Nós, professores e funcionários da Escola Municipal Roma (2ª CRE) abaixo-assinados, vimos a público expressar nosso posicionamento em relação à retomada de atividades pedagógicas presenciais na Escola Municipal Roma, tendo como eixo dessa posição, o apreço ao pensamento científico como também a recomendação conjunta 01/2020 do Ministério Público, mantendo medidas restritivas de isolamento nas atividades de ensino na Rede Municipal, não promovendo o retorno das atividades presenciais nas unidades de ensino em função das evidências científicas contrárias a tal retomada em meio à disseminação do COVID-19.
A Escola Municipal Roma faz 55 anos de existência e ao longo de décadas de trabalho contínuo, nunca houve uma obra estrutural, apesar dessa obra ser solicitada há quase uma década, conseguindo apenas reformas pontuais. Diante disso, vamos apresentar a situação de nossa Escola quanto às regras de ouro apresentadas durante a capacitação da vigilância sanitária aos profissionais.
Algumas das principais regras de ouro dizem respeito a higienizar mãos antes e depois de cada atividade e disponibilização de álcool em gel, sabão justamente nas áreas de maior circulação são impossíveis de serem cumpridas. Vamos à explicação dessa impossibilidade: as nossas 11 salas de aula ficam no primeiro andar, onde não há lavatórios para higienização das mãos.
Os banheiros masculino e feminino, únicos lugares com lavatórios na escola apresentam grandes problemas para oferecer um espaço seguro para higienização pois precisam de manutenção geral. As portas, os vasos sanitários, descargas e lavatórios se encontram com problemas graves devido o longo tempo de uso, danificados e com apenas pequenos reparos para funcionamento. Como já falamos, o pedido de obras mais profundas não foram atendidas até hoje.
Outra regra de ouro fundamental comprometida é manter ambientes arejados com janelas e portas abertas e aparelhos de ar condicionado com limpeza em dia. Infelizmente, apesar de termos 11 salas de aula do primeiro andar, elas possuem uma estrutura bastante comprometida: 6 salas sem janelas e com portas danificadas, 5 salas com janelas danificadas. Os aparelhos de ar condicionado têm mais de 5 anos de uso e estão danificados. Assim, todo esses espaços essenciais no trabalho pedagógico com nossas crianças, possuem graves problemas de ventilação.
Ainda sobre manter os ambientes arejados: secretaria e sala de professores não têm condições de abrir as janelas, por questões de estrutura e de segurança. Os dois pátios externos, onde deveria ter maior ventilação, não têm condições de segurança com pisos danificados, chapas e barras de segurança danificadas. O mesmo se pode dizer do pátio interno e refeitório.
Sobre o refeitório e acondicionamento de alimentos temos problemas ainda mais graves que comprometem a sua utilização comum e rotineira e impossível no momento de crise com contágio de COVID-19.
Gêneros alimentícios que chegam à escola não possuem um local apropriado para serem higienizados pois há necessidade de obras maiores na cozinha: a despensa apresenta problemas de localizaçao.
Destacamos que tais problemas já foram reportados às esferas superiores do setor de Educação e Prefeitura.
A ventilação do refeitório já precária, foi mais prejudicada ao colocarem vedações devido à infestação de ratos oriundos da Praça onde a escola se localiza. Tal vedação comprometeu negativamente a ventilação do ambiente. As telas de vedação ficam constantemente entupidas por penas de pombos que existem em grande quantidade na Praça supracitada.
É importante destacar que nossa escola atende diferentes comunidades e recebemos crianças e seus responsáveis que se locomovem por transporte público até à unidade. Sabemos que o transporte público pode ser um local fundamental de contaminação da COVID-19. Além disso, tanto alunos quanto profissionais entram na escola sem a possibilidade da devida higienização das suas vestimentas.
Em continuidade a essas apresentação e reflexão sobre as condições de nossa escola, ressaltamos o número reduzido de funcionários de limpeza e apoio em relação ao número de alunos em turmas volumosas -- só no nono ano, temos em torno de 160 alunos --, os bebedouros coletivos que dificultam evitar aglomeração.
Por fim, temos uma questão problemática para refletirmos: Os custos com a prevenção e combate à pandemia na escola são necessárias mas prejudicam o planejamento do PDDE, que deve atender as necessidades discentes, como material de consumo pedagógico, bens materiais de objetivo didático pedagógico, fundamentais para a realização do projeto político pedagógico da escola. Os escassos recursos se tornam mais escassos ainda diante das necessidades prioritárias para uma retomada de aulas que seja segura para todos em tempos de Pandemia.
A Escola é o Templo do Conhecimento, local fundamental de formação consciente e cidadã de nossas crianças. Diante disso, como ignorar o que o Conhecimento oficial, a Ciência nos alerta sobre ainda grave contaminação do COVID-19?
Ressaltamos ainda, finalmente, que mantivemos por todo esse período em que as escolas estão fechadas, o canal aberto de comunicação e ensino/aprendizagem. Para isso, utilizamos as apostilas e as tarefas das mesmas transmitidas para os responsáveis através de representantes de responsáveis do CEC, que ainda nos auxiliaram na transmissão de tarefas complementares através de contato via WhatsApp. Mantivemos o ensino remoto em vídeos-aulas e blogs, através de Rede social como YouTube, Facebook e o já mencionado Whatsapp. A Plataforma Teams foi utilizada na medida que a secretaria nos possibilitou acesso as turmas, nem todas disponíveis e ativadas na Plataforma. Investimos em formações complementares relacionadas às ferramentas digitais, oferecidas pela SME/Microsoft. Utilizamos assim todos meios possíveis de ensino não presencial com alguns retornos satisfatórios dos responsáveis.
Portanto, pretendemos seguir com o que se tornou um projeto pedagógico em construção, respeitando as orientações da Ciência. Se a formação de cidadãos é como um denso plantio, diverso, com raízes bem fincadas na realidade e copas voltadas para o céu da imaginação e criatividade, esse processo vital torna impossível pensar a Educação dissociada da Vida. A Educação é Vida.
Assinam a carta:
1- Maria Tereza Lopes Dantas
2 - Patrícia Helena Alves da Silva
3- Liliane Feijó da Rocha
4-Ana Carolina Costa Macêdo
5- Simone Diegues Oliveira
6-Ricardo Chaves Christiano
7- Nídia Plata Limpar
8- Márcia Marapodi
9- Teresa Cristina Miranda Pieper
10- Ana Lúcia da Costa Lemos
11- Sandy Regina Cadete Barbosa de Jesus
12- Valéria Simeão Duarte
13 - Fernanda Almeida Brasil
14- José Nilton Oliveira de Almeida
15- Célia Maria Monteiro Vianna
16- Ana Augusta Barros Guimarães Maia
17- Flavia Ribeiro de Moura
18 -Natália Gilvaz Pontes
19- Ana Paula Gonçalves de Amorim
20- Fatima Azamor da Costa
21- Ethel Wandersman
22- Adriana Monteiro Coelho
23- Veronica Vieira
24- Dominique Ribeiro Tupinambá
25- Edna Bandeira Prestes
26- Magda Cristina Fernandes Nunes Silveira
27- Patricia Costa Grigorio
28- André Luis Marcondes
29- Andrea de Landa Giancristofaro
30- Miguel Carneiro Diniz
31- Mariângela Longhi
32- Marco Antonio Martins Junior
33- Renato Godoy Bezerra de Andrade
34- Suley Donadoni Machado Moreira da Silva
35- Iraides Maria Pereira Coelho
36- Eline de Sousa Paiva
37- Eduardo de Sa Portella
38- Luiz Fernando Henriques Martins
39- Alvaro Vicente Graça Truppel Pereira do Cabo
40- Carlota Maria de Areas
41-Heloisa Helena de Araújo Alves
42-Jerônimo Sérgio do Nascimento
43-Flávio Silva Alves
44-Vania Oliveira Ventura
45-Sonia Maria Siqueira Trotte
46- Márcia Cristina Pinheiro da Conceição
Legislação Citada Atalho para outros documentos Informações Básicas
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Despacho: