, que parecia vir de uma árvore, chamou a atenção do engenheiro elétrico Márcio Rondon, que havia tirado aquela noite para passear com seu cachorro. 

Naquela praça, no Recreio, ecoavam acordes de um chorinho. Sob a copa da árvore, sozinho, no escuro da noite, estava o professor Pedro Fontes. A afinidade musical proporcionou uma conversa e descobriram algo em comum: além de apreciadores de choro e samba, os dois estudavam na Escola Portátil de Música (EPM), na Urca, criada por músicos de choro no ano 2000, com a finalidade de passar adiante seus conhecimentos sobre o gênero. Não tardou para surgir a ideia de uma roda de choro.

Pouco a pouco, através da propaganda boca a boca, surgiram muitos interessados. Uns para apreciar, outros para tocar junto àqueles músicos, alguns profissionais, outros amadores, sob a sombra de um belo e frondoso algodoeiro-da-praia, a céu aberto, “enchendo de som o ar”, como a Cigarra, de Milton Nascimento.

A Roda tornou-se uma forma organizada de divulgação da cultura do Choro naquela região, com grande receptividade, atraindo cada vez mais um público interessado.

Nas manhãs de domingo, casais, senhoras da vizinhança, crianças, adultos, jovens se reúnem trazendo suas cadeiras de praia, cangas, sentando-se no gramado, fazendo piqueniques para ouvir e apreciar a interpretação sensível daqueles instrumentistas que dialogam com seus instrumentos que, por sua vez, executam peças de nossa música popular, alguns com semblante sisudo enquanto outros abrem um largo sorriso quando as notas surgem dos cavaquinhos, violões, pandeiros e todos os demais.

O Recreio dos Bandeirantes é um bairro recente em seu adensamento e ainda não construiu a própria identidade, se comparado a outras regiões da cidade. A Roda Choro no Recreio é uma iniciativa para contribuir no fortalecimento da relação entre a identidade carioca e essa região.

Esta Roda de Choro seguramente é responsável por fortalecer o sentimento de confraternização dos envolvidos e visitantes, tornando-se um ponto de atração e resgate do espírito da cidade.

Músicos de todas as idades, origens e níveis de habilidade se reúnem debaixo do belo algodoeiro-da-praia, para formar a Roda. Amadores e virtuoses, jovens e idosos, todos são bem-vindos na Roda Choro no Recreio, uma diversidade que reflete a natureza cosmopolita da cidade, onde culturas se entrelaçam se comunicando pela música, linguagem universal.

Para aqueles que já participaram das Rodas de Choro no Recreio, na Praça Augusto Ruschi, a experiência é inesquecível. As melodias envolventes, o virtuosismo dos músicos e a energia contagiante do público criam um ambiente mágico que capta a essência da cidade.

A Roda Choro no Recreio tornou-se uma conhecida manifestação popular na região que já foi objeto de reportagens em jornais de bairro do Globo e do canal da Revista Veja Rio no Youtube. 

A Roda de Choro no Recreio não é apenas um evento. Musical. Ela é uma celebração da música, da comunidade e da cultura carioca. Uma alegre advertência de que, em meio à agitação da cidade, a beleza da música e da amizade pode sempre ser encontrada sob a sombra das árvores de uma praça, criando uma trilha sonora memorável para a vida na nossa Cidade Maravilhosa.

Em tempos digitais, a proteção de ações como essa torna-se indispensável e imediata, preservando a memória de um povo e de um gênero musical nascido na cidade, patrimônio imaterial carioca consolidado que aguarda apenas a sua formalização pelos órgãos oficiais.

Por estes motivos, solicito aos meus Pares desta Casa de Leis, o apoio necessário para a aprovação deste importante Projeto de Lei.



 
Texto Original:


Legislação Citada



Atalho para outros documentos



Informações Básicas

Regime de Tramitação Ordinária
Projeto

Datas:
Entrada 12/14/2023Despacho 01/05/2024
Publicação 01/12/2024Republicação

Outras Informações:
Pág. do DCM da Publicação 14/15 Pág. do DCM da Republicação
Tipo de Quorum MS Arquivado Sim
Motivo da Republicação Pendências? Não


Observações:



DESPACHO: A imprimir
Nos termos do item 5 do Precedente Regimental nº 27, de 2005, numere-se, publique-se e proceda-se ao APENSAMENTO do presente projeto legislativo ao PL nº 2691/2023 por versar sobre temática normativa idêntica.
Em 05/01/2024
TÂNIA BASTOS - Presidente em Exercício


Comissões a serem distribuidas


01.:A imprimir

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Blue right arrow Icon Anexado => PL N° 2691/202301/12/2024
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Blue right arrow Icon Despacho => Proposição => 2785/2024 => Fica prejudicado e segue ao arquivo, Despacho => Proposição => 2785/2024 => com base no Art. 268 do Regimento
Interno
12/06/2024
Blue right arrow Icon Arquivo12/06/2024






   
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